quarta-feira, 18 de abril de 2007

A Vanguarda Setentista Brasileira


União Democrática Nacional: a efêmera UDN foi o único partido verdadeiramente conservador com o qual a República brasileira pôde contar em sua história.





Resumo: Essa tirania militar foi assim taxada justamente porque foi ela a se posicionar de frente à subversão quando as tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas, em 31 de março de 1964, em defesa desses estratos sociais, das tradições e valores judaico-cristãs, do patriotismo e da ordem.


De fato fomos conquistados nas décadas daquele breve século XX, uma conquista sem guerra, no momento em que o Brasil abriu suas portas ao comunismo ao meio daquele cenário de crise política marcada desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961 e com a posse do vice João Gulart naquele mesmo ano. Com todo o cenário político brasileiro abarrotado, não houve melhor momento para a organização das camadas populares e de trabalhadores se mobilizarem, em plenas animosidades armamentistas da "Guerra Fria", alimentada pela passageira URSS (ver "Um Stalin Desconhecido" de Zhores Medvedev, cuja documentação revelada pelo autor mostram este louco já preparava planos de preponderância sobre toda a Europa - logo, planos de preparo para a "Guerra Fria" - já em 1941, quando a Alemanha invadiu a Rússia). Como ficariam os estratos sociais brasileiros que sustentavam a caminhada para prosperidade da sociedade, revestidos pela classe média, pela classe empresarial e pelo Cristianismo católico? A intervenção da União Democrática Nacional (UDN), juntamente com o PSD, veio como contrapeso às ameaças de uma sovietização brasileira, assombrada pela iminência de um golpe comunista no país e evitar sim, que o Brasil se tornasse uma maquete soviética nos modelos de Havana, Praga, Varsóvia ou Pyongyang. A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” de 19 de março de 1964, foi a mais autêntica manifestação contra a subversão comunista no Brasil e não escondia as profundas insatisfações geradas pelo governo de Jango, o responsável por abrir brechas às camadas embriagadas pela promessa do paraíso socialista propagada por Moscou.

A conservação da ordem exige sim autoridade e vigilância. Foram estas as premissas aderidas pelo governo militar iniciado por Castelo Branco, em 1964-67. O turbilhão agitador demonstrava força e intrepidez iam de greves, agitações e paralisações de fábricas, cujos métodos coordenados pelos estudantes idealistas da UNE incluíam assalto a bancos e seqüestros a embaixadores. A formação de grupos guerrilheiros (partisans), como o MR-8 e a ALN foram extremos estabelecidos no seio da sociedade brasileira.

Não é preciso muito esforço para compreender a conquista da mentalidade de jovens e idealistas brasileiros durante essas décadas. Os países da América Latina em geral foram países que festejaram e aplaudiram desde 1917, a Revolução de Outubro (Fevereiro no calendário russo) dos bolcheviques sobre os czares. Não apenas países latinos, como também foram calorosamente aplaudidos mundialmente: todos os países industrializados destinados à prosperidade, ou pelo menos a caminho dela, foram estremecidos, onde quer que houvessem trabalhadores (unidos pela profecia de um paraíso marxista em substituição integral ao capitalismo). No caso do Brasil, esse mesmo sonho não poderia deixar de incitar, instigar e impulsionar grossos contingentes populares a marcharem (e guerrilharem) contra a ordem capitalista e a paz social. Extremos pedem extremos, portanto os Atos Institucionais devem ser enxergados como medidas de contraponto (baseadas na autoridade e vigilância) aos ímpetos subversivos das massas ludibriadas pela propaganda do comunismo soviético.
Hobsbawm que retire suas palavras ao inocentar a União Soviética do espírito de cruzada na Era dos Extremos, ainda que em 1962 o mundo estivesse à beira da catacumba nuclear por iniciativa dos soviéticos, por aqui toda uma geração brasileira a contemplaram como o milagre do século e se lançaram ao “Destino Manifesto”. Apenas uma pergunta absurda: seria correto que toda uma sociedade em seus estratos sociais permanecesse estática, inerte e moribunda em estado de temor, sem a escolta de ninguém ou qualquer coisa que lhes pudessem oferecer proteção, abandonadas à mercê de revolucionários incendiários? Essa tirania militar foi assim taxada justamente porque foi ela a se posicionar de frente à subversão da vanguarda setentista brasileira, cuja arte era o comunismo, quando as tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas, em 31 de março de 1964, em defesa desses estratos sociais, das tradições e valores judaico-cristãs, do patriotismo e da ordem. Se foi ela uma ditadura ou não, agradeçam pelo Brasil não ter se tornado ontem um satélite alinhado à União Soviéitca e hoje uma Cuba, Venezuela e Coréia do Norte juntas.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

É a História, imbecil


Black Panther Party: com a incitação ao racismo negro na administração petista, não estará longe de vermos no Brasil a edificação do nacionalismo das camadas de cor da população que são a imensa maioria. A estratégia é política e visa o mesmo ativismo, no longo prazo, do movimento sem terra na sociedade brasileira.



“A reação de um negro, de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural(...)”;
”Acho melhor ter brancos ressentidos, mas negros dentro da faculdade, do que ter branco feliz e negro fora da faculdade”;

- Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilda Ribeiro, do Partido dos Trabalhadores.



Resumo: Não se contentando em manipular conceitos morais os militantes socialistas agora querem controlar o testemunho imparcial da História, para inseri-la em suas jogatinas populistas.


Para onde vai a História?

