quarta-feira, 18 de abril de 2007

A Vanguarda Setentista Brasileira


União Democrática Nacional: a efêmera UDN foi o único partido verdadeiramente conservador com o qual a República brasileira pôde contar em sua história.





Resumo: Essa tirania militar foi assim taxada justamente porque foi ela a se posicionar de frente à subversão quando as tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas, em 31 de março de 1964, em defesa desses estratos sociais, das tradições e valores judaico-cristãs, do patriotismo e da ordem.


De fato fomos conquistados nas décadas daquele breve século XX, uma conquista sem guerra, no momento em que o Brasil abriu suas portas ao comunismo ao meio daquele cenário de crise política marcada desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961 e com a posse do vice João Gulart naquele mesmo ano. Com todo o cenário político brasileiro abarrotado, não houve melhor momento para a organização das camadas populares e de trabalhadores se mobilizarem, em plenas animosidades armamentistas da "Guerra Fria", alimentada pela passageira URSS (ver "Um Stalin Desconhecido" de Zhores Medvedev, cuja documentação revelada pelo autor mostram este louco já preparava planos de preponderância sobre toda a Europa - logo, planos de preparo para a "Guerra Fria" - já em 1941, quando a Alemanha invadiu a Rússia). Como ficariam os estratos sociais brasileiros que sustentavam a caminhada para prosperidade da sociedade, revestidos pela classe média, pela classe empresarial e pelo Cristianismo católico? A intervenção da União Democrática Nacional (UDN), juntamente com o PSD, veio como contrapeso às ameaças de uma sovietização brasileira, assombrada pela iminência de um golpe comunista no país e evitar sim, que o Brasil se tornasse uma maquete soviética nos modelos de Havana, Praga, Varsóvia ou Pyongyang. A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” de 19 de março de 1964, foi a mais autêntica manifestação contra a subversão comunista no Brasil e não escondia as profundas insatisfações geradas pelo governo de Jango, o responsável por abrir brechas às camadas embriagadas pela promessa do paraíso socialista propagada por Moscou.

A conservação da ordem exige sim autoridade e vigilância. Foram estas as premissas aderidas pelo governo militar iniciado por Castelo Branco, em 1964-67. O turbilhão agitador demonstrava força e intrepidez iam de greves, agitações e paralisações de fábricas, cujos métodos coordenados pelos estudantes idealistas da UNE incluíam assalto a bancos e seqüestros a embaixadores. A formação de grupos guerrilheiros (partisans), como o MR-8 e a ALN foram extremos estabelecidos no seio da sociedade brasileira.

Não é preciso muito esforço para compreender a conquista da mentalidade de jovens e idealistas brasileiros durante essas décadas. Os países da América Latina em geral foram países que festejaram e aplaudiram desde 1917, a Revolução de Outubro (Fevereiro no calendário russo) dos bolcheviques sobre os czares. Não apenas países latinos, como também foram calorosamente aplaudidos mundialmente: todos os países industrializados destinados à prosperidade, ou pelo menos a caminho dela, foram estremecidos, onde quer que houvessem trabalhadores (unidos pela profecia de um paraíso marxista em substituição integral ao capitalismo). No caso do Brasil, esse mesmo sonho não poderia deixar de incitar, instigar e impulsionar grossos contingentes populares a marcharem (e guerrilharem) contra a ordem capitalista e a paz social. Extremos pedem extremos, portanto os Atos Institucionais devem ser enxergados como medidas de contraponto (baseadas na autoridade e vigilância) aos ímpetos subversivos das massas ludibriadas pela propaganda do comunismo soviético.
Hobsbawm que retire suas palavras ao inocentar a União Soviética do espírito de cruzada na Era dos Extremos, ainda que em 1962 o mundo estivesse à beira da catacumba nuclear por iniciativa dos soviéticos, por aqui toda uma geração brasileira a contemplaram como o milagre do século e se lançaram ao “Destino Manifesto”. Apenas uma pergunta absurda: seria correto que toda uma sociedade em seus estratos sociais permanecesse estática, inerte e moribunda em estado de temor, sem a escolta de ninguém ou qualquer coisa que lhes pudessem oferecer proteção, abandonadas à mercê de revolucionários incendiários? Essa tirania militar foi assim taxada justamente porque foi ela a se posicionar de frente à subversão da vanguarda setentista brasileira, cuja arte era o comunismo, quando as tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas, em 31 de março de 1964, em defesa desses estratos sociais, das tradições e valores judaico-cristãs, do patriotismo e da ordem. Se foi ela uma ditadura ou não, agradeçam pelo Brasil não ter se tornado ontem um satélite alinhado à União Soviéitca e hoje uma Cuba, Venezuela e Coréia do Norte juntas.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

É a História, imbecil


Black Panther Party: com a incitação ao racismo negro na administração petista, não estará longe de vermos no Brasil a edificação do nacionalismo das camadas de cor da população que são a imensa maioria. A estratégia é política e visa o mesmo ativismo, no longo prazo, do movimento sem terra na sociedade brasileira.



“A reação de um negro, de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural(...)”;
”Acho melhor ter brancos ressentidos, mas negros dentro da faculdade, do que ter branco feliz e negro fora da faculdade”;

- Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilda Ribeiro, do Partido dos Trabalhadores.



Resumo: Não se contentando em manipular conceitos morais os militantes socialistas agora querem controlar o testemunho imparcial da História, para inseri-la em suas jogatinas populistas.


Para onde vai a História?

História, seu testemunho ao longo dos séculos são indelegáveis, irrenunciáveis e imprescritíveis. Que o mundo sempre carregara o ranço da escravidão, isso é verdade. Mas, quão absurdo é vermos sua imparcialidade ser desrespeitada pela manipulação ideológica do racismo como pretexto para a perpetuação da incriminação daqueles que vieram ao mundo com o pigmento que lhes deram uma pele clara, em qualquer época, em qualquer lugar. Bem, o brilhante historiador Ricardo Luiz Silveira da Costa mostra, a guisa de exemplo, que A Expansão Árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai, entre os séculos VII e XVI faz justiça ao testemunho imparcial da História: “sabemos que, já a partir do século IX, uma confederação de tribos berberes sob o comando de Tilutan (836-837) – os lemtunas, os mesufas e os djoddalas – conseguiram impor sua autoridade sobre vários grupos negros e negro-berberes instalados ao redor de um povoamento chamado Awdaghost, que ficava bem no centro da região do Baixo Senegal”[1].

E o que dizer sobre a escravização ser uma instituição histórica estabelecida mesmo antes de quaisquer civilizações constituídas por uma população branca, como as primeiras que se constituíram na Crescente Fértil (situava-se num triangulo entre a Ásia Menor, Golfo Pérsico e o Egito, envolvendo parte da Mesopotâmia e os rios Tigre, Eufrates, Jordão e o grande Nilo), a começar de impérios como o egípcio (cujo povo não poderia ser considerado de pele clara) que edificaram seu tour de force sob vastas empreitadas escravistas? E que dizer de outras civilizações assentadas no Oriente Médio que realizaram feitos semelhantes, muito anteriormente aos egípcios, aos gregos, romanos e europeus, como os Sumérios, os Acádios, Amorritas, Assírios, Caldeus? Que dizer sobre os assírios, cujos métodos de guerra não incluíam apenas o aprisionamento dos derrotados como também a ferocidade em aniquilar pelo prazer sanguinário – ainda hoje praticado - muito diferentemente do que contam as vitórias gregas nas guerras médicas contra o numeroso exército Persa, adquiridas com maestria, lucidez técnica, tática e estratégia? E quanto às guerras medievais travadas pela luta cristã contra a islamização ocidental (evitada graças à Carlos Martel, na Batalha de Poitiers, em 732), quando a impetuosidade militar islâmica contava com inúmeros guerreiros negros e berberes? Só há apenas uma resposta: é a História, imbecil.

Não há que se falar na hipócrita obrigação de povos para com outros povos que no passado utilizaram da violência militar para escravizar e edificar seus gloriosos impérios (como vimos o bom senso jogado no lixo[2], com o reconhecimento brasileiro de uma tal dívida histórica para com povos africanos). Por que não falar sobre dívida histórica com iraquianos de nosso tempo para com os israelenses, por terem na Antiguidade promovido a destruição do Templo de Jerusalém dos antigos hebreus pelos caldeus (que ficaram conhecidos como neobabilônios) e por colocá-los em cativeiro na Babilônia (587 a.C.), destruírem seus feitos e condená-los à Diáspora? Tudo isso não passa de trapaça. Trapaça daqueles que querem condenar outros povos mais prósperos por não conseguirem ombrear a prodigiosa capacidade de providenciar riqueza e abundância, jogando suas catarses e frustrações contra a felicidade alheia.

Ainda com respeito a Ricardo Costa, sabemos também que a presunção hipócrita em emitirmos quaisquer julgamentos morais acerca de quaisquer fatos consumados numa época remota, em que as relações sociais e comportamentais dos homens estiveram vinculadas a uma moralidade intrínseca ao período em questão, equivale a julgar, em algum tribunal inglês, os restos mortais de Jack, o estripador, se fossem encontrados pela Scotland Yard.

Não há maior estapafúrdio em julgar o passado baseando-se em reflexões morais no presente – cujos contextos sociais contrastantes em duas épocas diferentes revelam tão somente a enorme distância entre a realidade vigente de um período dono de uma gama de acontecimentos já consumados em seu tempo, ao longo do percurso natural da dialética que traçam os caminhos da evolução cultural –, e o período no qual onde podemos situar o presente como destino final deste percurso, intermediário, não obstante, do futuro vindouro. Isso caracteriza a constância das transformações a que estão sujeitas as relações sociais entre os homens, fazendo com que a verdade não seja estática, absoluta e presa a um grupo de profetas apocalípticos – como foi e quis a ideocracia soviética até dissolver-se pela fixação obstinada de uma verdade universal socialista elaborada -, mas susceptível de uma mutabilidade que a torne digna de sua incansável busca pela humanidade, correspondendo e corroborando com seu desejo por natureza de prosperar. Talvez fosse com demasiada elegância que um ser pensante em pleno século XXI condenasse com imensurável veemência os hunos, os ostrogodos, visigodos, lombardos, vândalos, germanos e escandinávios por suas migrações em meados do século V d.C., mais conhecidas como invasões bárbaras, responsáveis por dilacerar o império romano ocidental e espalharem o terror caótico sob aterrorizantes pilhagens no Velho Continente. Mas este mesmo indivíduo não deixaria de recair na mais profunda fossa da ridicularidade ao se esquecer do contexto social do meio sob o qual o homem medieval vivia (por isso a verdade de que o Homem é produto do meio em que se estabelece, pronunciada por Silvio Romero, é uma interpretação seca do testemunho imparcial histórico, enquanto que esteia sua máxima como fenômeno conseqüente da evolução cronológica moral dentro das comunidades).


