terça-feira, 12 de junho de 2007

A Putrefação Acadêmica Brasileira

Camuflado por uma empresa, o Estado brasileiro afirma sua posição absoluta da produção de bens e serviços justificados pela "justiça social". Os elevados custos de sua manutenção e expansão resultam na deteriorização de outros setores, dentre eles, a educação.


A Secretaria de Ensino Superior de fato é um empecilho, mesmo se tratando de universidades que, nas ciências humanas, representam quase toda a pseudo-intelectualidade esquerdista no país, pois nos entrega a verdade da deterioração política brasileira: o Estado Empresa.



Apoiados por cerca de 180 professores fieis dos maus encarados Sáder e Chauí, da Universidade de São Paulo, um turbilhão de alunos providenciam a anarquia aos estertores da instituição marxista (stalinista, talvez) por vias da brutalidade, farra e rebeldia, como bastiões característicos dessa invasão bárbara. O professor Elcio Abdalla, 53, fora vítima desses modernos canibais ao ter seu direito indisponível de ir e vir retirado pelas bestas que empilharam amontoados de carteiras por toda a instituição marxista. No momento, o estado de calamidade ao qual foi transformada a libélula acadêmica uspiana, exige e requer medidas de urgência quanto a uma “reintegração de posse” aos professores sérios para que o curso de aulas retorne à normalidade, direito sob o qual a polícia militar deverá agir e tomar as devidas medidas de pronto para a reorganização da Universidade. Contudo, que uma bendita Constituição ainda declare a inconstitucionalidade da putrefação do meio acadêmico brasileiro, providenciando ao Estado a legitimidade ativista de seu poder-dever para com a ordem e pacificação social.

Serra não pode ser separado da corja na qual se incluem os viciados em grandes doses de poder. A criação da Secretaria de Ensino Superior é apenas uma pequena amostra desta verdade, uma vez que o desgoverno mediante decretos e “remendas” constitucionais já são práticas viciosas das quais, sem as mesmas, o Brasil não consegue se arrastar (fato que constitui a real ausência de um equilibrado poder moderador no país, já que o mesmo é personificado por quaisquer partidos políticos que conseguem tomar as rédeas do poder, como explica Olavo de Carvalho[1] em seu artigo “o partido imperial”). Não importa se o secretário de Planejamento, Francisco Vidal Luna ou se o secretário de Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti fundamentam a disposição do governo Serra em exigir a prestação de contas das Universidades para com o Estado para fins de transparência no manejo de verbas pelas mesmas, já que a interferência estatal em assuntos nos quais deveriam manter intocável distância já vem sendo bastante malhada pelo petismo da Silva (cujo reflexo se faz claro no setor empresarial que se encontra sob sérias dificuldades em suprir e fomentar o mercado interno, no momento em que obstáculos intransponíveis, como as pesadas cargas tributárias a que estão sujeitos, se estabelecem contra os caminhos do crescimento da economia).
Estas medidas com fins de “transparência” em questões de natureza orçamentária, oriundas de órgãos, instituições e entidades públicas, são apenas necessidades sem as quais o Estado brasileiro não poderia sustentar sua República centralista, atrofiada pela sobrecarga de funções atribuídas ao governo federal, atendendo às disposições do texto constitucional socialista que por si estipula a vigência de um império de estruturas públicas a ministrarem aquilo que se entende por “justiça social”. A vigilância, neste caso, é pressuposto para sua existência, para o controle e fiscalização das enormes despesas geradas por estas estruturas.

A Secretaria de fato é um empecilho (mesmo se tratando de universidades como a USP, Unicamp e Unesp que, nas ciências humanas, representam quase toda a pseudo-intelectualidade esquerdista no país e todas as mazelas e danos conseqüentes à sociedade e suas instituições), pois nos entrega a verdade da deterioração política brasileira: o Estado Empresa – constituído e caracterizado pelo exercício do poder esmagador da União sobre suas demais esferas e entes políticos e administrativos. É ele, em si, a nefasta atuação de um Estado para além de suas responsabilidades e competências no âmbito federal, personificando um extended administrativo que condena toda a sociedade brasileira por sua sobrecarga de funções administrativas (motivo pelo qual sofre o ramo empresarial e com ele toda a economia), incorporando uma verdadeira empresa governamental que obriga as demais esferas administrativas constituídas pelos Territórios e Municípios a negociarem pelos termos absolutos da União.