História, seu testemunho ao longo dos séculos são indelegáveis, irrenunciáveis e imprescritíveis. Que o mundo sempre carregara o ranço da escravidão, isso é verdade. Mas, quão absurdo é vermos sua imparcialidade ser desrespeitada pela manipulação ideológica do racismo como pretexto para a perpetuação da incriminação daqueles que vieram ao mundo com o pigmento que lhes deram uma pele clara, em qualquer época, em qualquer lugar. Bem, o brilhante historiador Ricardo Luiz Silveira da Costa mostra, a guisa de exemplo, que A Expansão Árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai, entre os séculos VII e XVI faz justiça ao testemunho imparcial da História: “sabemos que, já a partir do século IX, uma confederação de tribos berberes sob o comando de Tilutan (836-837) – os lemtunas, os mesufas e os djoddalas – conseguiram impor sua autoridade sobre vários grupos negros e negro-berberes instalados ao redor de um povoamento chamado Awdaghost, que ficava bem no centro da região do Baixo Senegal”[1].

E o que dizer sobre a escravização ser uma instituição histórica estabelecida mesmo antes de quaisquer civilizações constituídas por uma população branca, como as primeiras que se constituíram na Crescente Fértil (situava-se num triangulo entre a Ásia Menor, Golfo Pérsico e o Egito, envolvendo parte da Mesopotâmia e os rios Tigre, Eufrates, Jordão e o grande Nilo), a começar de impérios como o egípcio (cujo povo não poderia ser considerado de pele clara) que edificaram seu tour de force sob vastas empreitadas escravistas? E que dizer de outras civilizações assentadas no Oriente Médio que realizaram feitos semelhantes, muito anteriormente aos egípcios, aos gregos, romanos e europeus, como os Sumérios, os Acádios, Amorritas, Assírios, Caldeus? Que dizer sobre os assírios, cujos métodos de guerra não incluíam apenas o aprisionamento dos derrotados como também a ferocidade em aniquilar pelo prazer sanguinário – ainda hoje praticado - muito diferentemente do que contam as vitórias gregas nas guerras médicas contra o numeroso exército Persa, adquiridas com maestria, lucidez técnica, tática e estratégia? E quanto às guerras medievais travadas pela luta cristã contra a islamização ocidental (evitada graças à Carlos Martel, na Batalha de Poitiers, em 732), quando a impetuosidade militar islâmica contava com inúmeros guerreiros negros e berberes? Só há apenas uma resposta: é a História, imbecil.

Não há que se falar na hipócrita obrigação de povos para com outros povos que no passado utilizaram da violência militar para escravizar e edificar seus gloriosos impérios (como vimos o bom senso jogado no lixo[2], com o reconhecimento brasileiro de uma tal dívida histórica para com povos africanos). Por que não falar sobre dívida histórica com iraquianos de nosso tempo para com os israelenses, por terem na Antiguidade promovido a destruição do Templo de Jerusalém dos antigos hebreus pelos caldeus (que ficaram conhecidos como neobabilônios) e por colocá-los em cativeiro na Babilônia (587 a.C.), destruírem seus feitos e condená-los à Diáspora? Tudo isso não passa de trapaça. Trapaça daqueles que querem condenar outros povos mais prósperos por não conseguirem ombrear a prodigiosa capacidade de providenciar riqueza e abundância, jogando suas catarses e frustrações contra a felicidade alheia.

Ainda com respeito a Ricardo Costa, sabemos também que a presunção hipócrita em emitirmos quaisquer julgamentos morais acerca de quaisquer fatos consumados numa época remota, em que as relações sociais e comportamentais dos homens estiveram vinculadas a uma moralidade intrínseca ao período em questão, equivale a julgar, em algum tribunal inglês, os restos mortais de Jack, o estripador, se fossem encontrados pela Scotland Yard.

Não há maior estapafúrdio em julgar o passado baseando-se em reflexões morais no presente – cujos contextos sociais contrastantes em duas épocas diferentes revelam tão somente a enorme distância entre a realidade vigente de um período dono de uma gama de acontecimentos já consumados em seu tempo, ao longo do percurso natural da dialética que traçam os caminhos da evolução cultural –, e o período no qual onde podemos situar o presente como destino final deste percurso, intermediário, não obstante, do futuro vindouro. Isso caracteriza a constância das transformações a que estão sujeitas as relações sociais entre os homens, fazendo com que a verdade não seja estática, absoluta e presa a um grupo de profetas apocalípticos – como foi e quis a ideocracia soviética até dissolver-se pela fixação obstinada de uma verdade universal socialista elaborada -, mas susceptível de uma mutabilidade que a torne digna de sua incansável busca pela humanidade, correspondendo e corroborando com seu desejo por natureza de prosperar. Talvez fosse com demasiada elegância que um ser pensante em pleno século XXI condenasse com imensurável veemência os hunos, os ostrogodos, visigodos, lombardos, vândalos, germanos e escandinávios por suas migrações em meados do século V d.C., mais conhecidas como invasões bárbaras, responsáveis por dilacerar o império romano ocidental e espalharem o terror caótico sob aterrorizantes pilhagens no Velho Continente. Mas este mesmo indivíduo não deixaria de recair na mais profunda fossa da ridicularidade ao se esquecer do contexto social do meio sob o qual o homem medieval vivia (por isso a verdade de que o Homem é produto do meio em que se estabelece, pronunciada por Silvio Romero, é uma interpretação seca do testemunho imparcial histórico, enquanto que esteia sua máxima como fenômeno conseqüente da evolução cronológica moral dentro das comunidades).


Leitmotiv Politicamente Correto – um projeto de poder nacional

Reconhecer e endossar a patifaria de que os brancos espalharam o terror sob a Terra sem antes olhar o que a História testemunha imparcialmente, é realmente corroborar para com a fanfarra do Estado Socialista de Direito que incendeia a paz social na defesa de “liberdades” que gradativamente esfacelam a conservação dos bons costumes e valores (apenas quando não existem rightwings para obstruírem a atividade corrosiva dos leftwings). São “liberdades” como a legalização do aborto, de substâncias entorpecentes, da aberração homossexual em destruir tradições cristãs como o casamento entre um homem e uma mulher sexualmente normais, que são o exemplo de pautas adotadas pelos leftwings.