Leitmotiv Politicamente Correto – um projeto de poder nacional

Reconhecer e endossar a patifaria de que os brancos espalharam o terror sob a Terra sem antes olhar o que a História testemunha imparcialmente, é realmente corroborar para com a fanfarra do Estado Socialista de Direito que incendeia a paz social na defesa de “liberdades” que gradativamente esfacelam a conservação dos bons costumes e valores (apenas quando não existem rightwings para obstruírem a atividade corrosiva dos leftwings). São “liberdades” como a legalização do aborto, de substâncias entorpecentes, da aberração homossexual em destruir tradições cristãs como o casamento entre um homem e uma mulher sexualmente normais, que são o exemplo de pautas adotadas pelos leftwings.

A questão racial não poderia ser diferente já que utilizar do jargão de que os negros não gozam de oportunidades para estudarem, trabalharem e entreterem-se, vai de encontro com o viés da “justiça social” – o prato cheio e predileto na cozinha da esquerda para engrossarem a obesidade estatal, sob as receitas do tributarismo, estatização/nacionalização e intervencionismo mesclado das porcarias keynesianas (claro, se é pelo “social”, com a “força do povo”, as massas não terão dificuldade em morder a isca ao caírem na ciranda cirandinha do combate à pobreza através da falsa realização de uma falsa “justiça social” por meio dos métodos que deixam os burocratas vermelhos tão satisfeitos no poder).

Com a manipulação do que é ou não racismo pela criação da inútil Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, temos na verdade a incitação e o estímulo aos negros brasileiros a se sentirem mais iguais perante seus semelhantes de pele mais clara, cuja constatação é percebida nas declarações da ministra Matilda Ribeiro.

Mas é preciso reconhecer que o PT vem agindo com maestria na concretização dessas pautas (que em âmbito regional vemos o Foro de São Paulo o cérebro da subversão latina americana, reunindo organizações criminosas e produzindo resoluções para coordenarem a implementação de um dito “novo” modelo para o continente), uma vez que a incitação à população de cor, que por sua vez são inquestionavelmente predominantes no Brasil, a se sentirem com maior destaque na sociedade sobre a parcela minoritária de pele clara, o que não tardaria por induzir à uma possível edificação moral sob uma espécie de nacionalismo negro alinhado aos idealismos do Estado Socialista de Direito. Seu ativismo nacionalista seria similar à virulência do movimento gay internacionalizado como veículo de pressão às democracias ocidentais[i], bem como ao vandalismo do MST, não destruindo granjas, mas organizando-se em movimentos fortemente engajados por uma causa ligada a um intrépido nacionalismo de cor no seio da sociedade brasileira, sustentados na captação do passado histórico da escravidão em sincronia com uma solidariedade pela “mãe África” e suas mazelas, no momento em que o ódio à pele mais clara viesse a se tornar sua política.

É assim que os brasões e emblemas constitucionalistas da justiça necessariamente “social” fazem das abstrações “politicamente corretas” e idealistas tão populistas e identificadas pela demagogia esquerdista, porque sua sublime promessa por igualdade e fraternidade seduzem as massas para as trilhas do socialismo e do jogo burocrático do paternalismo estatal, pois inconscientemente reconhecerão nele o mediador para o falso paraíso prometido, ao passo que líderes de legendas partidárias aparecem com gula, esganação e avidez por ministérios, secretarias e cargos de influência.

A idéia de “justiça social” é apenas um soquete ideológico para seduzirem o eleitorado a perpetuarem seus votos nas eleições consecutivas a favor, claro, do vírus esquerdista (hospedado também em partidos ilusoriamente declarados de direita, pois que se a coligação PSDB/PFL o fosse na fiel íntegra, não se deixariam abater pela demonização das privatizações e pelo assistencialismo lulista, e o Sr. Alkmin teria desmascarado Zé Lula com energia e convicção para toda a população brasileira, mostrando-as como o torneiro mecânico endivida e sobrecarrega o Estado de funções com suas “políticas sociais” e comprime a economia pelo monopólio de empresas públicas não abrindo espaço para empresas privadas – observando o enorme desempenho obtido de empresas privatizadas e que se desvincularam da matriarca Petrobrás, como a Petroflex, a Copesul, Comgás, dentre outras – ao passo que deixaria nosso Macunaíma de cuecas se nos debates mostrasse o que o petista faz no Foro de São Paulo junto a organizações criminosas e guerrilheiras e os líderes que as alimentam). Resultado: as massas ludibriadas pela promessa assistencialista dará seu pedaço de queijo a cada quatro anos para estas raposas políticas, que garantirão a perpetuação de seu poder, mesmo quando não estiverem no poder. Pois pelas próprias vias democráticas afrouxadas[ii], serão (são) semeadas as sementes e regadas as raízes que tornam o Brasil, de fato, um país sem qualquer espaço para um Hayek, um Misses ou um Churchill brasileiro. Raízes como Movimento “Sem Terra”, Primeiro Comando da Capital, sociologização uspiana do crime, e sementes como o abortismo, a legitimação e legalização de aspectos contidos no movimento homossexual (entenda-se gays, lésbicas, sadomistas e pedófilos), a pressão contra a Igreja Católica e a incitação racista às comunidades de cor, são simples ramificações derivadas da abstração chamada “justiça social” como estrutura ideológica central para a corrosão dos valores ocidentais familiares, judaico-cristãos e nacionais na busca do conseqüente assento do comunismo em nossa própria versão nacional e continental.

Matilda Ribeiro sabe disso, e sabe que sua impunidade por tamanhas injúrias tranquilamente declaradas é devida somente ao fato de que suas palavras são acobertadas por esta mesma abstração (gostaria de ver a Xuxa reproduzi-las em favor dos caucasianos). Seu racismo declarado, então, torna-se política de boa vizinhança. Nisso, o teor de suas declarações não deixam a perspectiva de um possível retorno dos Black Panthers em sua versão brasileira absolutamente fora da realidade, tão pouco absurdas.

Para melhor ilustrar o que este autor se propõe a explicar, peguemos como exemplo o livro de Michael Moore publicado em 2001. The Stupid White Men é uma crítica ao governo americano sob a administração Bush. Ainda que se trate de um contexto crítico ao governo americano (o que não é nem um pouco estranho anti-americanismo ser quase um espectro moral) o título do livro goza da total segurança em estampar, numa metonímia distorcida, o “estúpido homem branco” por ser uma apologia acobertada pelo maniqueísmo do homem branco ser mau e o homem negro bom, como produto da formulação de conceitos “politicamente corretos” pelos oradores esquerdistas, num mecanismo que manipula a imparcialidade da História para a perpetuação desta imagem projetada entre o carrasco e a vítima (na afirmação e perpetuação de dívidas dos primeiros para com os segundos). Logo, o título “O Estúpido Homem Branco” é uma construção moral deste maniqueísmo que se apóia contra o carrasco (branco), enquanto que um título estampado pelas palavras “O Estúpido Homem Negro” seria imediatamente uma desconstrução moral por efeito deste maniqueísmo, pois que postularia contra a imagem identificada na projeção da vítima (negro).

Mas não façamos rodeios. O que Matilda Ribeiro tem em comum com o “politicamente correto” que a salvou de agonizar anos de reclusão inafiançável? Ela tem traços de descendência negra, portanto suas declarações são benzidas por um racismo “politicamente correto” e ainda goza de prerrogativas como ministra de um partido missionário de boas causas “politicamente corretas”, que por intrigante coincidência tem afinidades com outras causas mais que “politicamente corretas” vindas e absorvidas de fora.

Não se contentando em manipular conceitos morais, “justiças sociais”, o que é ou não “politicamente correto”, a definição de racismo (bastante racista), os militantes socialistas agora querem controlar o testemunho imparcial da História, para inseri-la em suas jogatinas populistas que fazem das massas ludibriadas, quando não, em casos extremos, encolerizadas e enfurecidas, seu principal objeto para suas manobras políticas. Isso não é desestabilizar a ordem? Deixarei que os atentos respondam.



Leitmotiv politicamente correto – um projeto de poder internacional do século XXI

No escopo das relações internacionais, uma série de fatores presentes na política internacional (que tentarei elencar aqui com objetividade), característicos da globalização como fenômeno impresso nas engrenagens do capitalismo, e orquestrados pelo mote ideológico de oradores do liberalismo político (cosmopolita), atuam como verdadeiros presságios apocalípticos envoltos desse cosmopolitismo.

Oradores estes que no Brasil inflamam obras ao estilo de um Joaquim Nabuco[3], o qual ostenta em sua visão histórica do abolicionismo brasileiro quase uma epilepsia de orgasmos palavreados em busca de conceber à exaltação da liberdade do negro, com o fim da escravidão, esta imagem “politicamente correta” como fruto deste mecanismo maniqueísta ao qual recai, consciente ou inconsciente, sua expressão intelectual.

O mesmo mecanismo também é utilizado para revestir a imagem do bem incondicional à militância homossexual mudialmente organizada, enquanto que o mal incondicional é atribuído àqueles que preferem a heterossexualidade – o conceito de homofobia funciona para esta construção.

Numa visão mais ampla de tudo, o conservador já é o mal incondicional enquanto que o liberal (de esquerda) é o bem incondicional: a imagem da política mundial para uma dita “comunidade internacional”[iii] reflete os crivos deste mecanismo, uma vez que as massas munidas de sua opinião pública[iv] não assimilam termos técnicos de uma linguagem pragmática, racional, empirista e sóbria (como já explicou, Thomas sowell[4], O Rancor da Esquerda), mas são boas em capitular uma linguagem inflamada revestida por brados de ordem e termos instigantes insuflados por algum ideal apaixonado.

