domingo, 13 de maio de 2007

"Com a Força do Povo"

10 de fevereiro de 1980, nasce o Partido dos Trabalhadores: projeto de poder arregimentado no fortalecimento e integração das forças e organizações desestabilizadoras da sociedade brasileira.



“O alicerce está pronto (para um segundo mandato), as paredes estão prontas, agora falta a madeira e o telhado.”

– Lula da Silva (no debate nas eleições de 2006).


Resumo: o Partido dos Trabalhadores em si consiste tão somente em fazer o país deixar de engatinhar para começar a dar passos maiores em direção ao master plan petista: atingir o “Estado Socialista de Estado” venezuelano.




O PT não apenas representa uma forte instituição mediadora entre as poderosas forças comprometidas com a desintegração e a dissolução da ordem vigente e algumas diligências voltadas para uma política de mercado mascaradas pelas políticas monetárias do BC (mesclando outros ingredientes como a recepção de Bush no Brasil e a promessa de uma economia sustentável), mas um verdadeiro establishment para a perpetuação do poder por vias democráticas. Em outras palavras, o PT estabelece um liame entre o sistema de mercado e a subversão da ordem. Este delay é uma simples interpretação da influência gramscista na América Latina, no aspecto de que o comunismo é apenas uma cobertura ideológica sobre as engrenagens capitalistas destinada à consecução de objetivos revolucionários. É esta a premissa maior da estratégia petista revigorada nestes oito anos de desgoverno, a mesma responsável por preparar e fomentar estas raízes revolucionárias na sociedade brasileira. São estas ingerências que representam o teto que abrigam e amamentam o crime organizado, o MST, o narcotráfico, a impunidade, a “sociologização” dos crimes hediondos, a legalização do aborto, a inimputabilidade silvícola, a incitação ao racismo da população de cor (estampado pela ministra Matilda Ribeiro) e muitos outros turbilhões que ainda incluem a escolta legal ao homossexualismo enquanto movimento agitador.

O principal elemento desta estratégia petista para a perpetuação do poder por vias democráticas, chama-se “impotência estatal voluntária”. Baseia-se na ausência de autoridade estatal perante os impetuosos movimentos desordeiros acima citados, ou seja, exaurindo o poder-dever do Estado de suas responsabilidades viscerais perante a manutenção da segurança, paz e ordem em sociedade. O elemento autoridade fora necessariamente substituído pelo elemento sociologia, cujo campo atua para criminalizar o poder-dever do Estado perante a desordem organizada agindo livremente pelo respaldo intelectual do ramo e pelo apaziguamento governamental. Peguemos como exemplo o MST, desnudado pelo Conselho Nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição[1] (TFP), Família e Propriedade, que “de fato, em pouco tempo deu mostras abundantes de ser um pernicioso movimento anti-social. As reintegrações de posse concedidas em série pelos Tribunais bem mostram o caráter ilegal do esbulho possessório praticado pelo movimento invasor.” E continua, “mas, por incrível que pareça, muitos governadores negam-se a cumprir essas ordens judiciais, ou então, protelam indefinidamente seu cumprimento”.

As vias democráticas são perigosas, pois são por suas naturais brechas que tais hospedeiros corroem as instituições de uma sociedade (por isso Churchill acerta ao enquadrá-la como o melhor sistema político dentre os piores). Não nos deixemos enganar seja por Lula da Silva divergir miúdos com Hugo Chave ou Evo “Imorales”, seja pelo Der Spiegel[2] considerá-lo “herói dos pobres, queridinho dos mercados financeiros”, pois o Partido dos Trabalhadores em si consiste tão somente em fazer o país deixar de engatinhar para começar a dar passos maiores em direção ao master plan petista: atingir o “Estado Socialista de Estado” atuante nos países daquelas duas estrelas bolívares (dentre outros vizinhos). Com esses grupos desordeiros não se negocia, não se escolta, não se apazigua, mas se combate com rispidez e inflexibilidade (pois suas premissas partem de termos absolutos e em objetivos por si mesmos inegociáveis), uma tarefa e uma responsabilidade quase impossível de ser praticada sem que seja taxada de reacionarismo quando se observa o indelével respeito à sociologia uspiana no mundo da semi formação acadêmica e intelectual, ao mesmo tempo em que a polícia é desmoralizada e mascarada pela mídia (escancaram abusos de policiais como o apelidado Rambo, como se delegacias fossem escolas de tortura, além de demonizar a proteção a agriculturas ameaçadas e destruídas pela selvageria mascaradamente “sem terra”).