A questão racial não poderia ser diferente já que utilizar do jargão de que os negros não gozam de oportunidades para estudarem, trabalharem e entreterem-se, vai de encontro com o viés da “justiça social” – o prato cheio e predileto na cozinha da esquerda para engrossarem a obesidade estatal, sob as receitas do tributarismo, estatização/nacionalização e intervencionismo mesclado das porcarias keynesianas (claro, se é pelo “social”, com a “força do povo”, as massas não terão dificuldade em morder a isca ao caírem na ciranda cirandinha do combate à pobreza através da falsa realização de uma falsa “justiça social” por meio dos métodos que deixam os burocratas vermelhos tão satisfeitos no poder).

Com a manipulação do que é ou não racismo pela criação da inútil Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, temos na verdade a incitação e o estímulo aos negros brasileiros a se sentirem mais iguais perante seus semelhantes de pele mais clara, cuja constatação é percebida nas declarações da ministra Matilda Ribeiro.

Mas é preciso reconhecer que o PT vem agindo com maestria na concretização dessas pautas (que em âmbito regional vemos o Foro de São Paulo o cérebro da subversão latina americana, reunindo organizações criminosas e produzindo resoluções para coordenarem a implementação de um dito “novo” modelo para o continente), uma vez que a incitação à população de cor, que por sua vez são inquestionavelmente predominantes no Brasil, a se sentirem com maior destaque na sociedade sobre a parcela minoritária de pele clara, o que não tardaria por induzir à uma possível edificação moral sob uma espécie de nacionalismo negro alinhado aos idealismos do Estado Socialista de Direito. Seu ativismo nacionalista seria similar à virulência do movimento gay internacionalizado como veículo de pressão às democracias ocidentais[i], bem como ao vandalismo do MST, não destruindo granjas, mas organizando-se em movimentos fortemente engajados por uma causa ligada a um intrépido nacionalismo de cor no seio da sociedade brasileira, sustentados na captação do passado histórico da escravidão em sincronia com uma solidariedade pela “mãe África” e suas mazelas, no momento em que o ódio à pele mais clara viesse a se tornar sua política.

É assim que os brasões e emblemas constitucionalistas da justiça necessariamente “social” fazem das abstrações “politicamente corretas” e idealistas tão populistas e identificadas pela demagogia esquerdista, porque sua sublime promessa por igualdade e fraternidade seduzem as massas para as trilhas do socialismo e do jogo burocrático do paternalismo estatal, pois inconscientemente reconhecerão nele o mediador para o falso paraíso prometido, ao passo que líderes de legendas partidárias aparecem com gula, esganação e avidez por ministérios, secretarias e cargos de influência.

A idéia de “justiça social” é apenas um soquete ideológico para seduzirem o eleitorado a perpetuarem seus votos nas eleições consecutivas a favor, claro, do vírus esquerdista (hospedado também em partidos ilusoriamente declarados de direita, pois que se a coligação PSDB/PFL o fosse na fiel íntegra, não se deixariam abater pela demonização das privatizações e pelo assistencialismo lulista, e o Sr. Alkmin teria desmascarado Zé Lula com energia e convicção para toda a população brasileira, mostrando-as como o torneiro mecânico endivida e sobrecarrega o Estado de funções com suas “políticas sociais” e comprime a economia pelo monopólio de empresas públicas não abrindo espaço para empresas privadas – observando o enorme desempenho obtido de empresas privatizadas e que se desvincularam da matriarca Petrobrás, como a Petroflex, a Copesul, Comgás, dentre outras – ao passo que deixaria nosso Macunaíma de cuecas se nos debates mostrasse o que o petista faz no Foro de São Paulo junto a organizações criminosas e guerrilheiras e os líderes que as alimentam). Resultado: as massas ludibriadas pela promessa assistencialista dará seu pedaço de queijo a cada quatro anos para estas raposas políticas, que garantirão a perpetuação de seu poder, mesmo quando não estiverem no poder. Pois pelas próprias vias democráticas afrouxadas[ii], serão (são) semeadas as sementes e regadas as raízes que tornam o Brasil, de fato, um país sem qualquer espaço para um Hayek, um Misses ou um Churchill brasileiro. Raízes como Movimento “Sem Terra”, Primeiro Comando da Capital, sociologização uspiana do crime, e sementes como o abortismo, a legitimação e legalização de aspectos contidos no movimento homossexual (entenda-se gays, lésbicas, sadomistas e pedófilos), a pressão contra a Igreja Católica e a incitação racista às comunidades de cor, são simples ramificações derivadas da abstração chamada “justiça social” como estrutura ideológica central para a corrosão dos valores ocidentais familiares, judaico-cristãos e nacionais na busca do conseqüente assento do comunismo em nossa própria versão nacional e continental.

Matilda Ribeiro sabe disso, e sabe que sua impunidade por tamanhas injúrias tranquilamente declaradas é devida somente ao fato de que suas palavras são acobertadas por esta mesma abstração (gostaria de ver a Xuxa reproduzi-las em favor dos caucasianos). Seu racismo declarado, então, torna-se política de boa vizinhança. Nisso, o teor de suas declarações não deixam a perspectiva de um possível retorno dos Black Panthers em sua versão brasileira absolutamente fora da realidade, tão pouco absurdas.

Para melhor ilustrar o que este autor se propõe a explicar, peguemos como exemplo o livro de Michael Moore publicado em 2001. The Stupid White Men é uma crítica ao governo americano sob a administração Bush. Ainda que se trate de um contexto crítico ao governo americano (o que não é nem um pouco estranho anti-americanismo ser quase um espectro moral) o título do livro goza da total segurança em estampar, numa metonímia distorcida, o “estúpido homem branco” por ser uma apologia acobertada pelo maniqueísmo do homem branco ser mau e o homem negro bom, como produto da formulação de conceitos “politicamente corretos” pelos oradores esquerdistas, num mecanismo que manipula a imparcialidade da História para a perpetuação desta imagem projetada entre o carrasco e a vítima (na afirmação e perpetuação de dívidas dos primeiros para com os segundos). Logo, o título “O Estúpido Homem Branco” é uma construção moral deste maniqueísmo que se apóia contra o carrasco (branco), enquanto que um título estampado pelas palavras “O Estúpido Homem Negro” seria imediatamente uma desconstrução moral por efeito deste maniqueísmo, pois que postularia contra a imagem identificada na projeção da vítima (negro).