Na Europa o problema é bem mais sério: esse sistema maniqueísta vem sendo empregado na fixação de uma vitimização estereotipada atribuída ao Islã contra os próprios conterrâneos naturais do velho mundo, cumprindo etapas gradativas de um processo de aculturação cristã. Bat Ye’Or em Eurabia: The Euro-Arab Axis explica como a Europa desde 1967 vem se implodindo desde o estabelecimento de uma política pró-árabe iniciada na França de Charles De Gaulle, que levou mais tarde a um Euro-Arab Dialogue (EAD) que, segundo a autora, por demanda das comunidades árabes, os países da comunidade européia deveriam fomentar o sentimento anti-americano, ao passo que a cultura árabe é recepcionada em detrimento da cultura européia. Sem embargo, o que fará, sem margens de erro, um rush à islamização do velho continente será, engenhosamente, a entrada da Turquia na União Européia (que já se constitui numa maquete de um cosmopolitismo integrado regional; um ensaio para a construção universalista onusiana), o que facilitará um pesado assento demográfico do califado e consigo suas premissas absolutas[v] hasteadas do livro único (Corão).

A Dinamarca, um dos ícones da beleza ocidental em liberdade, foi manchada quando o cartunista Kurt Westergaard teve que se esconder depois do clérigo califa Maulana Yousaf Qureshi ofertar pela morte de qualquer dos “infiéis” que reproduziram o rosto de Maomé, contando apenas com seu ministro das relações exteriores, Per Stig Moeller, que se resumiu a embelezar que “o Islã é uma religião de paz, misericórdia e perdão”, segundo a BBC Brasil[5] (ainda que dezenas de pessoas morressem pela selvageria islâmica). Nenhum ocidental, nenhum civil livre e civilizado detonou embaixadas quando o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, em doentia resposta, abriu concursos para charges do Holocausto judeu[vi].

Minto sobre a resposta doentia. O libanês Faiz Mohammed nos dá a prova viva do quão doente é um indivíduo proveniente do tumor cultural que assim o transformou, ao declarar em uma conferência na Sydney australiana que mulheres sob pouca roupa, convidam homens a estuprá-las. Sharon Lapkin[6] analisa a onda de estupros promovidos por grupos islâmicos no mundo livre e como este crime racial manchou países civilizados como Suécia, Noruega, França, Austrália: pela passividade de autoridades que se resguardaram omissas ao se tratar de uma questão racial (islâmica).

Munidos pelo estereótipo da vitimização, eis como o islâmico frustrado é ao mesmo tempo o estereótipo do negro escravizado, do homossexual agredido, da abortista cerceada, do silvícola incapaz, da feminista excluída, do ecologista altruísta, do revolucionário idealista, de tudo o que é “politicamente correto”. Eis que o mecanismo empregado pelas vísceras (left) liberais personifica um projeto de poder per se.


Para onde foi a História?

Como já bem sabemos pelos ensinamentos de Maquiavel que imortalizou a ciência política como campo autônomo, ao legar a visão interpretativa do animal político que é o Homem de que ela é somente, absolutamente, passível de qualquer juízo, seja qual for sua natureza crítica, quando dos seus resultados práticos sua engenharia técnica e racional, em termos de poder, obtiver uma ejaculação ou uma diarréia institucional. Ou seja, se dessa maestria prática serão deduzidos a prudência ou não. Mas esta ciência política já caducou, pois que sua inteligência sóbria adentrou os séculos XX e XXI exaurida dessa engenharia emérita, por força do brado humanitário subseqüente às catástrofes anunciadas de 1914 a 1989, que a condenou à abdicação de sua auto-avaliação de seus resultados finais e subseqüentes: seus resultados devem se adequar a premissas pré-estabelecidas e premissas devem ditar seus resultados pré-estabelecidos, eis como hoje ela está confinada a ser apedrejada por antecedentes que controlam circunstâncias. Eis como ela se tornou “politicamente correta”.

Para onde foi a História? Não sei. Sei apenas que “a única lição da História é que os homens se recusam a aceitar as lições da História”. Bernard Shaw está politicamente incorreto. Logo, ele está certo. A História apenas conta o que os homens nasceram para fazerem: política, porque “o homem é um animal político por natureza” (parlas Aristóteles, parlas!). Mas a despolitização do homem contemporâneo é um assassinato à justiça de seu testemunho milenar, restando apenas a esperança dos “homens políticos” persistirem contra a criminalização de sua essência, de sua natureza humana e de seu direito em buscar, com seu espírito intrépido e desbravador, o primado de sua realização dentro do próprio universo em que se fazem submersos constituído por forças perenes enraizadas nesta essência. Que estes “homens políticos” desbanquem a love politics e façam justiça à real politics, seja nas relações internacionais demonstrando que o estado de paz não se diferencia em nada do estado de guerra, uma vez constituírem em ambos a gama de instrumentos com que dispõem os estados nacionais para conduzirem suas próprias políticas externas. Que desbanquem a propaganda do falso paraíso da igualdade vendida pelo partidarismo militante da esquerda (utilizada para legitimarem seus meios intervencionistas administrativos em busca de mais poder e influência).

Fomentando boas esperanças, que refaçam justiça à História: que permaneçam para sempre politicamente incorretos.

[1] COSTA, Ricardo da, A Expansão Árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (séculos VII – XVI) – Segunda Parte, disponível em: http://www.ricardocosta.com/pub/imperiosnegros2.htm. Acesso em: 16/04/2007.

[2] CADEMARTORI, Lindolpho, O Bom Senso Jogado no Lixo, disponível em: [http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3403. Acesso em: 16/04/2007.

[3] NABUCO, Joaquim, O Abolicionismo: Intérpretes do Brasil, vol. 1, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. 21.

[4] O Rancor da Esquerda, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5801&language=pt, acesso em: 23 de Julho de 2007.

[5] Dinamarca: Al-Qaeda vai explorar crise das charges de Maomé, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/02/060220_alqaedachargesmb.shtml, acesso em: 01 de Agosto de 2007.

[6] LAPKIN, Sharon. A Epidemia do Estupro Étnico, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4508, acesso em: 01 de Agosto de 2007.
[i] A democracia tem sua fama de ser realmente o melhor dos piores sistemas políticos, reproduzindo a visão churchilliana, pois ao mesmo tempo que assegura direitos indeléveis, corre o risco de ser por meio deles trucidada por aqueles que gozam de suas liberdades. Como uma falha num sistema operacional, Hitler obteve sua ascensão ao poder em 1933 (depois de abandonar as manobras agressoras de bando, tática que empregou no início de sua escalada) manobrando as liberdades e direitos políticos da República de Weimar (1919), até conduzir a Alemanha ao III Reich. Eis porque as democracias liberais necessitam do conservadorismo, pois que um governo liberal de esquerda fará manobras políticas para afrouxar ainda mais as fendas de uma democracia sob o viés da liberação extrema, enquanto que um staff conservador de direita busca tapá-las, conservando o que é vital para os valores nacionais e liberando até onde as liberdades não suplantem os deveres.

[ii] Numa democracia (sobretudo a brasileira) a facilidade com que direitos se sobreponham aos deveres se faz até onde algum legislador messias ore por um projeto lei escorado em alguma prepotência moral extravasada de algum coitadismo coletivo. A exemplo, o PL 122/06 (lei anti homofobia), Lei 6.001/1973 (Estatuto do Índio) e o estabelecimento de quotas.

[iii] Pois que o mundo configurado por nações Estado, cada uma com suas cores nacionalistas atuando sob seus respectivos interesses políticos, não aproximam da idéia equivocada de formarem uma comunidade integrada.

[iv] Apesar de constituir-se em uma das áureas democráticas, a opinião pública do cidadão leigo, instigada pela imprensa e outros meios de comunicação semelhantes de seu país (afastando ainda a idéia absurda de uma “opinião pública mundial”), é consequência da democratização do fin de siècle (XIX) e, portanto, um dos elementos que devem ser inseridos nos cálculos racionais do staff político.

[v] Daniel Pipes adverte quanto a importância de os ocidentais apoiarem muçulmanos moderados contra a inflexibilidade extremista e universalista islâmica. Ver, Bolstering Moderate Muslims, disponível em: http://www.danielpipes.org/article/4426, acesso em: 01 de Agosto de 2007.

[vi] Grande parte do mundo árabe se recusa a reconhecer o Holocausto a que foi condenado milhões de judeus durante a II Guerra Mundial, alegando sê-lo um instrumento político ocidental para apoiar o Estado de Israel (dispensa-se mais comentários).

terça-feira, 10 de abril de 2007

O Homem sem Mãos



Posso pensar, mas não posso fazer;
E na incapaz agonia de um gesto meu;
Como quem queria tanto, quando jovem, tudo poder;
Oh! Homens livres, que dizer?

Mas no insalubre desespero deste fatigante estado de manada;
Ainda me resta a crista capaz em lhes observar;
Do Maas ao Memmel em alguma rapsódia, ali, da Prússia, contemplar;
Lá, onde uma bela vida foi, pela História, recontada.

O Grande general reuniu a montaria em sua terra,
Abraçou a Silésia, desceu a Bohemia e desbancou a duquesa;
Sete anos de espetáculo, sete anos de guerra;
Uma verdadeira ode à alegria, à espera por 1870,
Quando um outro general concebeu esta certeza
(Uma atroadora união; que proeza!)

Espasmo. Abro os olhos e desperto para a malvada realidade;
Rapidamente olho assustado para os punhos e sinto tato;
Palmas, dedos, polegares, articulações, tudo verdade.

Pena. Fugiu fugaz, não estou em nenhuma Brandemburgo do passado.
Nada disso posso aqui vislumbrar e nem a estes mitos lá me juntar.
Resta-me a conformação. Sou o homem massa e o homem coletivo, jamais indivíduo;
E tragado pela massificação, sou o homem sem mãos.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Hiroshima e Nagasaki: duas cidades que salvaram o mundo - Parte II


Devastação desumana: o perecimento quase total de Hiroshima e Nagasaki colocou em teste todos os limites da capacidade de destruição de uma possível guerra nuclear, mas os verdadeiros heróis sobre o algoz soviético são suas almas que ali foram silenciadas.





Uma cortina de ferro fechou-se sobre o front. Não sabemos o que está acontecendo por trás dela. [...] Entrementes, a atenção de nossos povos estará concentrada em infligir castigos à Alemanha, hoje prostrada e em ruínas. Em pouquíssimo tempo estará ao alcance dos russos avançar para as águas do mar do Norte e do Atlântico, se eles assim desejarem.

Winston Spencer Churchill – Memórias da Segunda Guerra Mundial



Resumo: Não fosse a rendição nipônica em 1945, aos escombros do horrível sacrifício de duas de suas maiores cidades, hoje estaríamos sob o jugo de uma única bandeira vermelha.



Dedicatória

A lavra deste trabalho é dedicada ao perecimento das almas silenciadas, ao sofrimento e a bravura de um povo, cuja riqueza cultural e intrepidez guerreira, lhes deram forças louváveis para reconstruírem sua grandeza das cinzas.