À luz do artigo 966 do Código Civil Brasileiro temos que, verbis: “considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”. O Estado brasileiro infelizmente não pode ser compreendido desviculado deste teto conceitual, já que ele não é mais do que uma roupagem adaptada ao mesmo. Adaptação esta fundada no tão primordial objetivo estatal para com a esfera interna: a promoção do bem (mal) estar social. A receita para ela já é bastante conhecida e não necessita de muitos rodeios para sua explicação, pois que seus ingredientes constam de uma mistura entre tributarismo, fiscalização administrativa e gastança do dinheiro público, fazendo com que as verbas a serem aplicadas de cima pra baixo (do poder para a sociedade) necessitem de um controle aprimorado para que as dívidas do Estado não se inflamem a patamares insustentáveis. Entenda-se, nesse caso, que os investimentos retirados dos cofres públicos serão sempre as causas diretas para esse endividamento, pois quanto mais se desenvolvem políticas sociais, mais prédios para seu estabelecimento e gerência administrativa serão necessários e com eles mais despesas em recursos humanos e infra-estrutura (capenga) deverão ser custeadas. (Mais corrupção será plantada, pois esse tipo de câncer social tem como único habitat favorável para seu desenvolvimento os estertores destas estruturas prediais e suas diligências formais e informais).
O mal estar social promovido pelo Estado Empresa é mirabolantemente dispendioso e para ser amenizado (e nunca evitado) será sempre preciso apertar muitas rédeas curtas e controle fiscal e administrativo para a manutenção da “circulação de bens ou de serviços” públicos, claro. A criação da Secretaria do Ensino Superior consiste nesta coerência, ou seja, apertar ou tornar ainda mais curtas as rédeas atadas sobre a USP e o governo de São Paulo, evitando assim que aquela manuseie suas verbas captadas do último com a imprudência que o Estado Socialista de Direito não quer, uma vez que seus volumosos gastos, despesas, custos e dívidas públicas (acompanhadas por sua atuação soberba e absoluta em nossa sociedade, sob o pretexto constitucional da intocável providência da “justiça social”) já alcançam patamares por demais extrapolantes para que suas ramificações prediais manuseiem seus orçamentos gordurosos.

Esta atuação soberba e absoluta, personificada pelo Estado Empresa, baseia-se em dois setores primordiais vinculados a ele: a Administração Pública e a “Economia Pública”. Na primeira, o Estado empresarial garante a prestação de “serviços” ramificados e distribuídos à sociedade em inúmeros complexos organizados em torno de órgãos, autarquias, fundações e instituições destinadas à realização de suas funções designadas pela agenda assistencialista. O setor da “Economia Pública” engloba o ramo das empresas e indústrias responsáveis pelo fornecimento de “bens”, também voltadas para o estrito cumprimento de suas funções vinculadas a esta mesma agenda, desta vez reservando atribuições ao setor da economia a ser predominantemente protagonizadas por estes complexos remetidos à produção. É este imenso aparelho administrativo e econômico (que de econômico não tem nada) o responsável pelo gerenciamento dos investimentos públicos por todo o país (cuja parcela no PIB vem aumentando com o expurgo petista), retirados dos cofres públicos (Tesouro Nacional), o dinheiro dos brasileiros. O mesmo maquinário missionário[i] ainda dispõe de seu aspecto político, cuja fonte encontramos no artigo 18 da nossa Constituição Federal de 1988, tal qual estabelece que “a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios”.

Ao observarmos a hierarquia das esferas administrativas governamentais, que se estrutura num jogo de passa e repassa de verbas que partem primeiramente da União, repassando-as para os Estados que as repassam para os Municípios para redistribuí-las às prefeituras, órgãos e secretarias como um funil, veremos a formação de dois orifícios cujas extremidades farão um mar de verbas se transformarem em algumas gotas a se converterem em investimentos. Sob esta estrutura administrativa percebemos o quão a Constituição brasileira recai em obsolescência, no tocante à organização política do Estado e o quão a República brasileira carece de um federalismo que alivie as entranhas do poder tão fortemente concentradas na União. O presidente da IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), Gilberto Luiz do Amaral[2], nos fornece a prova de como as verbas são tão controladas e amarradas pela união, em detrimento dos Estados e Municípios, ao afirmar que as reformas “sempre aconteceram quando o governo não tinha mais como cobrir os gastos públicos e precisava aumentar a arrecadação”. Como assim? Bem, algumas mudanças ocorridas na Constituição de 1988 abriram maior espaço aos Estados e Municípios nos fundos de arrecadação, dando motivo para a União abocanhar maiores alíquotas sobre impostos como IPI, ICMS, PIS e Confins para compensar a maior captação de verbas pelas outras esferas políticas. Ora, mas são justamente os gastos públicos, as únicas causas para o endividamento estatal amarrado à agenda assistencialista, baseada nos programas e “políticas sociais” derivadas do governo (aliás, uma das essências que integram o funcionalismo do Estado Empresa, enquanto personificação providente da dispendiosa “função social” e única razão pela qual as privatizações são boicotadas e as empresas privadas cerceadas[ii]).

Se observarmos os gastos públicos e privado com a saúde, em 1998[3], vermos um bom exemplo concreto deste cerceamento empresarial, atropelado pelo projeto de poder socialista constitucional de aumentar os mandos governamentais sob o pretexto da realização de “justiças sociais”. Enquanto os planos orçamentários do governo federal abocanhavam para si a gorda parcela de 8,2% do PIB brasileiro, apenas a magreza de raquíticos 0,7% eram reservados às empresas privadas. Isso significa um total de 456,54 milhões contra 39,81 milhécos. Mesmo que em 1998 a presidência do Brasil fosse entregue a Fernando Henrique Cardoso, cujo governo não poderia deixar de ser rotulado de “entreguista”, caracterizado pelas boas privatizações do período, nossa Carta Magna fora é de 1988; e a seus princípios socialistas, qualquer governo deve se ajoelhar. No mais, enfim, o que significa o setor de saúde no Brasil representar seus 8,2% do PIB, senão o cabresto empacado do governo federal e sua obesidade mórbida, como reflexos de sua gula por poder, exercido e maximizado à medida que este estende por todo o país sua esfera de influência administrativa (pois assim quer a o texto constitucional e sua maldita “função social”).