Mas não façamos rodeios. O que Matilda Ribeiro tem em comum com o “politicamente correto” que a salvou de agonizar anos de reclusão inafiançável? Ela tem traços de descendência negra, portanto suas declarações são benzidas por um racismo “politicamente correto” e ainda goza de prerrogativas como ministra de um partido missionário de boas causas “politicamente corretas”, que por intrigante coincidência tem afinidades com outras causas mais que “politicamente corretas” vindas e absorvidas de fora.

Não se contentando em manipular conceitos morais, “justiças sociais”, o que é ou não “politicamente correto”, a definição de racismo (bastante racista), os militantes socialistas agora querem controlar o testemunho imparcial da História, para inseri-la em suas jogatinas populistas que fazem das massas ludibriadas, quando não, em casos extremos, encolerizadas e enfurecidas, seu principal objeto para suas manobras políticas. Isso não é desestabilizar a ordem? Deixarei que os atentos respondam.



Leitmotiv politicamente correto – um projeto de poder internacional do século XXI

No escopo das relações internacionais, uma série de fatores presentes na política internacional (que tentarei elencar aqui com objetividade), característicos da globalização como fenômeno impresso nas engrenagens do capitalismo, e orquestrados pelo mote ideológico de oradores do liberalismo político (cosmopolita), atuam como verdadeiros presságios apocalípticos envoltos desse cosmopolitismo.

Oradores estes que no Brasil inflamam obras ao estilo de um Joaquim Nabuco[3], o qual ostenta em sua visão histórica do abolicionismo brasileiro quase uma epilepsia de orgasmos palavreados em busca de conceber à exaltação da liberdade do negro, com o fim da escravidão, esta imagem “politicamente correta” como fruto deste mecanismo maniqueísta ao qual recai, consciente ou inconsciente, sua expressão intelectual.

O mesmo mecanismo também é utilizado para revestir a imagem do bem incondicional à militância homossexual mudialmente organizada, enquanto que o mal incondicional é atribuído àqueles que preferem a heterossexualidade – o conceito de homofobia funciona para esta construção.

Numa visão mais ampla de tudo, o conservador já é o mal incondicional enquanto que o liberal (de esquerda) é o bem incondicional: a imagem da política mundial para uma dita “comunidade internacional”[iii] reflete os crivos deste mecanismo, uma vez que as massas munidas de sua opinião pública[iv] não assimilam termos técnicos de uma linguagem pragmática, racional, empirista e sóbria (como já explicou, Thomas sowell[4], O Rancor da Esquerda), mas são boas em capitular uma linguagem inflamada revestida por brados de ordem e termos instigantes insuflados por algum ideal apaixonado.

Na Europa o problema é bem mais sério: esse sistema maniqueísta vem sendo empregado na fixação de uma vitimização estereotipada atribuída ao Islã contra os próprios conterrâneos naturais do velho mundo, cumprindo etapas gradativas de um processo de aculturação cristã. Bat Ye’Or em Eurabia: The Euro-Arab Axis explica como a Europa desde 1967 vem se implodindo desde o estabelecimento de uma política pró-árabe iniciada na França de Charles De Gaulle, que levou mais tarde a um Euro-Arab Dialogue (EAD) que, segundo a autora, por demanda das comunidades árabes, os países da comunidade européia deveriam fomentar o sentimento anti-americano, ao passo que a cultura árabe é recepcionada em detrimento da cultura européia. Sem embargo, o que fará, sem margens de erro, um rush à islamização do velho continente será, engenhosamente, a entrada da Turquia na União Européia (que já se constitui numa maquete de um cosmopolitismo integrado regional; um ensaio para a construção universalista onusiana), o que facilitará um pesado assento demográfico do califado e consigo suas premissas absolutas[v] hasteadas do livro único (Corão).

A Dinamarca, um dos ícones da beleza ocidental em liberdade, foi manchada quando o cartunista Kurt Westergaard teve que se esconder depois do clérigo califa Maulana Yousaf Qureshi ofertar pela morte de qualquer dos “infiéis” que reproduziram o rosto de Maomé, contando apenas com seu ministro das relações exteriores, Per Stig Moeller, que se resumiu a embelezar que “o Islã é uma religião de paz, misericórdia e perdão”, segundo a BBC Brasil[5] (ainda que dezenas de pessoas morressem pela selvageria islâmica). Nenhum ocidental, nenhum civil livre e civilizado detonou embaixadas quando o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, em doentia resposta, abriu concursos para charges do Holocausto judeu[vi].

Minto sobre a resposta doentia. O libanês Faiz Mohammed nos dá a prova viva do quão doente é um indivíduo proveniente do tumor cultural que assim o transformou, ao declarar em uma conferência na Sydney australiana que mulheres sob pouca roupa, convidam homens a estuprá-las. Sharon Lapkin[6] analisa a onda de estupros promovidos por grupos islâmicos no mundo livre e como este crime racial manchou países civilizados como Suécia, Noruega, França, Austrália: pela passividade de autoridades que se resguardaram omissas ao se tratar de uma questão racial (islâmica).

Munidos pelo estereótipo da vitimização, eis como o islâmico frustrado é ao mesmo tempo o estereótipo do negro escravizado, do homossexual agredido, da abortista cerceada, do silvícola incapaz, da feminista excluída, do ecologista altruísta, do revolucionário idealista, de tudo o que é “politicamente correto”. Eis que o mecanismo empregado pelas vísceras (left) liberais personifica um projeto de poder per se.