Ao apaziguar sociologicamente e politicamente organizações movidas naturalmente pelo motim, o governo dá sua monta para fortalecer o pedantismo pela “justiça social” e “segurança social” a serem entregues por vias de uma super burocratização estatal. Concomitantemente à “impotência estatal voluntária” para o fortalecimento de tais forças cada vez mais algozes contra a paz social e quaisquer respostas vindas de outras esferas partidárias em defesa da mesma e contrárias à missão petista, está a falácia do enfraquecimento da segurança da população em geral assegurada pela Lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (regulamentada pelo Decreto 5.123 de 01 de julho de 2004), conhecida como Estatuto do Desarmamento. Desarmando a população, privando-a da defesa contra a vida e a propriedade, e exaurindo a responsabilidade do poder-dever do Estado para com a seguridade pública, oito anos de petismo serão mais que suficientes para amamentar as forças subversivas organizadas, para finalmente solidificar os alicerces do “Estado Socialista de Estado” que entrará em perfeita atividade quando nossa sociedade entrar em erupção (cujos soluços vemos com clareza no Rio de Janeiro e na grande São Paulo sendo tragada pela calamidade). Quando o estado de caos atingir proporções insuportáveis, ao se alastrar e se enraizar nas entranhas da sociedade brasileira com firmeza, o pedantismo das massas por “segurança social” e “justiça social” serão num certo ponto tão intensos que suas preces serão atenciosamente ouvidas e prometidas pela supremacia do “Estado Socialista de Estado” solidificada, mediante a performance imperial de suas estruturas públicas destinadas a realizar todas as nomenklaturas “sociais”, por vias do vasto aparato estatal estabelecido e constituído por inúmeras repartições, órgãos, empresas, ministérios e secretarias públicas, movimentando-se através da corrupção facilitada (pois de onde mais ela provém, senão desses ambientes consumidos por fraudes[3], nepotismo e inépcia?) e supridas pelos impulsos tributaristas para tão somente gerar um montante, cuja porcentagem seja preponderante no PIB, destinado à manutenção de suas toneladas.

Em contrapartida, o excelente trabalho que vem sendo feito pelo TFP, fundada em 1960, na grande São Paulo, tendo como ícone o nobre batalhador pelo conservadorismo brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira[4], oferece ainda boas, porém modestas, esperanças quanto a uma fervorosa defesa patriótica pelas tradições culturais da nação brasileira, esculpidos por nossa história e pelos bastiões dos valores ocidentais, arregimentados no catolicismo judaico-cristão, na prevenção de serem impetuosamente implodidos e subvertidos pelo burocratismo socialista. Este sem margem de dúvidas o objetivo final da estratégia petista, ou seja, o assento de uma gigantesca máquina estatal administrativa enxurrada por edifícios públicos encardidos. Seria o status que o Brasil atingiria no vislumbre daquilo que precisamente acontece na ditadura cubana, na Venezuela chavista e agora na Bolívia: o deleite imperial de uma administração estatal, soberba e absoluta sobre qualquer coisa a ser definida, a qualquer tempo e lugar, como de “interesse social”, para que a burocracia socialista pague a “justiça social” por meio do poder pelo poder, da corrupção inflamada, mandos e desmandos (pois afinal de contas, esta é a “função social” das coisas).

Um segundo elemento embutido no primeiro, e último, da estratégia petista vem de certa forma vinculado ao marketing populista do “com a força do povo”. O que seria esta força popular a qual o Partido dos Trabalhadores se apóia e fez de sua propaganda eleitoral o carro chefe de seu partido? Bem, o Brasil é um país em desenvolvimento e, portanto possui ainda muitos pobres e por isso não há habitat melhor para os ratos de esquerda agirem. As massas não dominam o linguajar da economia ou da política, e por consequência são facilmente ludibriadas pelas falsas promessas socialistas associadas a conceitos morais universais embutidos em terminologias e expressões que enchem discursos de oradores engajados em vender o paraíso da igualdade de fato.