Contudo, à luz das explanações ventiladas acima, o autor propõe as seguintes testes: o que aqueles responsáveis empresários públicos do Congresso Nacional têm a ver com a putrefação da instituição de ensino brasileira? Como exatamente José Serra, no poder do Estado de São Paulo, contribui para a calamidade do ensino público? Seria a má vontade e a corrupção dos políticos, que no jargão popular, todos “safados”? Não há sinais mais sutis como os que nos rodeiam dia a dia, no cotidiano dos brasileiros comuns, para nos serem fornecidas boas respostas para estas indagações. Sinais que são passados despercebidos ao declararmos nosso imposto de renda, ao se fazer uso de um plano de saúde público (ao se tirar uma simples guia para uma consulta médica), ao “nos beneficiarmos” com bolsas e programas custeados pelo governo (na verdade pelo assalto à classe média). Enfim, tudo o que o governo presta e paga às expensas do assalto a grandes parcelas da renda e poupança dos brasileiros na forma de impostos, taxas e diversas contribuições impostas por nosso Direito Bitributário.

Ora, o Estado enquanto mal necessário não pode se fazer absolutamente ausente, ora, por ser necessário para com sua competência e responsabilidade objetiva em torno da manutenção da ordem, paz e coesão dentro de uma sociedade, muito embora se qualifique de fato como um mal na consecução destes objetivos, por incluir restrições necessárias de certas liberdades (tais como dispostas e coagidas por lei). O coração do problema pulsa aqui: enquanto o Estado estende suas esferas de competência para além de sua razão mal de ser, incorporando, então, o poderoso faz-tudo Estado Empresa, a sociedade se vê, parafraseando Karl Popper, institucionalmente deteriorada (donde se inclui a putrefação acadêmica brasileira). Manipulador soberbo da “distribuição de bens ou serviços”, apenas angaria tal status quando o assistimos carregar consigo o pretexto da difusão da igualdade de fato (propaganda jurídica doutrinada); falsa promessa pela qual as massas se deixam ludibriar (pois seu conteúdo apaixonado torna-se irresistível para as massas), ficando implícito o consentimento da população ao governo esquerdista (ou seja, no Brasil, qualquer um) para a perpetuação do modus inoperandi da gastança para, pelo e do poder público em busca desta mentira. Todo o dinheiro Bitributado, quando não desviado aos milhões para algum banco insular, ou para fazer caixa 2 ou, na pior e mais fácil das hipóteses, financiarem ditadores e organizações paramilitares (petismo), ele será utilizado para a manutenção ou expansão estrutural do Estado Empresa e toda sua bagagem assistencialista dispendiosa – donde retomamos a dedução lógica de que a vastidão de instituições públicas espalhadas por todo o país, necessitam da devida manutenção constante, momento em que o governo produz suas dívidas públicas.

Nisso, sob um outro aspecto, toda a gama de programas vinculados à produção indiscriminada dessas “políticas sociais” que cobrem todo o país, apenas condenam a população a um estado vegetativo de pobreza permanente, perpetuando seu conformismo pedante aos estertores administrativos assentados, sejam eles provedores de bens ou serviços, vinculados ao Estado. Esses mesmos recursos destinados à caridade ou assistência de mesma natureza são de rápida consumação, fazendo com que enormes somas de verbas sejam queimadas na forma de investimentos no curto prazo, esvaziando os cofres públicos para investimentos que deveriam custear setores, geralmente, sob caso de urgência e estado de calamidade (como o de segurança – na ótica deste autor, a mais primordial responsabilidade do poder-dever do Estado). Resultado: levando-se em conta as proporções territoriais do Brasil e em igual proporção a sua população, cuja imensa parcela é representada pela pobreza, o Estado Empresa após condenar a imensa massa de pobres à esmola de seus serviços assistencialistas, precisará não apenas sempre engrossar a bola de neve tributária, como principalmente se espremer para fazer um excelentíssimo(?) uso das migalhas restantes de sua receita, destinadas agora para a putrefação da segurança, da saúde, economia e educação, todos encalhados. Para uma melhor ilustração, proponho uma analogia que poderá ser traçada entre o que preceitua o Estado Socialista de Direito em relação às suas responsabilidades para com “funções sociais”, aos dizeres do rei prussiano Frederico Guilherme I (1688-1740), em plena opulência centralista de seu tempo: “a salvação é assunto de Deus; todo o resto diz respeito a mim”. O Senhor da Silva poderia muito bem palavrear que ordem e segurança pública são assuntos de organizações criminosas e que todo o resto lhe diz respeito.

Mais especificamente, o único motivo pelo qual o ambiente acadêmico público é tão pútrido quanto outras instituições da mesma natureza, é porque, logicamente, haverão apenas migalhas para encherem a pança de ursos e leões vinculados ao Estado Empresa e espalhados pela sociedade brasileira na forma de estabelecimentos públicos (verdadeiros gargalos que mal param em pé[4]). E como a política de investimentos do governo, cumprida a agenda socialista, se baseia nas migalhas que sobraram se sindicatos ainda algazarram ruas, estudantes ainda protestam por melhoria da qualidade de ensino e educação, se pessoas morrem em filas quilométricas a espera de atendimento médico custeado, se os ônibus em São Paulo circulam em chamas, então só há uma situação a ser reconhecida de pronto pela população brasileira: a falência do Estado Empresa e com ela a revogação integral de seu estatuto constitucional socialista, bitributarista e hipócrita. Que sua refundação estabelecesse, de vez, como edifício sólido, preceitos conservadores, liberais (estritamente restritos à economia), federalistas, democráticos, judaico-cristãos e capitalistas. Mas isso é utopia para outra oportunidade.