Para onde foi a História?

Como já bem sabemos pelos ensinamentos de Maquiavel que imortalizou a ciência política como campo autônomo, ao legar a visão interpretativa do animal político que é o Homem de que ela é somente, absolutamente, passível de qualquer juízo, seja qual for sua natureza crítica, quando dos seus resultados práticos sua engenharia técnica e racional, em termos de poder, obtiver uma ejaculação ou uma diarréia institucional. Ou seja, se dessa maestria prática serão deduzidos a prudência ou não. Mas esta ciência política já caducou, pois que sua inteligência sóbria adentrou os séculos XX e XXI exaurida dessa engenharia emérita, por força do brado humanitário subseqüente às catástrofes anunciadas de 1914 a 1989, que a condenou à abdicação de sua auto-avaliação de seus resultados finais e subseqüentes: seus resultados devem se adequar a premissas pré-estabelecidas e premissas devem ditar seus resultados pré-estabelecidos, eis como hoje ela está confinada a ser apedrejada por antecedentes que controlam circunstâncias. Eis como ela se tornou “politicamente correta”.

Para onde foi a História? Não sei. Sei apenas que “a única lição da História é que os homens se recusam a aceitar as lições da História”. Bernard Shaw está politicamente incorreto. Logo, ele está certo. A História apenas conta o que os homens nasceram para fazerem: política, porque “o homem é um animal político por natureza” (parlas Aristóteles, parlas!). Mas a despolitização do homem contemporâneo é um assassinato à justiça de seu testemunho milenar, restando apenas a esperança dos “homens políticos” persistirem contra a criminalização de sua essência, de sua natureza humana e de seu direito em buscar, com seu espírito intrépido e desbravador, o primado de sua realização dentro do próprio universo em que se fazem submersos constituído por forças perenes enraizadas nesta essência. Que estes “homens políticos” desbanquem a love politics e façam justiça à real politics, seja nas relações internacionais demonstrando que o estado de paz não se diferencia em nada do estado de guerra, uma vez constituírem em ambos a gama de instrumentos com que dispõem os estados nacionais para conduzirem suas próprias políticas externas. Que desbanquem a propaganda do falso paraíso da igualdade vendida pelo partidarismo militante da esquerda (utilizada para legitimarem seus meios intervencionistas administrativos em busca de mais poder e influência).

Fomentando boas esperanças, que refaçam justiça à História: que permaneçam para sempre politicamente incorretos.

[1] COSTA, Ricardo da, A Expansão Árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (séculos VII – XVI) – Segunda Parte, disponível em: http://www.ricardocosta.com/pub/imperiosnegros2.htm. Acesso em: 16/04/2007.

[2] CADEMARTORI, Lindolpho, O Bom Senso Jogado no Lixo, disponível em: [http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3403. Acesso em: 16/04/2007.

[3] NABUCO, Joaquim, O Abolicionismo: Intérpretes do Brasil, vol. 1, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. 21.

[4] O Rancor da Esquerda, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5801&language=pt, acesso em: 23 de Julho de 2007.

[5] Dinamarca: Al-Qaeda vai explorar crise das charges de Maomé, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/02/060220_alqaedachargesmb.shtml, acesso em: 01 de Agosto de 2007.

[6] LAPKIN, Sharon. A Epidemia do Estupro Étnico, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4508, acesso em: 01 de Agosto de 2007.
[i] A democracia tem sua fama de ser realmente o melhor dos piores sistemas políticos, reproduzindo a visão churchilliana, pois ao mesmo tempo que assegura direitos indeléveis, corre o risco de ser por meio deles trucidada por aqueles que gozam de suas liberdades. Como uma falha num sistema operacional, Hitler obteve sua ascensão ao poder em 1933 (depois de abandonar as manobras agressoras de bando, tática que empregou no início de sua escalada) manobrando as liberdades e direitos políticos da República de Weimar (1919), até conduzir a Alemanha ao III Reich. Eis porque as democracias liberais necessitam do conservadorismo, pois que um governo liberal de esquerda fará manobras políticas para afrouxar ainda mais as fendas de uma democracia sob o viés da liberação extrema, enquanto que um staff conservador de direita busca tapá-las, conservando o que é vital para os valores nacionais e liberando até onde as liberdades não suplantem os deveres.

[ii] Numa democracia (sobretudo a brasileira) a facilidade com que direitos se sobreponham aos deveres se faz até onde algum legislador messias ore por um projeto lei escorado em alguma prepotência moral extravasada de algum coitadismo coletivo. A exemplo, o PL 122/06 (lei anti homofobia), Lei 6.001/1973 (Estatuto do Índio) e o estabelecimento de quotas.

[iii] Pois que o mundo configurado por nações Estado, cada uma com suas cores nacionalistas atuando sob seus respectivos interesses políticos, não aproximam da idéia equivocada de formarem uma comunidade integrada.

[iv] Apesar de constituir-se em uma das áureas democráticas, a opinião pública do cidadão leigo, instigada pela imprensa e outros meios de comunicação semelhantes de seu país (afastando ainda a idéia absurda de uma “opinião pública mundial”), é consequência da democratização do fin de siècle (XIX) e, portanto, um dos elementos que devem ser inseridos nos cálculos racionais do staff político.

[v] Daniel Pipes adverte quanto a importância de os ocidentais apoiarem muçulmanos moderados contra a inflexibilidade extremista e universalista islâmica. Ver, Bolstering Moderate Muslims, disponível em: http://www.danielpipes.org/article/4426, acesso em: 01 de Agosto de 2007.

[vi] Grande parte do mundo árabe se recusa a reconhecer o Holocausto a que foi condenado milhões de judeus durante a II Guerra Mundial, alegando sê-lo um instrumento político ocidental para apoiar o Estado de Israel (dispensa-se mais comentários).

terça-feira, 10 de abril de 2007

O Homem sem Mãos



Posso pensar, mas não posso fazer;
E na incapaz agonia de um gesto meu;
Como quem queria tanto, quando jovem, tudo poder;
Oh! Homens livres, que dizer?