De certa forma, enfim, talvez o leitor venha a incluir este autor no rol dos sonhadores e ilusionistas, mas dele não escapará a realidade caótica dos fatos que contornam e se apresentam à sociedade brasileira, com a qual trabalhei buscando tão apenas torná-los inteligíveis a uma previsão que vem se demonstrando palpável e realizável, partido de uma linguagem discursiva simples, desprezando uma erudição pomposa a fundamentar uma visão de cunho geral, mas contextualmente fundamentada e conexa a esta realidade. Faço proposta, portanto, a um exercício reflexivo sob os olhos atentos e não a simples capitulação de uma verdade (inconveniente), sem trairmos a modéstia de Karl Popper de que somos perseguidores da verdade e não seus possuidores, mas de certa forma aceitando a extravagância esteticista de Oscar Wilde de que “o verdadeiro mistério do mundo são as coisas visíveis, não as invisíveis”.




[1] Em Defesa da Unidade Nacional Ameaçada pelo MST, disponível em: http://www.lepanto.com.br/notTFP.html, acesso em: 13/05/2007.

[2] Der Spiegel, disponível em: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2220402,00.html, acesso em: 13/05/2007.

[3] Exame da OAB em Goiás é cancelado após descoberta de fraude, disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL35514-5604,00.html, acesso em: 13/05/2007.

[4] Plínio Corrêa de Oliveira, disponível em: http://www.tfp.org.br/fundacao.asp, acesso em: 13/05/2007.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

O Castramento da Bolívia

Bolívia: posição geográfica estratégica a serviço do populismo desestabilizador e do socialismo militarista venezuelano.



A política como ela é, dispensa julgamentos sustentados em premissas moralistas e verdades imutáveis, portanto vejamos as correntes intimidações do governo silvícola boliviano contra a nação brasileira, sob uma ótica realista e racional. Mas sonhemos um pouco (ou melhor, muito), digamos que o Brasil possua uma direita conservadora predominante e que ele não seja vítima de turbilhões desordeiros, como MSTs, PCCs, Foro de São Paulo, etc. Uma mobilização de forças e recursos militares brasileiros contra o território boliviano, numa manobra de demonstração de poder perante as afrontas e agressões do nacionalismo silvícola, apresentaria uma série de aspectos positivos para o Brasil:

1) O Brasil perdeu uma grande oportunidade para demonstrar seu poder e liderança no continente sul americano. Uma mobilização de efetivos militares contra o pífio poderio da nação boliviana faria com que o governo brasileiro ganhasse o devido respeito externo de estar dando seus primeiros passos para a responsabilidade de um país sério, compromissado com os interesses de sua nação;
2) Quanto à questão de um assento permanente no CSNU, o Brasil daria maiores passos para consegui-lo, pois demonstraria a intenção de capacidade de contribuição ao lado das cinco potências permanentes, com seu ativismo militar contra agressões externas que exigissem medidas desta natureza na defesa de seus interesses;
3) Ganharia maior credibilidade em atrair investimentos na medida em que demonstra ao mercado investidor seu compromisso com a ordem, ao deixar implícita a recusa em juntar-se às agitações socialistas da esquerda latina americana;
4) Seria a opção por uma política de prestígio destinada a atrair olhares mais respeitosos de outras nações importantes, com a simples demonstração de quem é o responsável por colocar ordem no próprio território e no continente no qual se destaca.
5) O Brasil afirmaria a disposição em manter sua preponderância militar sobre a América Latina[1], uma vez que nenhuma nação vizinha poderia ombrear uma empreitada militar e superar a nação brasileira em efetivos bélicos no curto e médio prazo (desde que o país se comprometa a fazer um upgrade de suas forças, atenta à possibilidade no longo prazo da perda de sua liderança).

As conseqüências externas poderiam ser previstas de duas seguintes maneiras (a primeira bastante improvável): I) o governo boliviano receberia a escolta imediata por parte da Venezuela chavista com fins conflitivos, quando provavelmente pouco se importaria em optar por vias diplomáticas ao observar um Brasil desalinhado dos esquemas e estratégias agendadas para a subversão do continente pelo populismo socialista venezuelano. II) A Bolívia capitularia a demonstração do poderio brasileiro assim que Carácas optasse por não intervir diretamente mediante o envio de armamentos convencionais como contra-peso, na consciência de que sozinha seu material bélico (ainda) se encontra inferior aos da nação brasileira, e consequentemente não haveria confronto direto contra o Brasil, ao passo que Chavez poderia também não estar disposto à obstruir ou enfraquecer sua escalada protagonista no continente desgastando seus recursos militares numa empreitada de atrito (uma vez que os mesmos são imperiosos para sustentarem sua escalada socialista, de cunho fundamentalmente militar, como será exposto abaixo). III) Chavez apostaria numa política de Bluff na tentativa de mascarar o real potencial de suas forças convencionais, encobrindo também o desgaste a que se sujeitaria sua escalada, oferecendo cobertura militar para a Bolívia e reforçando a intenção de protegê-la a qualquer custo. Nesse caso, uma crise se aprofundaria, mas sob a vantagem brasileira ao atrair bons olhares do poderoso irmão do norte: os Estados Unidos da América. Isso de fato poderia acontecer, mas me faço crer que a segunda situação seria a mais provável.