Se a USP possui envergadura para permitir que ela seja organizada em mote estudantil contra a mão boba de José Serra, só há dois caminhos possíveis para compreendermos o sucedido: ou a USP não tem assimilado sua razão pública de ser, a qual postula que a manutenção de suas bases físicas captam dinheiro dos cofres públicos (preenchidos pelo bitributarismo), ao passo que a massa falida é responsável por praticamente todo o país, dispondo apenas de algumas migalhas para manter-se no estado de falência (cuja causa direta é atribuída às suas responsabilidades socialistas e sociais, ao congestionarem demasiadamente a Administração Pública, resultando nos entraves da super concentração de funções e exigindo, portanto, uma boa, firme e vigilante política de fiscalização orçamentária por parte de suas ramificações administrativas, ainda que por decretos como fez o governador); ou a USP ensaia para lançar-se no campo da desestabilização da paz e ordem da sociedade, ao lado do ativismo subversivo de movimentos políticos como o MST. A primeira hipótese é a de maior interesse para este trabalho: como uma sociedade inundada por castelos públicos agindo sob o argumento constitucional de estarem atendendo a certas “funções sociais”, sob a exaustão financeira governamental e acompanhada pela deterioração institucional de todo o país, poderá manter-se de pé (na triste maneira como ela é concebida) sem a constante interferência, fiscalização, coordenação e controle, seja em âmbito federal, estadual ou municipal? Como colocar a vigilância estatal na passividade quando a mesma é pressuposto para o governo saber se tudo está ocorrendo de acordo com seus preceitos constitucionais? Como deixar a USP e quaisquer outros tigres e leões fora do cerco? Sua natureza exige perfeitamente restrições de ordem orçamentária (decreto n.º 51.636, o qual determina a obrigatoriedade da inserção de dados no Sieafem) e menos liberdade e autonomia, assegurados pela Secretaria do Ensino Superior (criada com o decreto decreto nº. 51.460), passando a ser completamente compreensível metaforicamente que “Serra subiu a serra para serrar com a serra” (pois o governador não passa de um peão na tangência com as necessidades mais básicas do Estado Empresa a serem cumpridas).

A vigilância não poderá jamais deixar de ser a essência da política brasileira, seja em qualquer época, por qualquer partido uma vez que o master plan constitucional estabelece (santifica e benze) o leitmotiv da política estatal, na construção de uma verdadeira moral absoluta a ser venerada, socadas pelo Estado Socialista de Direito (Legislativo, Executivo e Judiciário), tal qual a realização de “justiças sociais” por intermédio de políticas sociais administradas por um maquinário público distribuído, que por sua vez depende do bitributarismo constante e seu conseqüente endividamento sodomista ao lado da corrupção agregada, incompetência e desmandos. Por isso é tão fácil compreender um caso isolado como o da USP se o vincularmos a essas premissas, no momento em que a mesma deverá dar satisfações de natureza orçamentária ao governador do estado de São Paulo. C’est la vie, mas de qualquer forma, c’est la mer.

Os decretos de José Serra foram pouca coisa para causar a anarquia estudantil e muito para o intervencionismo governamental como premissas para a vigilância de seu funcionalismo administrativo ativista na esfera interna. Se Serra devesse ser considerado de direita, por fazer jus à sigla PSDBista[iii], então vemos o quão a direita brasileira é realmente serva e vassala de uma democracia cujas engrenagens funcionam imprecisamente pelas mangas esquerdistas, ao ponto de nela se descaracterizar por completo. “Não vamos privatizar nada”, disse Alckmin, numa entrevista ao jornal O Globo[5], durante sua campanha para as eleições de 2006, “a Petrobrás, ao contrário, vamos prestigiar”, negando intimidado[iv] e amedrontado que pretendesse privatizar também o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Há no Brasil o ranço coletivista de que a educação deve ser exclusivamente pública, ou pelo menos que o ensino público seja de qualidade, mas seu estado de putrefação em inquestionável nitidez (paredes que ameaçam cair sob os alunos, banheiros sem qualquer higiene, falta de recursos para o sustento de cursos, tais como computadores para aulas de informática, professores mal ou não remunerados), indica o quão bem funcionam as engrenagens do Estado Empresa (falido) brasileiro. Ocupado por disponibilizar primordialmente “a circulação de bens ou serviços” por toda a sociedade no lugar do verdadeiro empresariado, a educação enquanto parte de suas inúmeras tarefas, poderá esquecer a ilusão por melhorias e qualidade, pois que seu estado vegetativo em permanente e perpétua putrefação oferece todos os indícios de sua incompetência e inépcia administrativa. A Secretaria do Ensino Superior não foge a esta realidade na qual os recentes eventos ocorridos na USP entregam a realidade de uma sociedade entulhada por quinquilharias estratificadas em depósitos de ferro velho despejadas pelo Estado empresarial. Se José Serra tem cerceado ou não liberdades, retirando ou não a autonomia das Universidades, isso realmente não importa, uma vez que a Universidade Sáder Paulista é pública e por isso capta verbas do Estado, que por sua vez travestindo-se de empresa política precisa, como já dito anteriormente, apertar as rédeas curtas.