“Once upon a Time in 1945”...

O último ano da segunda grande guerra que quebrou paradigmas e transformou sociedades. O nazismo entrelaçava-se com o III Reich ainda vivo e pulsante apenas na figura desgastada do Fürher e já completamente fora de sua realidade. Salvo por alguns plenipotenciários que ainda sentiam o calor da chama do nacional-socialismo, ao estarem perto de seu líder, ali, nas divisões e cômodos da estrutura decadente do Bunker[1], como Joseph Goebbels e Karl Dönitz, momento em que uma mensagem havia sido passada: por seis anos aquele povo inflamado e intrépido, em sua história, advertira o mundo sobre seu temperamento patriótico num sonho por vingança, glória e conquistas, mas que definhava-se a cada palmo adentrado pelos exércitos aliados, no coração da Alemanha. Era o começo do fim de atrocidades aterradoras, junto ao sonho de uma Deutschland über alles e de um Weltreich que morria em corpo e alma na sucateada Luftwaffe e na dissidência de personagens como Heinrich Himller e Albert Speer, bem como outros compromissados na conspiração contra Hitler, cujo organizador principal viria a ser Stauffenberg.

Porém, muito embora o réquiem nacional-socialista e suas catarses devam ser mencionadas de passagem, o que de fato importa com o encerramento do teatro da grande guerra mundial é tão somente o que diz respeito ao avanço soviético (pós Stalingrado), em países que serviram de base para o assento da “cortina de ferro” no coração da Europa, ou seja, o foco estratégico no longo prazo dos anos subseqüentes à Untergang[i] alemã. Foco este que fizeram da “guerra desnecessária” (assim denominada por Churchill) uma guerra imperiosa quanto aos fatos que levaram à escalada nazista que gradativamente pisoteava a auto castrada Liga das Nações (motivo que levou o político conservador britânico Anthony Éden a renunciar, em 1938, ao cargo de ministro para os Assuntos da Liga, quando assistiu uma Alemanha impune e o facismo italiano desfraldar sobre a Etiópia), cuja importância reside na sobriedade, prudência e bom senso político e estratégico. Lacunas que agravaram os vinte anos de crise intermediários a 1919 e 1939. Enquanto a love politics – impregnada nos princípios da Liga, no gabinete a serviço de Sua Majestade do indiferente Lord Baldwin, na Inglaterra, no temor dos “Galos” franceses – servisse o camarote de Hitler ao meio de seus preparativos, a power politics imperialista alemã somente viria a ser reconhecida pelos apaziguadores de Versalhes quando da Conferência de Munique foi celebrado o acordo da mentira, em que toda a Tchecoslováquia (não apenas a região dos Sudetos, como estabelecido no acordo) fora abocanhada pela Blitzkrieg alemã, até que o mesmo fim se estendesse para a Polônia, fim em 1939. (Apesar de o Plano Schlieffen ter sido elaborado em 1905 para uma guerra rápida de dois fronts, em 1914, os preparos de Hitler para a Europa também consistiram numa espécie de “guerra relâmpago” que buscasse neutralizar a frente ocidental, assegurada pela rápida capitulação francesa passando novamente pela Bélgica, para enfim executar o impetuoso Angriff contra o front soviético, na frente oriental).

Mas, dispensando detalhes, tais lacunas não vieram a se manifestar na estratégia militar dos Aliados durante a grande guerra, graças ao gênio de figuras como Churchill e Dwight Eisenhower, na condução de manobras estratégicas como a operação Tocha, Suserano e os planos de ocupação à Normandia no “Dia D”. Contundo, não é possível dizer o mesmo quanto à visão política ao termino das hostilidades alemãs, ainda sob a incondicional resistência de uma das vertentes do Eixo: o Japão. O país se mantinha encolerizado sob o repúdio a qualquer solução pacífica que viesse a implicar numa rendição ou qualquer submissão a quaisquer termos de paz. Nem mesmo é possível dizer com total segurança que os Aliados detinham uma ampla visão estratégica nos anos finais da grande guerra, quando, a guisa de exemplo, o desembarque anfíbio da operação Suserano ocorreu pelo estreito de Gibraltar, na França, e não no Istmo de Istria, no extremo Adriático, dominada por Trieste, na Itália. Esta empreitada faria com fosse aberto um corredor pelo Passo de Liubliana, rumo à Áustria e a Hungria, para o avanço militar à Berlim, fazendo com que os efetivos militares estabelecidos no norte africano, provenientes da Operação Tocha (que sufocou por fim o Afrika Corps do general Erwing Rommel), fossem melhor utilizados na mobilização direta para os países balcânicos, em sincronia com os desembarques na Normandia, como previu a maestria estratégica de Churchill[2]. Isso faria com que os Aliados chegassem a Viena antes do Exército Vermelho soviético (que vinha expulsando os alemães de seu território, batendo em retirada da batalha de Stalingrado) abrindo a possibilidade de semear a liberdade aos países na porção balcãnica do continente, no exercício da soberania de seus respectivos povos, a exemplo das democracias ocidentais. Mas não foi o que aconteceu, já que o general Eisenhower e Roosevelt se sentiram mais atraídos pela operação Dragão[ii] (o desembarque anfíbio na Riviera francesa, ao sul do país, liderada pelo general Wilson). Os chefes do Estado-Maior norte americano se fizeram relutantes em percorrer os Bálcãs para atingir a Alemanha, já que o governo de Vichy, na França, ainda mantinha tropas alemãs no país, cuja resistência se demonstrou tão pífia que seria preferível o envio de tropas diretamente à Eisenhower, como auxílio à operação Suserano na Normandia (“Dia D”), o que não contribuiu em nada para a operação, uma vez que a oportunidade de acertar rapidamente a Alemanha pelo atalho balcânico foi recusado, privando que os exércitos vitoriosos na Itália fossem mobilizados por este atalho, que contaria ainda com a vantagem de uma segunda frente[3]. Os franceses poderiam ter aguardado.

Enquanto o Japão obstinado por manter ilusoriamente seu império do sol, ao passo de que suas esquadras ainda exerciam certo poder de resistência às empreitadas anfíbias dos norte-americanos e em menor grau britânicos, a Alemanha já estava fadada à capitulação dos Aliados dando já por certo a vitória aos mesmos. Ao meio deste epílogo, seria necessário que o teatro de guerra terminasse o mais rápido possível, o que transformou a obstinada resistência nipônica em um impasse estratégico decisivo para os Aliados britânicos e americanos: como obter a rendição definitiva da vertente do Eixo no Pacífico o quanto mais célere fosse possível, uma vez que os objetivos soviéticos se tornavam cada vez mais obscuros ao restante da Europa, por detrás daquela “cortina de ferro” assentada no coração do Velho Continente, aonde a liberdade dos países balcânicos vinha se tornando uma questão duvidosa? Uma resposta absoluta não poderia vir sem que fossem estabelecidos cálculos de ordem política e principalmente estratégica (o que alcança o objetivo deste artigo), sem mesmo desprezar os de ordem moral que vieram a se tornar questionamentos de repercussão mundial depois de Hiroshima e Nagasaki, cujo silêncio devastador e episódio foram, pelas décadas subseqüentes, vistos pelo mundo com estarrecido temor e abomino.

Tal era a situação em que se depararam os defensores das democracias liberais e do exercício da soberania por vias do sufrágio universal, num cenário político decisivo para os norte-americanos abandonarem por completo seu isolamento do continente europeu, o qual marcou quase toda a metade do século XX. Lembrando que as recomendações de George Washington para que a política americana devesse estar longe das intrigas européias, traçada a partir do reconhecimento de sua independência em 1783 e da proclamação de sua Constituição em 1787, marcaram os primórdios do isolamento norte-americano naquela porção continental.

Talvez fosse de grande importância para os Estados Unidos que se colocassem neste isolamento num período que se estendesse do final do século XIX ao início do século XX, uma vez que os interesses voltados para uma delimitação territorial interna seria de fato a principal meta a ser alcançada, pois o fenômeno da supremacia não poderia ser vislumbrada se as bandeiras americanas desfraldassem apenas na costa leste da América (e Hollywood não ganharia prestígio por seus Western movies – que seria de Clint Eastwood, John Wayne e Lee Van Cleef? O cartunista Thomas Nast não teria dado cor e forma, em 1870, à Abraham Lincoln como Tio Sam e mesmo que sim, seria inconcebível que Uncle Sam pudesse escolher os garotos que seriam mobilizados para abafar os estrondos de 1914, com o memorável “I want you”). Mas tudo mudaria a partir de 1918. Tinha que mudar. Já não seria mais conveniente que o governo de Washington se preocupasse apenas com atuações políticas que mesclavam essencialmente interesses comerciais com dosagens de políticas de poder basicamente restritas à Doutrina Monroe e a posições no Pacífico: deveriam considerar seu poder nacional como um todo, e como superpotência, e colocar a Europa nos cálculos de sua influência política para finalmente exercerem seu papel imprescindível na defesa dos interesses ocidentais. A supremacia norte americana já havia se esculpido e seu poder inconteste não poderia mais resumir-se a interesses com restrições meramente regionais, uma vez que a América espanhola já havia a muito se tornado América Latina operando sob engrenagens ainda que primitivamente capitalistas e perceber que o Velho Continente sozinho não poderia levantar-se das cinzas de 1914 e 1939 e resistir ou sequer barganhar contra a máquina de Stalin, que vinha demonstrando com nitidez sufocar o exercício da vontade nacional dos países balcânicos, deixando explícito ou implícito o algoz de que o compromisso com a Revolução Gloriosa não permitiria que ele se contentasse até que uma linha imaginária conectasse Vladivostok à Lisboa.