Não se trata de uma guerra no coração da América Latina, mas uma manobra de cunho militar como resposta aos abusos da nação silvícola contra extensões brasileiras naquele país (as indústrias nacionalizadas e agressivamente ocupadas por algumas quase-tropas). A medida não transformaria o continente num modelo próximo ao que se encontra o Oriente Médio jogando nossos vizinhos a um poço conflitante, incluindo a Venezuela, não se engajando de forma alguma num conflito direto, pelo mesmo motivo que Japão e China em hipótese alguma se confrontariam militarmente, ou seja, pelos motivos da grande e dinâmica interação econômica entre eles. Já é bem compreendido que guerra implica na exaustão de recursos e por consequência num certo entrave para as engrenagens de uma economia, assim como atesta Norman Angel. Mas reforço que não se trata de uma guerra para fins de capitulação ou para uma vitória destinada à imposição de termos ao governo silvícola, visando o estabelecimento de um status quo post bellum que transformasse o país em uma extensão territorial do estado brasileiro, mas tão somente um status quo ante bellum que reafirmasse o direito de propriedade sobre os objetos da política de nacionalização boliviana.

Contudo, hipoteticamente, apenas o Peru poderia oferecer uma resistência párea à resposta brasileira ao frangalho Evo "Imorales", já que dos países latinos é o único capaz de ombrear o Brasil em poder bélico. De qualquer forma, a resposta brasileira não eclodiria em guerra geral, nem mesmo local (contra os silvícolas), pois suas quase-tropas não poderiam sustentar qualquer barganha à determinação brasileira em afirmar seu direito.

Guerra é um conceito bastante longínquo do que se está discutindo e como já reforçado acima, muito improvável no cenário corrente. A guerra, em seu sentido amplo, na irrefutável definição de Clausewitz[2], nada mais é do que “um duelo em escala mais vasta, cada um tenta por meio da força física, submeter o outro à vontade; o seu objetivo imediato é abater o adversário a fim de torná-lo incapaz de toda e qualquer resistência. A guerra é, pois um ato de violência destinado a forçar o adversário a submeter-se à nossa vontade”. Não haveria que se falar em duelo estratégico e tático de guerra entre as nações brasileira e boliviana (muito menos entre várias nações latinas engajadas num embate). A Bolívia sozinha não poderia levantar qualquer barganha contra o direito brasileiro e tão pouco Venezuela, Peru ou Colômbia colocariam seus recursos militares em choque direito com o Brasil, nem mesmo arriscariam alimentar uma crise política no coração latino americano na disposição de armamentos destinados à escolta dos silvícolas bolivianos. Venezuela e Colômbia já enfrentam arrochos políticos ferventes demais no seio de suas sociedades para se darem ao luxo de peitarem ou mesmo tomarem partido (embora o fariam de uma forma indireta mediante incitações às massas a se mobilizarem).

Em momento algum me fiz inclinado para a defesa de animosidades conflitivas em embates sanguinários por intermédio de mobilizações militares, mas tão somente o uso sóbrio de uma gunboat diplomacy que por excelência significaria apenas a demonstração do potencial bélico de uma nação mais forte a uma outra mais fraca, a fins de fazê-la assimilar o poder com o qual ela esta lidando, ou seja, a intimidação imperativa de forças baseada na susceptibilidade das mesmas entrarem na devida atividade contra a outra nação, caso esta não assimile a determinação quanto aos direitos violados da primeira pela segunda. Consiste-se tão somente na adoção da chamada política de prestígio, bastante fluente entre o relacionamento das nações na política internacional. A guisa de uma fundamentação teórica, como preceitua Morgenthau[3], a política de prestígio tem por propósito “convencer outras nações do poder que seu país realmente possui – ou que ele acredita (oudeseja) que as demais nações suponham que ele detém”, tendo como base instrumental intermediária o cerimonial diplomático e (de maior interesse para este artigo) a exibição de força militar, cuja “manifestação da mesma serve para inculcar o poderio de uma nação sobre as demais”[4]. Muito embora, reforçando que isso não inclui a ausência das credencias diplomáticas entre o Brasil e Bolívia, a inflexibilidade por parte do governo boliviano faria com que a opção pela medida seria realmente plausível pelos motivos elencados acima e ainda, sobretudo, para apresentar um poder de contrapeso aos ímpetos militaristas do populismo chavista no continente latino americano (o qual escolta a veemência diplomática de Evo Morales).