Certa vez um colega de sala universitário do curso de Direito, em uma conversa, me colocou em cheque sob sua indignação para com o que eu havia lhe dito sobre o truque das nomenklaturas sociais propagandeadas pela erudição doutrinária do texto constitucional, que escolta o ativismo sindicalista e a depredação que o acompanha: “e o que você faria dando o sangue em um cargo público com um salário magro e sem uma vida digna, com toda uma família para criar? Eu lhe respondi, “não daria um pio sequer, pois eu e minha vida familiar estaríamos todos sob a bonança assistencialista de programas sociais que consomem meu sangue, meu emprego, meu salário e minha dignidade”.

[1] CARVALHO, Olavo de, O Partido Imperial, disponível em: http://www.olavodecarvalho.org/semana/040313globo.htm, acesso em: 24/06/2007.

[2] Mudanças já elevaram carga em 10 pontos, disponível em: http://www.fortestreinamentos.com.br/noticias.view.php?id=9107, acesso em: 08/06/2007.

[3] Gasto Público e Privado com Saúde – Brasil – 1998, disponível em: http://www.scielo.br/img/fbpe/ramb/v48n3/11826t2.gif, acesso em: 24/06/2007.

[4] Paredes rachadas, infra-estrutura capenga como computadores ultrapassados, ambiente de frustração em trabalho e encardimento (e mesmo ausência de higiene) são algumas das muitas características inerentes de órgãos públicos.

[5] Alckmin nega que vá privatizar a Petrobrás, disponível em: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2006/mat/2006/08/30/285475236.asp, acesso em: 03/05/2007.

[i] Pois a ideologia vinculada ao texto constitucional sobre “justiça social”, vem a ser a missão destinada ao Estado de Direito, cuja metodologia é a do intervencionismo e as grandes doses de poder que o acompanham (por isso a sede por ministérios e cargos a cada nova administração).

[ii] A privatização da Vale do Rio Doce sempre fora boicotada pelo argumento de que seu estado de falência originário, a que dera causa a sua privatização, se dera por uma administração ruim e jamais pelo sufoco estatal em mantê-la. É assim como o ambiente acadêmico enxerga a questão e, de modo geral, o brasileiro comum, tornando-se compreensível o inconsciente coletivo de que empresa privada é ruim e empresa pública é boa (para gerar despesas e corrupção).

[iii] A sigla PSDB, ainda assim, não é mais do que uma nomenklatura de característica nos moldes do antigo partidarismo socialista do século XIX e assim como o extinto SPD alemão, temos o nosso próprio Partido Social Democrata Brasileiro, mostrando que nossa República presidencialista dispõe tão somente de partidos socialistas de esquerda e espécimes bizarros configurados em “partidos socialistas de direita”.

[iv] O alarmismo demonizado, pela mídia esquerdista (e ainda mais revigorada pelo petismo), do instituto da privatização enquanto medida administrativa contra a sobrecarga de funções governamentais, em prol da competência e eficiência, se faz tão imaculado no “subinconsciente coletivo” que mesmo um suspiro em sua defesa poderia acarretar na mais profunda indignação popular, assim como ocorre mundialmente com o terrorismo climático promovido e financiado pela burocracia internacional do “aquecimento global”.

domingo, 13 de maio de 2007

"Com a Força do Povo"

10 de fevereiro de 1980, nasce o Partido dos Trabalhadores: projeto de poder arregimentado no fortalecimento e integração das forças e organizações desestabilizadoras da sociedade brasileira.



“O alicerce está pronto (para um segundo mandato), as paredes estão prontas, agora falta a madeira e o telhado.”

– Lula da Silva (no debate nas eleições de 2006).


Resumo: o Partido dos Trabalhadores em si consiste tão somente em fazer o país deixar de engatinhar para começar a dar passos maiores em direção ao master plan petista: atingir o “Estado Socialista de Estado” venezuelano.




O PT não apenas representa uma forte instituição mediadora entre as poderosas forças comprometidas com a desintegração e a dissolução da ordem vigente e algumas diligências voltadas para uma política de mercado mascaradas pelas políticas monetárias do BC (mesclando outros ingredientes como a recepção de Bush no Brasil e a promessa de uma economia sustentável), mas um verdadeiro establishment para a perpetuação do poder por vias democráticas. Em outras palavras, o PT estabelece um liame entre o sistema de mercado e a subversão da ordem. Este delay é uma simples interpretação da influência gramscista na América Latina, no aspecto de que o comunismo é apenas uma cobertura ideológica sobre as engrenagens capitalistas destinada à consecução de objetivos revolucionários. É esta a premissa maior da estratégia petista revigorada nestes oito anos de desgoverno, a mesma responsável por preparar e fomentar estas raízes revolucionárias na sociedade brasileira. São estas ingerências que representam o teto que abrigam e amamentam o crime organizado, o MST, o narcotráfico, a impunidade, a “sociologização” dos crimes hediondos, a legalização do aborto, a inimputabilidade silvícola, a incitação ao racismo da população de cor (estampado pela ministra Matilda Ribeiro) e muitos outros turbilhões que ainda incluem a escolta legal ao homossexualismo enquanto movimento agitador.