Mas no insalubre desespero deste fatigante estado de manada;
Ainda me resta a crista capaz em lhes observar;
Do Maas ao Memmel em alguma rapsódia, ali, da Prússia, contemplar;
Lá, onde uma bela vida foi, pela História, recontada.

O Grande general reuniu a montaria em sua terra,
Abraçou a Silésia, desceu a Bohemia e desbancou a duquesa;
Sete anos de espetáculo, sete anos de guerra;
Uma verdadeira ode à alegria, à espera por 1870,
Quando um outro general concebeu esta certeza
(Uma atroadora união; que proeza!)

Espasmo. Abro os olhos e desperto para a malvada realidade;
Rapidamente olho assustado para os punhos e sinto tato;
Palmas, dedos, polegares, articulações, tudo verdade.

Pena. Fugiu fugaz, não estou em nenhuma Brandemburgo do passado.
Nada disso posso aqui vislumbrar e nem a estes mitos lá me juntar.
Resta-me a conformação. Sou o homem massa e o homem coletivo, jamais indivíduo;
E tragado pela massificação, sou o homem sem mãos.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Hiroshima e Nagasaki: duas cidades que salvaram o mundo - Parte II


Devastação desumana: o perecimento quase total de Hiroshima e Nagasaki colocou em teste todos os limites da capacidade de destruição de uma possível guerra nuclear, mas os verdadeiros heróis sobre o algoz soviético são suas almas que ali foram silenciadas.





Uma cortina de ferro fechou-se sobre o front. Não sabemos o que está acontecendo por trás dela. [...] Entrementes, a atenção de nossos povos estará concentrada em infligir castigos à Alemanha, hoje prostrada e em ruínas. Em pouquíssimo tempo estará ao alcance dos russos avançar para as águas do mar do Norte e do Atlântico, se eles assim desejarem.

Winston Spencer Churchill – Memórias da Segunda Guerra Mundial



Resumo: Não fosse a rendição nipônica em 1945, aos escombros do horrível sacrifício de duas de suas maiores cidades, hoje estaríamos sob o jugo de uma única bandeira vermelha.



Dedicatória

A lavra deste trabalho é dedicada ao perecimento das almas silenciadas, ao sofrimento e a bravura de um povo, cuja riqueza cultural e intrepidez guerreira, lhes deram forças louváveis para reconstruírem sua grandeza das cinzas.


“Once upon a Time in 1945”...

O último ano da segunda grande guerra que quebrou paradigmas e transformou sociedades. O nazismo entrelaçava-se com o III Reich ainda vivo e pulsante apenas na figura desgastada do Fürher e já completamente fora de sua realidade. Salvo por alguns plenipotenciários que ainda sentiam o calor da chama do nacional-socialismo, ao estarem perto de seu líder, ali, nas divisões e cômodos da estrutura decadente do Bunker[1], como Joseph Goebbels e Karl Dönitz, momento em que uma mensagem havia sido passada: por seis anos aquele povo inflamado e intrépido, em sua história, advertira o mundo sobre seu temperamento patriótico num sonho por vingança, glória e conquistas, mas que definhava-se a cada palmo adentrado pelos exércitos aliados, no coração da Alemanha. Era o começo do fim de atrocidades aterradoras, junto ao sonho de uma Deutschland über alles e de um Weltreich que morria em corpo e alma na sucateada Luftwaffe e na dissidência de personagens como Heinrich Himller e Albert Speer, bem como outros compromissados na conspiração contra Hitler, cujo organizador principal viria a ser Stauffenberg.

Porém, muito embora o réquiem nacional-socialista e suas catarses devam ser mencionadas de passagem, o que de fato importa com o encerramento do teatro da grande guerra mundial é tão somente o que diz respeito ao avanço soviético (pós Stalingrado), em países que serviram de base para o assento da “cortina de ferro” no coração da Europa, ou seja, o foco estratégico no longo prazo dos anos subseqüentes à Untergang[i] alemã. Foco este que fizeram da “guerra desnecessária” (assim denominada por Churchill) uma guerra imperiosa quanto aos fatos que levaram à escalada nazista que gradativamente pisoteava a auto castrada Liga das Nações (motivo que levou o político conservador britânico Anthony Éden a renunciar, em 1938, ao cargo de ministro para os Assuntos da Liga, quando assistiu uma Alemanha impune e o facismo italiano desfraldar sobre a Etiópia), cuja importância reside na sobriedade, prudência e bom senso político e estratégico. Lacunas que agravaram os vinte anos de crise intermediários a 1919 e 1939. Enquanto a love politics – impregnada nos princípios da Liga, no gabinete a serviço de Sua Majestade do indiferente Lord Baldwin, na Inglaterra, no temor dos “Galos” franceses – servisse o camarote de Hitler ao meio de seus preparativos, a power politics imperialista alemã somente viria a ser reconhecida pelos apaziguadores de Versalhes quando da Conferência de Munique foi celebrado o acordo da mentira, em que toda a Tchecoslováquia (não apenas a região dos Sudetos, como estabelecido no acordo) fora abocanhada pela Blitzkrieg alemã, até que o mesmo fim se estendesse para a Polônia, fim em 1939. (Apesar de o Plano Schlieffen ter sido elaborado em 1905 para uma guerra rápida de dois fronts, em 1914, os preparos de Hitler para a Europa também consistiram numa espécie de “guerra relâmpago” que buscasse neutralizar a frente ocidental, assegurada pela rápida capitulação francesa passando novamente pela Bélgica, para enfim executar o impetuoso Angriff contra o front soviético, na frente oriental).