Embora tais idiossincrasias atemporais (sem mais delongas acerca da inviável retração do poder político norte-americano e dos prelúdios que precederam os acontecimentos que levaram o continente europeu à configuração de forças pós – 1945) sejam meras divagações metonímicas, são pertinências ilustrativas para a compreensão de que o verdadeiro Leitmotiv[iii] soviético nos Bálcãs é apenas uma parte dos planos para o triunfo do socialismo sobre o capitalismo e as democracias ocidentais[4]. A máquina imperial do leste não seria debruçada ali por mera casualidade das circunstâncias e muito menos por oportunidade vislumbrada no teor dos avanços contra os alemães pós batalha de Stalingrado (que Stalin soube muito bem tirar proveito do pretexto de que estaria libertando a Europa do nacional-socialismo na medida em que o Exército Vermelho esganava-se sobre o Leste europeu, até enfincarem suas botas em Praga, a partir do momento em que foram barrados graças aos “malditos” americanos). Todo um estratagema subversivo no exterior já vinha sendo engenhosamente estudado desde 1918, contra a Tchecoslováquia, num golpe de Estado em 1948 que de acordo com Paul Zinner[5], da formação do Partido Comunista Tchecoslovaco, organizado por um grupo tcheco de prisioneiros de guerra, o líder social democrata deste soviete, Alois Muna, seria a ponte humana (junto aos social-democratas Bohumir Smeral e Josef Stivin) para que fossem promovidas agitações a favor do bolchevismo, ao passo que fora devidamente instruído por Lênin acerca da metodologia revolucionária. (Para ver como as instituições democráticas brasileiras foram corroídas pelo germe, ver a obra de Suzanne Labin “Em Cima da Hora” e para compreender como a sovietização de Cuba não acontecera da noite para o dia, que o leitor tenha acesso a obra de James Monhan e Kenneth O. Gilmore, “A Grande Cilada”).

Mais do que apenas jogos subversivos difusos, a verdade sobre o projeto imperial de Outubro de 1917 gira em torno da sovietização universal, o que caracterizava o âmago da razão de estado soviética, a qual não consistia apenas na conversão e submissão mundial ao socialismo (o qual pudesse ser vários à medida que fossem desvinculados da Gestapo, como o Comitern chinês que adotou caminhos divergentes do que esperava o governo de Moscou, a partir de 1923), mas sim na suprema potencialização das vias e vertentes revolucionárias globais de modo que se tornassem conexas a uma aglomeração única e necessariamente vinculada à intelligentsia comunista internacional, sob o ativismo e prontidão de seu QG em Moscou. Isto quer dizer que quaisquer revoluções que brotassem deveriam ser submetidas ao controle direto da URSS, o que explica a III Internacional Comunista ter sido completamente apossada por Stalin (fato que levou Trotsky a criar sua pífia IV Internacional). Dada as dimensões territoriais da Rússia sempre terem sido, ao longo de sua história, de natureza supra-imperiais (tendo em conta o fato de ter o país a maior extensão territorial do mundo), seria logicamente irresistível que suas fronteiras não desejassem conhecer limites na busca de uma expansão constante e implacável por todas as direções possíveis até onde pudessem chegar, sendo, portanto, aquilo que manifestava, ultima ratio, a vontade maior do marxismo-leninismo sobre os auspícios de uma União Soviética robustamente militarizada.

Ipso facto, qual seria então o papel do Exercito Vermelho estacionar-se numa faixa territorial que contornava praticamente todo o Báltico, emendando Rostock (Alemanha) descendo o Mulde e o Elba, pegando a Tchecoslováquia, parte da Áustria e que era recheada pelos Bálcãs, se não fosse a completa e incondicional capitulação da Europa? Que seriam das ilhas britânicas, consideradas a barricada insular do Ocidente, se o Velho Mundo fosse por completo subjugado pelos profetas armados? Seria possível um outro “Dia D” na Normandia ou Gibraltar? Para onde toda a produção daquelas indústrias pesadas da Renânia, da Alsacia e Lorena seriam voltadas e designadas e para onde todos aqueles portos lançariam suas, agora, ilimitadas e incontestáveis esquadras? Mar do Norte? Atlântico? Mackinder pode responder.






[1] FEST, Joachim, No Bunker de Hitler, os Útlimos Dias do III Reich. Rio de Janeiro: objetiva, 2005.
[2] CHURCHILL, S. Winston, Memórias da Segunda Guerra Mundial, Rio de Janeiro, 2ª ed. Editora Nova Fronteira, 1995. p. 944.
[3] Idem, op. cit. pp. 949-950.
[4] CADEMARTORI, Lindolpho, Notícias de Jornal Velho: pacto de varsóvia – a última grande ameaça européia, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2653. Acesso em: 13 mar 2007.
[5] ZINNER, Paul E. Estratégia e Táticas Comunistas na Tchecoslováquia, 1918-48. Rio de Janeiro, Distribuidora Record, 1965. p. 34.

[i] Palavra alemã utilizada no título da película cinematográfica sobre relatos que remontam os últimos dias de Hitler (Der Untergang), que na íntegra significa “A queda”.
[ii] Originalmente denominada como Bigorna, mas alterada como precaução para que o inimigo não pudesse identificá-la.
[iii] Palavra alemã que significa “motivo condutor”, utilizado por Richard Wagner como técnica de composição musical, introduzida por ele em suas óperas.

quinta-feira, 29 de março de 2007

O Mito da Desigualdade Social

A mesma facilidade que o nacional socialismo tinha em ludibriar as massas e jogá-las contra inocentes demonizados, através de discursos encolerizantes ofuscados com versos, símbolos, palavras e gesticulações subliminares, o socialismo e suas vertenes esquerdistas também não encontram nenhuma dificuldade em fazê-lo com a proliferação da pobreza por meio de seus métodos de estatização.

"A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos."

- Thomas Hardy

Resumo: Pelo “beabá” sublime da “desigualdade social” e seu dito combate, facilmente as massas de um país morderão a isca e inconscientemente se comportarão de acordo com as regras do jogo do intervencionismo, estatização e nacionalização de empresas privadas e marchem nas direções apontadas pela esquerda, sob a agitação da bandeira socialista.

Este é um manuscrito de poucas esperanças de repercussão, mas cuja índole conservadora deixará transparente sua pequena marca, impressa dentre outras que refletem a consciência reacionária de não permitir que se alastre desenfreadamente a influência da esquerda política em esferas de uma sociedade, que busca edificar a mentalidade de determinado povo na educação, comunicação e política. Na educação, que facilmente pelo cotidiano da responsabilidade estudantil, torna-se possível a construção do perfil social sob as repetições professorais da ideologização coletivista (cujas mentiras incontestáveis vão desde livros primários às complexas doutrinas de linguagem técnica acadêmica) e no setor de comunicação substancialmente, como veículo direto, voltado para o reforço da “ideocracia” – que conta com o apoio político de burocratas que dão corpo, voz e alma a estas vigas arregimentadas por estes três tendões articulados por uma esquerda que seja predominante em qualquer país, preferindo o Brasil como modelo mais próximo disso.

Uma das mais importantes distorções mentais geradas por esta influência nociva gira em torno do que vem a ser a natureza da “desigualdade social” e principalmente a metodologia acreditada para seu combate. A expressão é capenga até no nome. O termo correto para ela seria desigualdade econômica, já que se trata de um desequilíbrio entre uma parcela da população que não possui a capacidade lucrativa para o devido poder aquisitivo de necessidades básicas e estéticas provenientes de um acesso direto ou indireto ao mercado consumidor de bens e serviços. O acréscimo da palavra “social” à nomenkatura busca apenas sua adequação aos parâmetros ideológicos estipulados e planejados em cada repetição lecionada ou palestrada, informatizada, discursada ou substancialmente ventilada na jurisprudência e na lei de um Estado de Direito assim concebido.

Há de se considerar que os problemas de uma sociedade que giram em torno da pobreza acentuada de um país, devam ser considerados antes de mais nada como problemas administrativos sob o viés da esquerda estatizante e de sua mentalidade missionária. Esta se sustenta nas premissas ideológicas e construtivistas do socialismo massificador, onde o mote da "justiça social" é utilizada para justificar a obesidade estatal (baseada na reprodução desenfreada de estruturas públicas, voltadas para o gerenciamento de políticas sociais e que para tanto o rol de impostos deverá obrigatoriamente ser sempre maior e mais pesado, tendo em vistas a sobrevivência e a persistência deste imperialismo público, resultando no assento e na manutenção de uma burocracia intervencionista).

Não há democracia neste mundo que aqueça sua economia sob a mentira do assistencialismo estatal (baseado nas porcarias keynesianas que endossam esse paternalismo) e seus programas que mimam toda uma população, abocanhando a renda da classe média, de gente que realmente se esforça pelo conforto. Pobreza e miséria não se combatem com mimos, caridade ou assistencialismo, mas sim com a determinação individual em alcançar metas, impulsionadas no forte desejo de lucrar, fazendo do acúmulo de capitais a maior fonte de enriquecimento já existente, pois este direito não pode ser negado ao homem de empresa, ao comerciante, e muito menos ao pobre que irá se mexer para conseguir uma pequena fonte de renda. A história do Sr. Abravanel – o Silvio Santos – e Zezé de Camargo e Luciano, são bons exemplos concretos para esbofetearem qualquer esquerdista e suas sociologias anormais – as mesmas que colocam delinqüentes de volta às ruas em poucos dias e endossam seus perfis e métodos psicopatas na transferência da culpa para caldo social, independente de esquartejadores de crianças, como do menino João Hélio, serem provenientes de berço familiar, possuírem religião e o devido acesso à educação. Mas isso o leitor há de ter estômago forte.

Quão esdrúxulo é alguém dizer que esta chance é negada aos pouco providos, uma vez que a história do povo judeu é repleta destes acontecimentos, sendo interessante observarmos o fato de sempre terem se destacado como grandes comerciantes dispersos na Europa, levando consigo o pesado fardo do preconceito e da inveja, sem nunca terem sido escoltados pelo afago inconveniente de um Estado assaltante (até porque durante séculos nunca tiveram ou precisaram de um para deixarem seu legado). Isso prova como o uso inteligente do trabalho, seja ele uma simples atividade que produzirá um pequeno montante de renda, susceptível de acúmulo, poderá tornar possível que qualquer indivíduo consiga maior bem-estar, combinando a determinação do suor laboral com um mínimo de malícia e perspectiva mercantil, desde que lute para isso. A sociedade européia do século XIX, reconhecida pela fertilidade do capital que tornou possível alastrar a noção de capitalismo, nação e nacionalismo para o restante do mundo através dos vastos e incontestáveis impérios, seria inconcebível sem o estabelecimento de uma classe média e burguesa que buscasse sua ascensão e conforto por vias da determinação individual, perspectiva de mercado e livre iniciativa.