O principal elemento desta estratégia petista para a perpetuação do poder por vias democráticas, chama-se “impotência estatal voluntária”. Baseia-se na ausência de autoridade estatal perante os impetuosos movimentos desordeiros acima citados, ou seja, exaurindo o poder-dever do Estado de suas responsabilidades viscerais perante a manutenção da segurança, paz e ordem em sociedade. O elemento autoridade fora necessariamente substituído pelo elemento sociologia, cujo campo atua para criminalizar o poder-dever do Estado perante a desordem organizada agindo livremente pelo respaldo intelectual do ramo e pelo apaziguamento governamental. Peguemos como exemplo o MST, desnudado pelo Conselho Nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição[1] (TFP), Família e Propriedade, que “de fato, em pouco tempo deu mostras abundantes de ser um pernicioso movimento anti-social. As reintegrações de posse concedidas em série pelos Tribunais bem mostram o caráter ilegal do esbulho possessório praticado pelo movimento invasor.” E continua, “mas, por incrível que pareça, muitos governadores negam-se a cumprir essas ordens judiciais, ou então, protelam indefinidamente seu cumprimento”.

As vias democráticas são perigosas, pois são por suas naturais brechas que tais hospedeiros corroem as instituições de uma sociedade (por isso Churchill acerta ao enquadrá-la como o melhor sistema político dentre os piores). Não nos deixemos enganar seja por Lula da Silva divergir miúdos com Hugo Chave ou Evo “Imorales”, seja pelo Der Spiegel[2] considerá-lo “herói dos pobres, queridinho dos mercados financeiros”, pois o Partido dos Trabalhadores em si consiste tão somente em fazer o país deixar de engatinhar para começar a dar passos maiores em direção ao master plan petista: atingir o “Estado Socialista de Estado” atuante nos países daquelas duas estrelas bolívares (dentre outros vizinhos). Com esses grupos desordeiros não se negocia, não se escolta, não se apazigua, mas se combate com rispidez e inflexibilidade (pois suas premissas partem de termos absolutos e em objetivos por si mesmos inegociáveis), uma tarefa e uma responsabilidade quase impossível de ser praticada sem que seja taxada de reacionarismo quando se observa o indelével respeito à sociologia uspiana no mundo da semi formação acadêmica e intelectual, ao mesmo tempo em que a polícia é desmoralizada e mascarada pela mídia (escancaram abusos de policiais como o apelidado Rambo, como se delegacias fossem escolas de tortura, além de demonizar a proteção a agriculturas ameaçadas e destruídas pela selvageria mascaradamente “sem terra”).

Ao apaziguar sociologicamente e politicamente organizações movidas naturalmente pelo motim, o governo dá sua monta para fortalecer o pedantismo pela “justiça social” e “segurança social” a serem entregues por vias de uma super burocratização estatal. Concomitantemente à “impotência estatal voluntária” para o fortalecimento de tais forças cada vez mais algozes contra a paz social e quaisquer respostas vindas de outras esferas partidárias em defesa da mesma e contrárias à missão petista, está a falácia do enfraquecimento da segurança da população em geral assegurada pela Lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (regulamentada pelo Decreto 5.123 de 01 de julho de 2004), conhecida como Estatuto do Desarmamento. Desarmando a população, privando-a da defesa contra a vida e a propriedade, e exaurindo a responsabilidade do poder-dever do Estado para com a seguridade pública, oito anos de petismo serão mais que suficientes para amamentar as forças subversivas organizadas, para finalmente solidificar os alicerces do “Estado Socialista de Estado” que entrará em perfeita atividade quando nossa sociedade entrar em erupção (cujos soluços vemos com clareza no Rio de Janeiro e na grande São Paulo sendo tragada pela calamidade). Quando o estado de caos atingir proporções insuportáveis, ao se alastrar e se enraizar nas entranhas da sociedade brasileira com firmeza, o pedantismo das massas por “segurança social” e “justiça social” serão num certo ponto tão intensos que suas preces serão atenciosamente ouvidas e prometidas pela supremacia do “Estado Socialista de Estado” solidificada, mediante a performance imperial de suas estruturas públicas destinadas a realizar todas as nomenklaturas “sociais”, por vias do vasto aparato estatal estabelecido e constituído por inúmeras repartições, órgãos, empresas, ministérios e secretarias públicas, movimentando-se através da corrupção facilitada (pois de onde mais ela provém, senão desses ambientes consumidos por fraudes[3], nepotismo e inépcia?) e supridas pelos impulsos tributaristas para tão somente gerar um montante, cuja porcentagem seja preponderante no PIB, destinado à manutenção de suas toneladas.

Em contrapartida, o excelente trabalho que vem sendo feito pelo TFP, fundada em 1960, na grande São Paulo, tendo como ícone o nobre batalhador pelo conservadorismo brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira[4], oferece ainda boas, porém modestas, esperanças quanto a uma fervorosa defesa patriótica pelas tradições culturais da nação brasileira, esculpidos por nossa história e pelos bastiões dos valores ocidentais, arregimentados no catolicismo judaico-cristão, na prevenção de serem impetuosamente implodidos e subvertidos pelo burocratismo socialista. Este sem margem de dúvidas o objetivo final da estratégia petista, ou seja, o assento de uma gigantesca máquina estatal administrativa enxurrada por edifícios públicos encardidos. Seria o status que o Brasil atingiria no vislumbre daquilo que precisamente acontece na ditadura cubana, na Venezuela chavista e agora na Bolívia: o deleite imperial de uma administração estatal, soberba e absoluta sobre qualquer coisa a ser definida, a qualquer tempo e lugar, como de “interesse social”, para que a burocracia socialista pague a “justiça social” por meio do poder pelo poder, da corrupção inflamada, mandos e desmandos (pois afinal de contas, esta é a “função social” das coisas).