Mas, dispensando detalhes, tais lacunas não vieram a se manifestar na estratégia militar dos Aliados durante a grande guerra, graças ao gênio de figuras como Churchill e Dwight Eisenhower, na condução de manobras estratégicas como a operação Tocha, Suserano e os planos de ocupação à Normandia no “Dia D”. Contundo, não é possível dizer o mesmo quanto à visão política ao termino das hostilidades alemãs, ainda sob a incondicional resistência de uma das vertentes do Eixo: o Japão. O país se mantinha encolerizado sob o repúdio a qualquer solução pacífica que viesse a implicar numa rendição ou qualquer submissão a quaisquer termos de paz. Nem mesmo é possível dizer com total segurança que os Aliados detinham uma ampla visão estratégica nos anos finais da grande guerra, quando, a guisa de exemplo, o desembarque anfíbio da operação Suserano ocorreu pelo estreito de Gibraltar, na França, e não no Istmo de Istria, no extremo Adriático, dominada por Trieste, na Itália. Esta empreitada faria com fosse aberto um corredor pelo Passo de Liubliana, rumo à Áustria e a Hungria, para o avanço militar à Berlim, fazendo com que os efetivos militares estabelecidos no norte africano, provenientes da Operação Tocha (que sufocou por fim o Afrika Corps do general Erwing Rommel), fossem melhor utilizados na mobilização direta para os países balcânicos, em sincronia com os desembarques na Normandia, como previu a maestria estratégica de Churchill[2]. Isso faria com que os Aliados chegassem a Viena antes do Exército Vermelho soviético (que vinha expulsando os alemães de seu território, batendo em retirada da batalha de Stalingrado) abrindo a possibilidade de semear a liberdade aos países na porção balcãnica do continente, no exercício da soberania de seus respectivos povos, a exemplo das democracias ocidentais. Mas não foi o que aconteceu, já que o general Eisenhower e Roosevelt se sentiram mais atraídos pela operação Dragão[ii] (o desembarque anfíbio na Riviera francesa, ao sul do país, liderada pelo general Wilson). Os chefes do Estado-Maior norte americano se fizeram relutantes em percorrer os Bálcãs para atingir a Alemanha, já que o governo de Vichy, na França, ainda mantinha tropas alemãs no país, cuja resistência se demonstrou tão pífia que seria preferível o envio de tropas diretamente à Eisenhower, como auxílio à operação Suserano na Normandia (“Dia D”), o que não contribuiu em nada para a operação, uma vez que a oportunidade de acertar rapidamente a Alemanha pelo atalho balcânico foi recusado, privando que os exércitos vitoriosos na Itália fossem mobilizados por este atalho, que contaria ainda com a vantagem de uma segunda frente[3]. Os franceses poderiam ter aguardado.

Enquanto o Japão obstinado por manter ilusoriamente seu império do sol, ao passo de que suas esquadras ainda exerciam certo poder de resistência às empreitadas anfíbias dos norte-americanos e em menor grau britânicos, a Alemanha já estava fadada à capitulação dos Aliados dando já por certo a vitória aos mesmos. Ao meio deste epílogo, seria necessário que o teatro de guerra terminasse o mais rápido possível, o que transformou a obstinada resistência nipônica em um impasse estratégico decisivo para os Aliados britânicos e americanos: como obter a rendição definitiva da vertente do Eixo no Pacífico o quanto mais célere fosse possível, uma vez que os objetivos soviéticos se tornavam cada vez mais obscuros ao restante da Europa, por detrás daquela “cortina de ferro” assentada no coração do Velho Continente, aonde a liberdade dos países balcânicos vinha se tornando uma questão duvidosa? Uma resposta absoluta não poderia vir sem que fossem estabelecidos cálculos de ordem política e principalmente estratégica (o que alcança o objetivo deste artigo), sem mesmo desprezar os de ordem moral que vieram a se tornar questionamentos de repercussão mundial depois de Hiroshima e Nagasaki, cujo silêncio devastador e episódio foram, pelas décadas subseqüentes, vistos pelo mundo com estarrecido temor e abomino.

Tal era a situação em que se depararam os defensores das democracias liberais e do exercício da soberania por vias do sufrágio universal, num cenário político decisivo para os norte-americanos abandonarem por completo seu isolamento do continente europeu, o qual marcou quase toda a metade do século XX. Lembrando que as recomendações de George Washington para que a política americana devesse estar longe das intrigas européias, traçada a partir do reconhecimento de sua independência em 1783 e da proclamação de sua Constituição em 1787, marcaram os primórdios do isolamento norte-americano naquela porção continental.

Talvez fosse de grande importância para os Estados Unidos que se colocassem neste isolamento num período que se estendesse do final do século XIX ao início do século XX, uma vez que os interesses voltados para uma delimitação territorial interna seria de fato a principal meta a ser alcançada, pois o fenômeno da supremacia não poderia ser vislumbrada se as bandeiras americanas desfraldassem apenas na costa leste da América (e Hollywood não ganharia prestígio por seus Western movies – que seria de Clint Eastwood, John Wayne e Lee Van Cleef? O cartunista Thomas Nast não teria dado cor e forma, em 1870, à Abraham Lincoln como Tio Sam e mesmo que sim, seria inconcebível que Uncle Sam pudesse escolher os garotos que seriam mobilizados para abafar os estrondos de 1914, com o memorável “I want you”). Mas tudo mudaria a partir de 1918. Tinha que mudar. Já não seria mais conveniente que o governo de Washington se preocupasse apenas com atuações políticas que mesclavam essencialmente interesses comerciais com dosagens de políticas de poder basicamente restritas à Doutrina Monroe e a posições no Pacífico: deveriam considerar seu poder nacional como um todo, e como superpotência, e colocar a Europa nos cálculos de sua influência política para finalmente exercerem seu papel imprescindível na defesa dos interesses ocidentais. A supremacia norte americana já havia se esculpido e seu poder inconteste não poderia mais resumir-se a interesses com restrições meramente regionais, uma vez que a América espanhola já havia a muito se tornado América Latina operando sob engrenagens ainda que primitivamente capitalistas e perceber que o Velho Continente sozinho não poderia levantar-se das cinzas de 1914 e 1939 e resistir ou sequer barganhar contra a máquina de Stalin, que vinha demonstrando com nitidez sufocar o exercício da vontade nacional dos países balcânicos, deixando explícito ou implícito o algoz de que o compromisso com a Revolução Gloriosa não permitiria que ele se contentasse até que uma linha imaginária conectasse Vladivostok à Lisboa.