Se para os lunáticos da farsa esquerdista que balbuciam sobre a luta de classes de um profeta comunista alemão, então por que, praticamente, não existem pobres na Noruega, Suécia, Holanda, Finlândia, Suíça, Áustria, Alemanha, Bélgica? Se a maldita profecia da eterna exploração de uma minoria sobre uma maioria deteriorada é inconteste, então o que explica a concepção de sociedades tão férteis nos auspícios da abundância? Caso seja pelos motivos da nauseante ladainha acadêmica e botequeira de uma certa divisão internacional do trabalho (do Norte explorando o Sul) que impede países mais pobres crescerem, então me expliquem qual a vantagem e principalmente a lógica de países capitalistas, que funcionam rapidamente sob as poderosas e dinâmicas engrenagens da economia de mercado, buscarem suprimir outros mercados menores ou deteriorar suas bases para a dita manutenção de suas riquezas, sendo que as vantagens são percebidas por ambos os lados, seja pelo fornecimento de matérias primas ou pela absorção tecnológica que modernizam a infra-estrutura de um país em desenvolvimento? É puro charlatanismo daqueles que levantam o dedinho professoralmente para soltar diarréias verbais que não se apóiam em outros fundamentos senão naqueles chavões populistas de poucas palavras, os quais as massas parecem gostar de ouvir e se fazerem capachas. Foi com a absorção do raciocínio e das metodologias do capitalismo empresarial que hoje China, Índia e outros países podem ser chamados de "Tigres Asiáticos", da mesma forma que o Japão absorveu as novas concepções ocidentais na Restauração Meiji, sob o forte conservadorismo de suas tradições e costumes.

A luta contra a pobreza só poderá ser eficaz com o encorajamento do instinto natural do Homem e sua eterna busca pelo conhecimento, poder e glória, sendo o poder elemento inseparável do seu relacionamento social e imprescindível para a compreensão das relações humanas. A natureza humana é fundada na disputa, no desejo de desbravar, conhecer, inventar, criar e competir. Foram estes corolários que contaram a História da humanidade e, mais especificamente, que fizeram da Europa o Velho Continente culturalmente rico e irradiante; que tornaram plausível a indagação de por que o Ocidente venceu; que fizeram da Grécia antiga o primeiro espetáculo ocidental e Roma a primeira civilização universal; que transformaram a Grã-Bretanha na "oficina do mundo" e que edificaram as bases do maior fenômeno cultural desde os tempos da iluminada Roma, os Estados Unidos da América. Negar estes corolários ou suprimi-los na substituição de seu curso natural por uma instância politicamente institucionalizada é simplesmente bater contra a História e o próprio Homem por ela observada, restando apenas a desconfiança de que esta supressão não é feita ocasionalmente pelo acaso, mas meticulosamente deliberada por uns poucos que pretendem o alcance ávido por poder político (eu lhes apresento a esquerda). É o que torna o mito da desigualdade social apenas uma ferramenta para que este propósito seja concretizado.

Como exemplo hipotético desta verdade, peguemos uma das republiquetas latinas americanas (sem dinheiro no bolso) como objeto de avaliação. Digamos que um corso silvícola boliviano na presidência de seu país remoto nacionalize todas as empresas estrangeiras que ali em seu território fornecem emprego, proporcionando mais renda para a maximização do consumo em sua diminuta economia, alegando sob o ranço de que elas estariam ali para a "colonização" de seu país. O corso irá afastar grande parcela dos investimentos externos por não haver qualquer credibilidade por parte de seu governo tribal, fazendo com que sua dependência praticamente absoluta do estrangeiro seja compensada por acordos bilaterais entre outros líderes menos capacitados que apóiam suas medidas desordeiras, favoráveis a estatizações que serão devidamente mantidas pelos fraquejados investimentos governamentais, culminando num parque industrial inexistente e numa infra-estrutura capenga. Daí haverá dois caminhos únicos a serem comedidos: ou o cacique abra mão de suas idiotices políticas e rebole para os investidores externos acreditarem que ele agora tomou juízo, ou então mantém sua agenda ideológica, arrastando seu país e sua população ao estado vegetativo da pobreza e miséria. Se adotar o primeiro caminho ele será taxado de direitista asqueroso e servente do "neo"liberalismo a serviço do imperialismo de Washington, pelo próprio povo já escravo de sua mentalidade corrompida pela maquinação do coletivismo ideológico, bem como seus vizinhos que ficariam bastante desapontados com seu giro cento e oitenta graus.

Mas ele faz parte do Foro de São Paulo como participante ativo das sessões que colocam em pauta a agenda da integração regional, sob os estandardes do socialismo que polarizam inúmeras vertentes na forma de organizações como o MST e as FARC, contando ainda com o maciço apoio do Eixo Carácas-Havana-Brasília e, portanto, optará pela segunda via. A maciez com que o governo petista tratou a nacionalização boliviana, em mesmo endossar a medida, comprova seu lugar junto à gangue. Contudo, diga-se de rápida passagem que o Brasil perdeu uma grande oportunidade para demonstrar seu poder e liderança no continente sul americano. Uma mobilização de efetivos militares contra o pífio poderio da nação boliviana faria com que o governo brasileiro ganhasse o devido respeito externo de que nós estaríamos dando os primeiros passos para a responsabilidade de um país sério, compromissados com os interesses da nação, sejam eles de qualquer natureza. Somente um governo realmente de direita conservadora poderia arcar com tal compromisso, já que é seu mérito raciocinar prudentemente dentro dos cálculos políticos, na lucidez de que o poder não é o fim em si, mas seu objeto de estudo e prática.

No entanto, a opção boliviana de afundar o próprio país garantirá um enorme turbilhão de miseráveis e desta forma incitar convulsões sociais, gerando a desestabilização ideal para manobrá-los contra a ordem, no intuito de transformar toda a América Latina numa maquete do caldeirão borbulhante que é hoje a Venezuela. Como Evo Imorales conseguirá erradicar a fadiga da pobreza de seu povoado, intimidando a confiança do homem de empresa e do investidor externo, uma vez que seu país praticamente não se locomove sem o provimento de alguma coisa que venha de fora? Para a revolução continental, a pobreza é um bom negócio, mas de qualquer forma, a venda de coca em larga escala parece ser um bom negócio, ainda que destrua centenas de vidas saudáveis e as lance para o nada.

A esta altura a justificativa do gasto público como salvação já está bem batida e no caso do Brasil, o assalto tributário às classes médias e de alta renda são exclusivamente para a manutenção das práticas de estatizações e monopólio governamental na prestação de bens e serviços. Mas se é pela "justiça social" então está correto. No Brasil isto é bem aguçado, lembrando que a propaganda petista a poucos dias da infeliz reeleição reforça esta realidade: "não vamos permitir que eles (PSDB-PFL) privatizem mais nenhuma empresa do povo". É claro, a "empresa do povo"; somos uma democracia certo? Democracia é o "governo do povo", certo? Então viva os impostos, tributarismo, intervencionismo. Está tudo certo, pois será tudo feito pelo social, pela igualdade social, pela justiça social (por que não inventaram ainda o "aquecimento social"?). Desculpem-me, mas não sou pato sentado. Há mais enxofre no nosso Estado de Direito do que qualquer flatulência marxista pode liberar.
Contudo, espero que a "mão cabeluda do imperialismo Yanque", como alucinou Hugo Chavez, mostre o quão esta esquerda farrista se apóia em moralismos abstratos para ludibriarem e, então, manipularem os pobres que facilmente identificam de pronto a linguagem simples e sublime dessas bocadas virulentas, para então atirá-los contra a ordem e os símbolos da prosperidade. Hugos Chavez, Fidelgos, Devils Morales, Lulas, PTs, "Sáderes", Chauís, Foros de São Paulo, Foros Sociais Mundiais, MSTs, políticas sociais, assistencialismos, toda a turma e suas camisetas da hora necessitam da gula do poder pelo poder. Para consegui-lo vendem a falsa propaganda do paraíso da igualdade de fato, disseminando a miséria sob suas bandeiras sublimes do socialismo e suas práticas administrativas, para então manipularem os massificados dentro da ciranda cirandinha do populismo. Sem miséria não há farra, não há manipulação, não há Estado intervindo, não há estabelecimentos públicos, não há Estado Máximo, pois dificilmente um povo realizado pelo mérito, pela satisfação individual (e, portanto coletiva), não será socialmente frustrado ou mentalmente deteriorado a ponto de que seria mesmo impossível um charlatanismo populista desfraldar-se e fazer uso da massificação para direcioná-los contra a ordem. A consciência individual bastará para colocar por baixo a agitação populista e pouco se motivará a ceder-se às paixões inflamadas do coletivismo idealista.

Isso explica porque a nacionalização de empresas e refinarias, a estatização da prestação de serviços e de atividades produtivas em setores estratégicos de uma economia e todo o monopólio de tudo o que for declarado como de interesse social pela lei, está vinculada a esta vontade de poder manifestada pelas esquerdas. Sem apoio das massas não há como realizar este projeto de poder esquerdista: por isso a doutrinação socialista é tão eficaz na criação de uma moralidade que retribua seu apoio consciente ou inconsciente para o estabelecimento deste projeto, seduzindo as massas pelo seu conteúdo e sua linguagem encolerizante que simulam ideais de justiça, de liberdade, igualdade, fraternidade e verdades absolutas, fazendo com que esta doutrinação seja enxergada e aceita de fato como fonte moral. Por fim, as outras minúcias serão preenchidas no governo. (Enquanto os livrecos primários demonizarem o capitalismo para crianças que acabaram de aprender a escrever, não há de se espantar quando acadêmicos se tornam ovelhas negras em universidades como a USP).

O leitor por um instante poderá encarar o texto com também charlatão e pouco imparcial, mas creio que uma sóbria reflexão poderá levá-lo ao discernimento da desinformação panfeltária de esquina, de uma argumentação consistente a que o autor presta-se na tentativa de fazer, ou seja, deixar claro que a esquerda usa a mascara da “desigualdade social” para gerar a própria “desigualdade social” como meio eficiente para a satisfação de seus objetivos subversivos. Ela depende da agitação em torno de abstrações sustentadas em nomenklaturas “sociais”, tendo as massas desestabilizadas e frustradas como objeto de manobra ao vender sonhos ilusórios de prosperidade e bem-estar coletivo: tudo como ingredientes primordiais para seu deleite na embriagues do êxtase de governar por meio de projetos leis, desapropriações, estatizações e tributos. Desvincular a manipulação da expressão "desigualdade social" pelas esquerdas políticas e de qualquer outra justaposição de palavras derivadas da terminologia “social” para efeitos morais e ideológicos, ludibriando a crença da erradicação da pobreza por meio de gastos públicos, seria o mesmo que, matematicamente, querer dividir por zero na busca de algum resultado.