Um segundo elemento embutido no primeiro, e último, da estratégia petista vem de certa forma vinculado ao marketing populista do “com a força do povo”. O que seria esta força popular a qual o Partido dos Trabalhadores se apóia e fez de sua propaganda eleitoral o carro chefe de seu partido? Bem, o Brasil é um país em desenvolvimento e, portanto possui ainda muitos pobres e por isso não há habitat melhor para os ratos de esquerda agirem. As massas não dominam o linguajar da economia ou da política, e por consequência são facilmente ludibriadas pelas falsas promessas socialistas associadas a conceitos morais universais embutidos em terminologias e expressões que enchem discursos de oradores engajados em vender o paraíso da igualdade de fato.

De certa forma, enfim, talvez o leitor venha a incluir este autor no rol dos sonhadores e ilusionistas, mas dele não escapará a realidade caótica dos fatos que contornam e se apresentam à sociedade brasileira, com a qual trabalhei buscando tão apenas torná-los inteligíveis a uma previsão que vem se demonstrando palpável e realizável, partido de uma linguagem discursiva simples, desprezando uma erudição pomposa a fundamentar uma visão de cunho geral, mas contextualmente fundamentada e conexa a esta realidade. Faço proposta, portanto, a um exercício reflexivo sob os olhos atentos e não a simples capitulação de uma verdade (inconveniente), sem trairmos a modéstia de Karl Popper de que somos perseguidores da verdade e não seus possuidores, mas de certa forma aceitando a extravagância esteticista de Oscar Wilde de que “o verdadeiro mistério do mundo são as coisas visíveis, não as invisíveis”.




[1] Em Defesa da Unidade Nacional Ameaçada pelo MST, disponível em: http://www.lepanto.com.br/notTFP.html, acesso em: 13/05/2007.

[2] Der Spiegel, disponível em: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2220402,00.html, acesso em: 13/05/2007.

[3] Exame da OAB em Goiás é cancelado após descoberta de fraude, disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL35514-5604,00.html, acesso em: 13/05/2007.

[4] Plínio Corrêa de Oliveira, disponível em: http://www.tfp.org.br/fundacao.asp, acesso em: 13/05/2007.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

O Castramento da Bolívia

Bolívia: posição geográfica estratégica a serviço do populismo desestabilizador e do socialismo militarista venezuelano.



A política como ela é, dispensa julgamentos sustentados em premissas moralistas e verdades imutáveis, portanto vejamos as correntes intimidações do governo silvícola boliviano contra a nação brasileira, sob uma ótica realista e racional. Mas sonhemos um pouco (ou melhor, muito), digamos que o Brasil possua uma direita conservadora predominante e que ele não seja vítima de turbilhões desordeiros, como MSTs, PCCs, Foro de São Paulo, etc. Uma mobilização de forças e recursos militares brasileiros contra o território boliviano, numa manobra de demonstração de poder perante as afrontas e agressões do nacionalismo silvícola, apresentaria uma série de aspectos positivos para o Brasil:

1) O Brasil perdeu uma grande oportunidade para demonstrar seu poder e liderança no continente sul americano. Uma mobilização de efetivos militares contra o pífio poderio da nação boliviana faria com que o governo brasileiro ganhasse o devido respeito externo de estar dando seus primeiros passos para a responsabilidade de um país sério, compromissado com os interesses de sua nação;
2) Quanto à questão de um assento permanente no CSNU, o Brasil daria maiores passos para consegui-lo, pois demonstraria a intenção de capacidade de contribuição ao lado das cinco potências permanentes, com seu ativismo militar contra agressões externas que exigissem medidas desta natureza na defesa de seus interesses;
3) Ganharia maior credibilidade em atrair investimentos na medida em que demonstra ao mercado investidor seu compromisso com a ordem, ao deixar implícita a recusa em juntar-se às agitações socialistas da esquerda latina americana;
4) Seria a opção por uma política de prestígio destinada a atrair olhares mais respeitosos de outras nações importantes, com a simples demonstração de quem é o responsável por colocar ordem no próprio território e no continente no qual se destaca.
5) O Brasil afirmaria a disposição em manter sua preponderância militar sobre a América Latina[1], uma vez que nenhuma nação vizinha poderia ombrear uma empreitada militar e superar a nação brasileira em efetivos bélicos no curto e médio prazo (desde que o país se comprometa a fazer um upgrade de suas forças, atenta à possibilidade no longo prazo da perda de sua liderança).

As conseqüências externas poderiam ser previstas de duas seguintes maneiras (a primeira bastante improvável): I) o governo boliviano receberia a escolta imediata por parte da Venezuela chavista com fins conflitivos, quando provavelmente pouco se importaria em optar por vias diplomáticas ao observar um Brasil desalinhado dos esquemas e estratégias agendadas para a subversão do continente pelo populismo socialista venezuelano. II) A Bolívia capitularia a demonstração do poderio brasileiro assim que Carácas optasse por não intervir diretamente mediante o envio de armamentos convencionais como contra-peso, na consciência de que sozinha seu material bélico (ainda) se encontra inferior aos da nação brasileira, e consequentemente não haveria confronto direto contra o Brasil, ao passo que Chavez poderia também não estar disposto à obstruir ou enfraquecer sua escalada protagonista no continente desgastando seus recursos militares numa empreitada de atrito (uma vez que os mesmos são imperiosos para sustentarem sua escalada socialista, de cunho fundamentalmente militar, como será exposto abaixo). III) Chavez apostaria numa política de Bluff na tentativa de mascarar o real potencial de suas forças convencionais, encobrindo também o desgaste a que se sujeitaria sua escalada, oferecendo cobertura militar para a Bolívia e reforçando a intenção de protegê-la a qualquer custo. Nesse caso, uma crise se aprofundaria, mas sob a vantagem brasileira ao atrair bons olhares do poderoso irmão do norte: os Estados Unidos da América. Isso de fato poderia acontecer, mas me faço crer que a segunda situação seria a mais provável.