Embora tais idiossincrasias atemporais (sem mais delongas acerca da inviável retração do poder político norte-americano e dos prelúdios que precederam os acontecimentos que levaram o continente europeu à configuração de forças pós – 1945) sejam meras divagações metonímicas, são pertinências ilustrativas para a compreensão de que o verdadeiro Leitmotiv[iii] soviético nos Bálcãs é apenas uma parte dos planos para o triunfo do socialismo sobre o capitalismo e as democracias ocidentais[4]. A máquina imperial do leste não seria debruçada ali por mera casualidade das circunstâncias e muito menos por oportunidade vislumbrada no teor dos avanços contra os alemães pós batalha de Stalingrado (que Stalin soube muito bem tirar proveito do pretexto de que estaria libertando a Europa do nacional-socialismo na medida em que o Exército Vermelho esganava-se sobre o Leste europeu, até enfincarem suas botas em Praga, a partir do momento em que foram barrados graças aos “malditos” americanos). Todo um estratagema subversivo no exterior já vinha sendo engenhosamente estudado desde 1918, contra a Tchecoslováquia, num golpe de Estado em 1948 que de acordo com Paul Zinner[5], da formação do Partido Comunista Tchecoslovaco, organizado por um grupo tcheco de prisioneiros de guerra, o líder social democrata deste soviete, Alois Muna, seria a ponte humana (junto aos social-democratas Bohumir Smeral e Josef Stivin) para que fossem promovidas agitações a favor do bolchevismo, ao passo que fora devidamente instruído por Lênin acerca da metodologia revolucionária. (Para ver como as instituições democráticas brasileiras foram corroídas pelo germe, ver a obra de Suzanne Labin “Em Cima da Hora” e para compreender como a sovietização de Cuba não acontecera da noite para o dia, que o leitor tenha acesso a obra de James Monhan e Kenneth O. Gilmore, “A Grande Cilada”).

Mais do que apenas jogos subversivos difusos, a verdade sobre o projeto imperial de Outubro de 1917 gira em torno da sovietização universal, o que caracterizava o âmago da razão de estado soviética, a qual não consistia apenas na conversão e submissão mundial ao socialismo (o qual pudesse ser vários à medida que fossem desvinculados da Gestapo, como o Comitern chinês que adotou caminhos divergentes do que esperava o governo de Moscou, a partir de 1923), mas sim na suprema potencialização das vias e vertentes revolucionárias globais de modo que se tornassem conexas a uma aglomeração única e necessariamente vinculada à intelligentsia comunista internacional, sob o ativismo e prontidão de seu QG em Moscou. Isto quer dizer que quaisquer revoluções que brotassem deveriam ser submetidas ao controle direto da URSS, o que explica a III Internacional Comunista ter sido completamente apossada por Stalin (fato que levou Trotsky a criar sua pífia IV Internacional). Dada as dimensões territoriais da Rússia sempre terem sido, ao longo de sua história, de natureza supra-imperiais (tendo em conta o fato de ter o país a maior extensão territorial do mundo), seria logicamente irresistível que suas fronteiras não desejassem conhecer limites na busca de uma expansão constante e implacável por todas as direções possíveis até onde pudessem chegar, sendo, portanto, aquilo que manifestava, ultima ratio, a vontade maior do marxismo-leninismo sobre os auspícios de uma União Soviética robustamente militarizada.

Ipso facto, qual seria então o papel do Exercito Vermelho estacionar-se numa faixa territorial que contornava praticamente todo o Báltico, emendando Rostock (Alemanha) descendo o Mulde e o Elba, pegando a Tchecoslováquia, parte da Áustria e que era recheada pelos Bálcãs, se não fosse a completa e incondicional capitulação da Europa? Que seriam das ilhas britânicas, consideradas a barricada insular do Ocidente, se o Velho Mundo fosse por completo subjugado pelos profetas armados? Seria possível um outro “Dia D” na Normandia ou Gibraltar? Para onde toda a produção daquelas indústrias pesadas da Renânia, da Alsacia e Lorena seriam voltadas e designadas e para onde todos aqueles portos lançariam suas, agora, ilimitadas e incontestáveis esquadras? Mar do Norte? Atlântico? Mackinder pode responder.






[1] FEST, Joachim, No Bunker de Hitler, os Útlimos Dias do III Reich. Rio de Janeiro: objetiva, 2005.
[2] CHURCHILL, S. Winston, Memórias da Segunda Guerra Mundial, Rio de Janeiro, 2ª ed. Editora Nova Fronteira, 1995. p. 944.
[3] Idem, op. cit. pp. 949-950.
[4] CADEMARTORI, Lindolpho, Notícias de Jornal Velho: pacto de varsóvia – a última grande ameaça européia, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2653. Acesso em: 13 mar 2007.
[5] ZINNER, Paul E. Estratégia e Táticas Comunistas na Tchecoslováquia, 1918-48. Rio de Janeiro, Distribuidora Record, 1965. p. 34.

[i] Palavra alemã utilizada no título da película cinematográfica sobre relatos que remontam os últimos dias de Hitler (Der Untergang), que na íntegra significa “A queda”.
[ii] Originalmente denominada como Bigorna, mas alterada como precaução para que o inimigo não pudesse identificá-la.
[iii] Palavra alemã que significa “motivo condutor”, utilizado por Richard Wagner como técnica de composição musical, introduzida por ele em suas óperas.