Não é difícil perceber que a esquerda educa muito bem. E pelo adestramento do “beabá” sublime da “desigualdade social” e seu dito combate, facilmente as massas de um país morderão a isca e inconscientemente se comportarão de acordo com as regras do jogo do intervencionismo, estatização e nacionalização de empresas privadas, marchando nas direções apontadas, sob a agitação subversiva da bandeira socialista.

terça-feira, 27 de março de 2007

Hiroshima e Nagasaki: duas cidades que salvaram o mundo – Parte I


Antes mesmo do Pacto de Varsóvia, a União Soviética demonstrou o que sua inequiparável inteligência comunista seria capaz para colocar de joelhos a velha civilização européia e todo o mundo.



Resumo: Stalin sabia antecipadamente do ataque alemão, em 1941, e escancarou as portas da Rússia soviética como parte do projeto de preponderância sobre todo o continente europeu.


Aonde tudo começou

Hiroshima e Nagasaki; seis e nove de agosto de 1945 não poderiam ter ocorrido sem que eventos muito anteriores se consumassem há três décadas atrás (exatamente 32 anos): seis e nove de agosto daquele ano não poderiam lamentar o mundo sem outubro de 1917. O lugar? Rússia.

Sob uma perspectiva histórica e secular de que esta autocracia, então czarista, sempre fora apresentada ao mundo como um gigantesco locus de serventia e autoritarismo, como conseqüências naturais provenientes de sua formação e desenvolvimento histórico, ao meio de histerias e convulsões que sempre temperaram a constituição de seu corpo social, próprias de seu processo de existência no qual dera forma a suas proporções físicas bizarras.

Tomando-se pela perspectiva de que a Rússia sempre se constituiu num recinto de anomalia política (moldada por sua história conturbada), temos que o período percorrido de 1917 a 1991, nos fornece a prova concreta de que ela alcança a verdade. Pois ao observarmos este percurso lastimável que obscureceu as luzes do século XX, resta apenas atestarmos outra verdade que deriva da primeira anterior: a de que acompanharam o nascimento e a morte de uma das maiores perversidades parida da História mundial, cuja índole fora maturada pelos séculos de sua existência e edificada a partir de seu único corolário cultural e única tradição da qual pudera caminhar e moldar seus caminhos: a barbárie.

A este autor caberá nas próximas entrelinhas fazer uma exposição de cunho acadêmico e científico sobre os aspectos históricos daquela que veio ao mundo como um tumor, um câncer para as gerações de seu tempo, cujos efeitos foram sentidos pelas gerações subseqüentes (e ainda o são), ao dela brotar sua cria responsável por condenar sociedades inteiras à perpetuação de suas mazelas. Eis o comunismo, eis a história de um desastre político, eis o fruto desta colheita.

Eis o que foi, sem nenhum remorso de seu fracasso hediondo, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.



O homem sábio de neanderthalensis

Stalin foi mais consciente das necessidades exigidas para o desenvolvimento e mesmo a sobrevivência da loucura que foi o desastroso fenômeno da URSS, do que qualquer outro plenipotenciário soviético poderia ser. Ele não dotava da sagacidade intelectual de Winston Churchill (e muito menos de sua elegância e postura), mas sabia do que suas repúblicas socialistas e a agenda revolucionaria mundial precisavam naquele momento: a chance das animosidades revolucionárias triunfarem era aquele ao meio das convulsões que abalaram as economias das democracias liberais do ocidente, na Primeira Guerra Mundial e no crash de 1929.

Não poderia haver outra oportunidade. A URSS não poderia projetar-se como potência mundial se preferisse optar por um planejamento gradualista bukharinista[i] (como o economista socialista polonês, Oskar Lange, acreditava equivocadamente ser o melhor caminho a direcionar os Planos Qüinqüenais soviéticos). O longo prazo não era uma opção, pois a União Soviética teria que deixar de ser uma fazenda feudal para se tornar uma senhora da guerra, da noite para o dia, no curto prazo: pela reprodução desenfreada e aleatória de indústrias pesadas e pela exaustão das próprias massas camponesas (donde o regime dos Gulags[ii], entre 1918-56, e as políticas de confisco e deportação eram reflexos dessas premissas).

Ela precisava se embrutecer rápido, aproveitando o momento de fraqueza do ocidente (isolado da política americana até 1944, sem levar em conta a intervenção militar em 1917-18). Isso nunca escapou aos olhos de Josif Stalin e, para seus fins algozes, nem poderia. Com o ocidente agonizando no período de convulsões acarretadas na crise de 29, num cenário que proporcionou, ainda, a ascensão do facismo na Europa, as crises nacionalistas dos países na cordon sanitaire (ou cinturão de quarentena, como ficou conhecido o fiasco do remapeamento europeu pós-1918, aos moldes dos quatorze pontos de Woodrow Wilson, na tentativa de isolar a ameaça soviética com a criação de estados não comunistas, na região dos bálcãs) criados com o desmembramento das Casas da Áustria-Hungria, do Império Otomano e do II Reich alemão (quando um “corredor polonês” colocou a prússia oriental fora da Alemanha, seguida de uma ocupação na Renânia), os aplausos calorosos ao Destino Manifesto como presságio para a substituição do modelo capitalista, as ondas revolucionárias subseqüentes à tomada do Palácio de Inverno, naquele outubro de 1917, somando-se à introspecção política americana e a saída ilesa da URSS dos efeitos da Depressão de 29, a conturbação internacional das primeiras décadas do século XX foram imprescindíveis para a formação do status de superpotência da União Soviética, pois criaram um political enviroment ideal para a projeção de seu poder marcado pelas décadas do pós guerra de 1945.

Josif Stalin não perdeu seu cometa; seu pedido fora realizado. Uma das primeiras medidas empregadas de caráter externo, foi a apropriação absoluta da III Internacional Socialista, para que as revoluções estourassem com algo que as vinculassem ao seu QG principal, Moscou. A abolição da Nova Política Econômica (NEP) para dar espaço aos Planos Qüinqüenais instituídos por ele, em 1928, pode ser entendida como uma projeção para as políticas da autocracia administrativa. No campo criaram-se, pelo confisco de terras, as kolkhozes e os sovkhozes, ou cooperativas agrícolas e enormes fazendas estatizadas, respectivamente. A industrialização teria de ser forçada a todos os limites, sem muitos entraves, pois a indústria de capital era o coração da produção bélica necessária para a escolta dos objetivos externos

Se Moscou precisasse de um outro QG para a revolução, este deveria ser Berlim, como sempre teve em mente, desde o princípio, Vladímir Ilitch Uliânov, Lênin. A Europa nunca tivera pouca importância para a Rússia (que sempre desejou para a região balcânica sua imagem e semelhança). A “uRssia” não poderia perder isso de vista; o velho continente era seu principal objetivo.



Kanem

A sodomia soviética para com o mundo pareceu fantasiosamente por muitos anos tentar de uma forma grosseira e atroz, equiparar sua torpeza abominável aos mitos wagnerianos das culturas e tradições nórdicas medievais que remontam os bárbaros e os deuses do Valhalla, bem como os heróicos cavaleiros destemidos sob os épicos cenários das montanhas e florestas folclóricas alemãs. Tudo pareceu dar forma a uma frustração impetuosa sustentada numa gana mortífera por uma verdade universal que perdurasse até o último suspiro da História: a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas desejaram em si o retorno da Kanem[iii] para seus domínios e revitalizar em sua razão de estado aquilo que fora o mais perdurável vasto império aos olhos da História. Mas para que se compreenda as origens deste espetáculo totalitarista é necessário antes conhecê-lo como parte de um projeto muito bem arquitetado desde Outubro de 1917, mas realmente executado a partir de junho de 1941, quando o avanço alemão contra as fronteiras da Rússia soviética nos revelaram a face de Um Stalin Desconhecido[1] – cuja obra de Zhores Medvedev nos revela a verdadeira face daquele homenzinho levado e malicioso que já sabia o bastante e sobretudo a tempo suficiente sobre as mobilizações de Hitler nos Bálcãs, muito bem informado pelos relatórios de seus oficiais do Kremlin. Stalin sabia de tudo e ao invés de mobilizar suas reservas estratégicas e colocá-las em prontidão ele tinha algo melhor em mente: escancarar as portas da Rússia para o Angriff (ataque) alemão. Mas por quê? Para a concretização do projeto de preponderância suprema sobre todo o continente europeu, em sua integridade (e consequentemente sobre todo o mundo).

A partilha da Polônia em 1939 e ainda os acordos comerciais e políticos entre Stalin e Hitler pareciam aos olhos do observador da II Grande Guerra que a Alemanha havia adquirido uma significativa vantagem sobre os soviéticos, dado o fato de que a credibilidade de um regime facista como o nacional-socialista, não se esforçaria muito por manter a Pacta Sunt Servanda (os contratos devem ser respeitados) de clausulas de qualquer natureza política, onde definitivamente a Rebus sic Stantibus seria a regra (se tudo permanecer igual). Ao passo de que o observador distraído se engana acreditando na ingenuidade dos Ivans ao se mostrarem indiferentes às duvidosas concentrações de forças alemãs na Polônia (rumo à Cracóvia, nos montes Cárpatos), o mínimo exigido pelo governo de Londres seria um mínimo de preocupação. Mas por que Hitler, então, ordenaria uma maciça mobilização de tropas da Frente Ocidental (já devidamente subjugada com a capitulação francesa após o rompimento da ridícula defensiva posicionada na Linha Maginot), após os fracassos da Operação Leão Marinho – desembarque anfíbio, sobre o Canal da Mancha, contra a península britânica em julho de 1940, remontando as mesmas pretensões do Almirante Medina da Espanha, em 1588, e Napoleão Bonaparte até ratificar o Decreto de Berlim, em 1806, o famoso “bloqueio continental”? Hitler adiou a operação no Mar do Norte sem jamais voltar a empregá-la, embora mantivesse Londres sob pesados bombardeios (liderados pela aviação de Görig) o que lhe permitiu manter os britânicos devidamente afastados da Normandia (norte da França), o que criou a oportunidade mestra para que seus planos já a muito reservados para a Frente Oriental, pudessem ganhar atividade, cujos preparativos ganhou o nome de Operação Barba Roxa: invadir a URSS. Desde que Hitler subiu ao poder em 1933 (ocupando a chancelaria do Reichswehr), a Alemanha vinha se engajando segundo planos que fossem condizentes com a estratégia de uma guerra célere, portanto seus sinais já poderiam ser reconhecidos pela inteligência soviética antes mesmo de 1939 (ainda mais que o Plano Schlieffen de 1905 fora, de certa forma, readaptado na estratégia de guerra alemã). Um incidente ocorrido na Iugoslávia, quando o país deixou a neutralidade para se juntar aos britânicos, a Operação não poderia ocorrer no mês de maio, o que forçou a paralisação temporária da Barba Roxa para que aquele país fosse ocupado. No entanto, uma vez conquistada a fácil vitória, os efetivos militares logo tornariam a seguir seu rumo à Cracóvia. Mas o que a ingênua União Soviética fazia que se manteve indiferente aos claros movimentos do exército nazista? Debaixo dos tapetes do Kremlin, Stalin se fez de macaquinho cego, surdo e mudo.