A política internacional como ela é funciona do relacionamento entre nações protagonistas e coadjuvantes raciocinando constantemente, em sua essência, em termos estritamente voltados para o poder, com o poder e, sobretudo, pelo poder. O Brasil não poderia se esquivar desta importância (ainda que a ilusória e fictícia “comunidade internacional” na contemporaneidade, regida por um Direito Internacional universalmente ético, apoiado em leis missionárias em busca da criminalização da guerra e de uma paz legislada permanente, consiga se fazer impressionantemente acreditada), pois estaria se entregando à acomodação e à ociosidade política, ao passo que, renunciando desta realidade, estaria comprometendo sua própria segurança, ao lado de uma vizinhança amistosa. A balança do poder na América Latina vem sigilosamente sofrendo transformações a favor da proposta de um novo modelo político e econômico para o continente, o qual apresentaria a liderança de uma Venezuela triunfante em seu populismo socialista que arrastaria enormes contingentes de pobreza ludibriados pela promessa de igualdade e ávidos por revolução (em detrimento das expensas de um robusto bild-up militar continental).

Observem a atuação de Caracas em transformar a Bolívia em um pleno satélite alinhado à inteligência populista de Cuba e Venezuela na América Latina[5]. Hugo Chavez vem se encarregando de alterar o balancing of power latino americano consistentemente em manobras essencialmente de cunho militar, voltadas estritamente para esta finalidade[6]. O ambíguo acordo militar[7] selado entre Venezuela e Bolívia escancaram de forma clara como vem sendo processada a escalada venezuelana pelo continente, angariando o país silvícola como cabeça de ponte para os propósitos subversivos do populismo chavista que já ameaçam outros países latinos como o Paraguai, Peru e Chile. O perigo funda-se num acordo firmado em 26 de maio entre os dois países para a construção de mais de 20 bases militares na fronteira boliviana[8].

Contudo, perante o teatro da integração regional, o Brasil vem colocando a própria corda no pescoço ao negligenciar o aumento do poder venezuelano no continente ao deixar-se levar por uma aproximação nada produtiva com a Bolívia com a aprofundamento de uma relação de confiança mútua e de cooperação militar[9] e outras finalidades, dentre elas o mascarado combate ao narcotráfico[10]. (Não há interesse em combater tráfico de drogas, do contrário não haveria boicote às pretensões americanas em combatê-las e não haveria mais em que as economias bolivianas e colombianas se sustentarem). A aproximação boliviana ao governo brasileiro apenas concede vantagens à estratégia chavista na América Latina em transformá-la em um imenso playground para o socialismo ativista, no qual sem dúvidas Chavez sairia condecorado. É este o objetivo da integração da América Latina, consubstanciado e coordenado pelo eixo Havana-Carácas e em larga escala pelo Foro de São Paulo (criado pelo PT em 1990). O acordo militar entre Bolívia e Venezuela escondem esta faceta da integração, ao passo que a aproximação entre La Paz e Brasília apenas contribuem para que a balança do poder despenque para o eixo, uma vez que em nada significativo a Bolívia tem a oferecer ao Brasil em tecnologia ou conhecimentos em áreas militares.

