terça-feira, 10 de abril de 2007

O Homem sem Mãos



Posso pensar, mas não posso fazer;
E na incapaz agonia de um gesto meu;
Como quem queria tanto, quando jovem, tudo poder;
Oh! Homens livres, que dizer?

Mas no insalubre desespero deste fatigante estado de manada;
Ainda me resta a crista capaz em lhes observar;
Do Maas ao Memmel em alguma rapsódia, ali, da Prússia, contemplar;
Lá, onde uma bela vida foi, pela História, recontada.

O Grande general reuniu a montaria em sua terra,
Abraçou a Silésia, desceu a Bohemia e desbancou a duquesa;
Sete anos de espetáculo, sete anos de guerra;
Uma verdadeira ode à alegria, à espera por 1870,
Quando um outro general concebeu esta certeza
(Uma atroadora união; que proeza!)

Espasmo. Abro os olhos e desperto para a malvada realidade;
Rapidamente olho assustado para os punhos e sinto tato;
Palmas, dedos, polegares, articulações, tudo verdade.

Pena. Fugiu fugaz, não estou em nenhuma Brandemburgo do passado.
Nada disso posso aqui vislumbrar e nem a estes mitos lá me juntar.
Resta-me a conformação. Sou o homem massa e o homem coletivo, jamais indivíduo;
E tragado pela massificação, sou o homem sem mãos.

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