Diferentemente do Tratado de Brest-Litovisck, de 1917, o Tratado Ribbentrop-Molotov[2], de agosto de 1939, substancialmente um acordo de não-agressão firmado entre a União Soviética e a Alemanha, não tinha como objetivo o alcance de uma paz fosse estabelecido num período de dez anos (como consta no artigo VI do Tratado), mas algo que, aos olhos do observador atento, serviu apenas como o maior pretexto de Stalin para entregar à Hitler um convite absolutamente irresistível para uma invasão contra o território russo. Façamos uma análise do tratado e veremos como ele foi estabelecido para favorecer tamanha vantagem para o ditador facista, a começar do artigo I em que “os contratantes se obrigam a desistir de qualquer ato de violência, qualquer ação agressiva, e qualquer ataque um contra o outro, tanto individualmente como juntamente com outras forças”. Tão vago quanto uma linha de raciocínio que tem começo, mas não tem meio nem fim e principalmente, desprovido de quaisquer restrições por parte do governo de Moscou, num cenário em que nada poderia estabelecer limites ao poderio alemão, resumindo-se apenas em estipular que disputas ou conflitos levantados entre as duas partes deveriam ser solucionadas amigavelmente (constante nos artigos VI e V). E um outro ponto gritante se faz no momento em que Hitler redireciona suas divisões para a Polônia, depois de ter ocupado a Iugoslávia que havia declinado sua neutralidade para o lado dos britânicos. Se um acordo de não-agressão é firmado entre dois países, se faz perfeitamente clara a pretensão de não respeitá-lo a partir do momento em que um dos lados estaciona tropas e divisões em perímetros próximos das fronteiras demarcadas pelo outro, pois como se faz latente o artigo II do “Protocolo Adicional Secreto”, “na eventual reorganização territorial e política nas áreas pertencentes ao Estado da Polônia, as esferas de influência da Alemanha e da URSS deverão ser ligadas pelas linhas dos rios Narev, Vistula e San”, onde um bild-up de forças na cidade de Cracóvia significaria sim o desejo de avanço (algo que em torno de 120 divisões, estando inclusas 17 divisões blindadas e outras doze motorizadas, mais seis divisões romenas, somando outras 26 divisões na reserva, gerando um total aproximado de 150 divisões apoiadas com quase 3.000 aeronaves, podem ser considerados como um verdadeiro entulho intimidador de recursos militares, como testemunha Winston Churchill[3] em suas memórias).

O urso não poderia resistir ao pote de mel entregue aberto e por isso o Führer e nem mesmo Churchill poderiam tomar conhecimento da trama soviética ao meio de tantas preocupações militares e estratégicas. A violação da Linha Mannerheim (Finlândia), em 1938, que acarretou a expulsão da URSS da Liga das Nações deixou bem claro os interesses belicosos sobre a Europa (alertando as posições alemãs) e o esquartejamento da Polônia serviram apenas como maquiagem para a maliciosa ingenuidade soviética, já que desde a Primeira Guerra Mundial (e desde sempre) a Alemanha esteve ciente dos interesses da Rússia em ceifar os Bálcãs, assim como Stalin sabia perfeitamente que Hilter reservava planos de guerra de duas frentes, pois 1939 não poderia estrategicamente ser diferente de 1914 para os alemães, uma vez que a predominância de seu poder inconteste na Europa dependeria do sucesso total do exército nazista estrangular novamente a França e em seguida, von der Mass an die Memel[iv], rumar para Cracóvia[v] e de lá arregimentar uma ofensiva contra a União Soviética (sob o raciocínio estratégico lógico de que mais cedo ou mais tarde ela abocanharia toda a região balcânica). E por que oferecer tamanho sacrifício por parte dos soviéticos? Para que os exércitos de Hitler se esgotassem na Frente Oriental e Stalin pudesse contra-atacar com o Exército Vermelho e subjugar toda a Europa, as custas do apoio britânico que logicamente seria oferecido à União Soviética por agora lutar pela queda nazista (onde a retirada dos alemães da Batalha de Stalingrado representou o clímax do projeto soviético – momento em que utilizaram do contra-ataque para expulsá-los de seu território e penetrar maciçamente na Europa).

Mas por que então sacrificar parte da fronteira russa, na Frente Leste, para depois utilizar de uma contra ofensiva para a ocupação da Europa e não simplesmente poupar recursos e estruturar logo uma empreitada contra o leste europeu? Antes de qualquer jogada impetuosa, o necessário durante os primeiros anos da guerra para os soviéticos seria primeiramente a cautela – a Rússia soviética tinha a consciência de que seu território contava com a importante defesa natural de seu inverno rigoroso (o mesmo que massacrou as tropas de Napoleão). Ela daria uma vantagem defensiva imperiosa ao lado da assistência britânica e cumpriria sua parte no desgaste da ofensiva nazista. Portanto, aquilo que se constituía o pilar mestre de todo o projeto de sovietização do continente, baseava-se em cinco estágios fundamentais, sustentados nas premissas que viriam a:

I) oferecer à Alemanha a vantagem da vigência de um tratado de não-agressão entre o comunismo e o facismo, na consciência de que ele seria inevitavelmente rasgado pela primeira mais cedo ou um pouco depois, assim que os britânicos se retirassem da França (em Dunquerque) e a França fosse por ocupada por completo (estabelecendo o governo de Vichy);

II) dar segurança à Hitler de que seu plano para uma guerra de duas frentes seria mister para a preponderância do III Reich, fazendo-o acreditar que a qualquer momento o gigante do leste poderia mobilizar um maciço ataque contra os países balcânicos, fazendo uma pequena refeição militar na Finlândia, atravessando o Istmo de Mannerheim, como um falso sinal desta iminência;

III) aguardar à espreita o momento decisivo, pois que as divisões Panzer e a Luftwaffe ainda detinham a preponderância de fato sobre toda a porção territorial que rodeava a Alemanha e um embate direto naquele momento do auge da Blitzkrieg, até 1941, acarretaria no gradativo e consistente desgaste de recursos e efetivos soviéticos, o que resultaria numa União Soviética esgotada e estéril, mesmo com a consecutiva assistência externa dos britânicos;

IV) aproveitar dos erros estratégicos de Hitler[vi] e do seu golpe então desferido contra a Rússia soviética que por conseguinte incitaria a inevitável e imprescindível suporte britânico marítimo via Ártico, com destino à Murmansk e Arcangel, e terrestre no Oriente Médio via Teerã, sem os quais os Ivans não poderiam conter o avanço nazista na Batalha de Stalingrado (a cidade não resistiria e Hitler daria as mãos ao império do sol japonês, interligados por um imenso corredor asiático);

V) utilizar, finalmente, o pretexto da promessa de libertação da Europa do expurgo nazista, na medida que o Exército Vermelho desfilasse por todo o continente, empurrando o exército alemão até onde pudessem (que graças aos americanos foram barrados no coração da Europa, em Praga).

Este foi o primeiro plano mestre edificado contra a velha civilização; o segundo fora mais escancarado e ganhou o nome de Pacto de Warsóvia. Quanto ao primeiro, numa acepção ilustrativa, no xadrez por entre suas infinitas propriedades e estratégias, o sacrifício de uma peça significa um convite ao adversário a capturá-la como uma isca, para que mais a frente seus efeitos nas próximas jogadas possam mudar completamente o jogo a favor daquele que maliciosamente colocou sua unidade guerreira à mercê da capitulação irresistível. A Europa foi este tabuleiro e Stalin se revelou um verdadeiro enxadrista, quase na pele de um Kasparov totalitário. E foi ao meio de jogadas mirabolantes e com um sacrifício arquitetado e impressionantemente malicioso que a Kanem desejava retornar e desta vez para nunca mais ser esquecida, ainda que fosse encarnada no comunismo embrutecido da Gestapo, que maliciosamente trabalhou para que ela pudesse ser acolhida sob o novo deleite rubro. A Kanem Soviética veio para ficar e expandir-se na avidez de fazer penetrar as veias de seu tecido grotesco em cada porção continental que pudesse se alastrar; em cada território e em cada sistema político que pudesse atrofiar para que neles fizesse circular o sangue comunista.

[1] MEDVEDEV, Zhores A. Um Stalin Desconhecido, Rio de Janeiro: Record, 2006.

[2] Traité Ribbentrop-Molotov, disponível em: http://www.letton.ch/lvribent.htm, também disponível em: http://www.geocities.com/iturks/html/ribbentrop_molotov_pact.html. Acesso em: 02/04/2007.

[3] CHURCHILL, S. Winston, Memórias da Segunda Guerra Mundial, Rio de Janeiro, 2ª ed. Editora Nova Fronteira, 1995. p. 530.

[i] Nikolai Ivanovich Bukharin, revolucionário bolchevique e mais tarde político soviético, formulou princípios econômicos para a União Soviética, como a Economia de Etapa de Transformação, em 1920. Foi caracterizado por seu gradualismo no planejamento da economia ao criticar o crescimento soviético acelerado na época.

[ii] Campos de concentração para trabalhos forçados de criminosos e opositores ao regime stalinista (é comparado aos campos de concentração nazistas).

[iii] Império africano que durou mais de seis séculos.

[iv] “Do Meuse ao Memel”, trecho do hino alemão Deutschland über Alles numa exaltação desses dois importantes rios da Europa.

[v] Talvez se Hitler dotasse de uma visão estratégica ampla ele teria reconhecido o suicídio que seria combater em solo russo, sob o horripilante inverno que derrotou Napoleão, bem como se inteiraria de que sua invasão atrairia a decisiva assistência dos ingleses.

[vi] Pois desgastar seus recursos aéreos com bombardeios em Londres pouco abalaram o poderio inglês perante as forças alemãs. A Inglaterra, sozinha na guerra, não detinha ainda o staff militar necessário para uma efetiva empreitada anfíbia (de desembarque de tropas) em terreno hostil, em algum lugar da França ocupada, por isso não seria razoável que antecipasse o Dia D.