E como o Brasil vem sendo afetado? A crise energética responsável por deixar o país submisso aos termos de uma nação tão fraca como a Bolívia (cuja economia não consegue um suspiro sem algo que venha de fora – exceto pelas vastas plantações de coca), já é um reflexo disso. A mão que os afaga vinda do desgoverno petista é a mesma que trata a questão sob uma ótica política por demais restrita, apenas como mero incidente sobre algumas refinarias de pouco efeito sobre a economia brasileira (muito embora os megacampos operados pela Petrobrás em San Alberto e San Antonio respondem por cerca de 80% do fornecimento do gás boliviano consumido pelo Brasil, sob o risco de um perigoso corte na distribuição pela iminência de um conflito separatista liderado pelo movimento denominado Nação Camba, que reivindica maior autonomia para uma parte do país, Meia Lua, que inclui o departamento de Tarija, esta responsável por mais de 90% do envio do gás natural aos dois países). A questão é muito mais ampla e transcende meros pormenores a serem resolvidas mediante negociatas entre os dois Estados – reflete um pequeno teor da desestabilização regional promovida pelo protagonismo vindo da inteligência de Caracas (por qual outro motivo Chavez proporia a militarização do Mercosul?). A sujeição brasileira à farra da nacionalização silvícola apenas denigrem o moral nacional (já inexistente por um patriotismo nulo) e avisam como o país será afetado em uma escala maior pelo showbis venezuelano, pois não haveria onde mais Evo “Imorales” buscar sustento para suas agressões e intimidações que não na escolta pelo poderio venezuelano, pois como já é bem sabido nas relações internacionais, segundo uma concepção morgenthaliana, nenhuma política externa pode ser afirmada sem um poder suficiente para garanti-la (a Bolívia não o possui, mas a Venezuela sim). Uma resposta de ordem militar contra o país silvícola serviria para mostrar a Hugo Chavez que sua farra no continente terá limites, caracterizando a primeira projeção brasileira a alcançar o patamar de um país sério, comprometido com a ordem, bem como o despertar da atuação moderadora de uma nação cuja posição geopolítica, dimensão, população e abundância em recursos naturais lhe conferem o título natural de liderança (mas é preciso acordar para ele). Por isso, a inteligentsia brasileira deverá raciocinar a questão em sua real natureza, ou seja, em termos de poder, pois é em busca dele e de sua maximização que o governo de Caracas está em obstinada busca, mas enquanto o pestismo enfiar a cabeça no próprio umbigo e tratar dos problemas com a Bolívia apenas em torno de picuinhas econômicas, a subversão continental continuará a dar largos passos em direção a uma união soviética latina. Mas quase me esqueço de que Lula da Silva criou o Foro de São Paulo e lá promove encontros o Hugo Chavez e Evo “Imorales” em conjunto com outros líderes e representantes de organizações compromissadas com a agenda socialista para a implementação de um novo modelo para a América Latina baseado em sua dita integração.

Que um partido messias ainda tome as rédeas desta nação; um se atenha ao realismo político dentro da política internacional, cujas regras giram em torno de relações de causa e efeito dentro de um plano dialético a que chamamos de equilíbrio de poder, no qual as nações raciocinam estritamente em termos de poder e onde atuam por intermédio das credenciais diplomáticas, não excluindo uma eventual utilização dos recursos militares, constituindo ambos os meios instrumentos da política externa de determinada nação e sustentados no potencial da mesma em realizar seu interesse nacional, consubstanciado na prudência racional da sua razão de estado – aquilo que de fato seria imperioso para o país, num determinado momento em que a engenharia da ciência política o submete a buscar providências incorporadas pela prudência e racionalidade.

[1] Ranking do Poder Militar na América do Sul – 2006/2007, disponível em: http://www.militarypower.com.br/frame4-ranking.htm, acesso em: 08/05/2007.

[2] CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 7

[3] MORGENTHAU, Hans. A Política Entre as Nações: A Luta pelo Poder e pela Paz. 6 ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, IPRI, 2003. p. 148-49.

[4] MORGENTHAU, Hans. A Política Entre as Nações: A Luta pelo Poder e pela Paz. 6 ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, IPRI, 2003. p. 158.

[5] La Satelitizacion de Bolívia, disponível em: http://www.defesanet.com.br/zz/al_bol_ven_1.htm, acesso em: 08/05/2007.

[6] Alarmas Militares, disponível em: http://www.defesanet.com.br/intel/crise_al_97.htm, acesso em: 08/05/2007.

[7] Acuerdo Complementario al Convenio Básico de Cooperación Técnica Entre la República de Bolívia y la República Bolivariana de Venezuela em Matéria de Defesa, acesso em: http://www.defesanet.com.br/y/acuerdo_militar.pdf, acesso em:08/05/2007.

[8] La alianza militar Chávez-Evo que complica a Chile, disponível em: http://www.defesanet.com.br/zz/al_bol_ven.htm, acesso em: 08/05/2007.

[9] Ejércitos de Bolivia y Brasil fortalecen confianzamutua, lazos de amistad y cooperación, disponível em: http://www.defesanet.com.br/america_latina/bolivia_ejercito.htm, acesso em: 08/05/2007.

[10] Ejército de Brasil profundiza confianza mutua,integración y cooperación con Bolívia, disponível em: http://www.defesanet.com.br/america_latina/bolivia_ejercito_1.htm, acesso em: 08/05/2007.