Não se trata de uma guerra no coração da América Latina, mas uma manobra de cunho militar como resposta aos abusos da nação silvícola contra extensões brasileiras naquele país (as indústrias nacionalizadas e agressivamente ocupadas por algumas quase-tropas). A medida não transformaria o continente num modelo próximo ao que se encontra o Oriente Médio jogando nossos vizinhos a um poço conflitante, incluindo a Venezuela, não se engajando de forma alguma num conflito direto, pelo mesmo motivo que Japão e China em hipótese alguma se confrontariam militarmente, ou seja, pelos motivos da grande e dinâmica interação econômica entre eles. Já é bem compreendido que guerra implica na exaustão de recursos e por consequência num certo entrave para as engrenagens de uma economia, assim como atesta Norman Angel. Mas reforço que não se trata de uma guerra para fins de capitulação ou para uma vitória destinada à imposição de termos ao governo silvícola, visando o estabelecimento de um status quo post bellum que transformasse o país em uma extensão territorial do estado brasileiro, mas tão somente um status quo ante bellum que reafirmasse o direito de propriedade sobre os objetos da política de nacionalização boliviana.

Contudo, hipoteticamente, apenas o Peru poderia oferecer uma resistência párea à resposta brasileira ao frangalho Evo "Imorales", já que dos países latinos é o único capaz de ombrear o Brasil em poder bélico. De qualquer forma, a resposta brasileira não eclodiria em guerra geral, nem mesmo local (contra os silvícolas), pois suas quase-tropas não poderiam sustentar qualquer barganha à determinação brasileira em afirmar seu direito.

Guerra é um conceito bastante longínquo do que se está discutindo e como já reforçado acima, muito improvável no cenário corrente. A guerra, em seu sentido amplo, na irrefutável definição de Clausewitz[2], nada mais é do que “um duelo em escala mais vasta, cada um tenta por meio da força física, submeter o outro à vontade; o seu objetivo imediato é abater o adversário a fim de torná-lo incapaz de toda e qualquer resistência. A guerra é, pois um ato de violência destinado a forçar o adversário a submeter-se à nossa vontade”. Não haveria que se falar em duelo estratégico e tático de guerra entre as nações brasileira e boliviana (muito menos entre várias nações latinas engajadas num embate). A Bolívia sozinha não poderia levantar qualquer barganha contra o direito brasileiro e tão pouco Venezuela, Peru ou Colômbia colocariam seus recursos militares em choque direito com o Brasil, nem mesmo arriscariam alimentar uma crise política no coração latino americano na disposição de armamentos destinados à escolta dos silvícolas bolivianos. Venezuela e Colômbia já enfrentam arrochos políticos ferventes demais no seio de suas sociedades para se darem ao luxo de peitarem ou mesmo tomarem partido (embora o fariam de uma forma indireta mediante incitações às massas a se mobilizarem).

Em momento algum me fiz inclinado para a defesa de animosidades conflitivas em embates sanguinários por intermédio de mobilizações militares, mas tão somente o uso sóbrio de uma gunboat diplomacy que por excelência significaria apenas a demonstração do potencial bélico de uma nação mais forte a uma outra mais fraca, a fins de fazê-la assimilar o poder com o qual ela esta lidando, ou seja, a intimidação imperativa de forças baseada na susceptibilidade das mesmas entrarem na devida atividade contra a outra nação, caso esta não assimile a determinação quanto aos direitos violados da primeira pela segunda. Consiste-se tão somente na adoção da chamada política de prestígio, bastante fluente entre o relacionamento das nações na política internacional. A guisa de uma fundamentação teórica, como preceitua Morgenthau[3], a política de prestígio tem por propósito “convencer outras nações do poder que seu país realmente possui – ou que ele acredita (oudeseja) que as demais nações suponham que ele detém”, tendo como base instrumental intermediária o cerimonial diplomático e (de maior interesse para este artigo) a exibição de força militar, cuja “manifestação da mesma serve para inculcar o poderio de uma nação sobre as demais”[4]. Muito embora, reforçando que isso não inclui a ausência das credencias diplomáticas entre o Brasil e Bolívia, a inflexibilidade por parte do governo boliviano faria com que a opção pela medida seria realmente plausível pelos motivos elencados acima e ainda, sobretudo, para apresentar um poder de contrapeso aos ímpetos militaristas do populismo chavista no continente latino americano (o qual escolta a veemência diplomática de Evo Morales).

A política internacional como ela é funciona do relacionamento entre nações protagonistas e coadjuvantes raciocinando constantemente, em sua essência, em termos estritamente voltados para o poder, com o poder e, sobretudo, pelo poder. O Brasil não poderia se esquivar desta importância (ainda que a ilusória e fictícia “comunidade internacional” na contemporaneidade, regida por um Direito Internacional universalmente ético, apoiado em leis missionárias em busca da criminalização da guerra e de uma paz legislada permanente, consiga se fazer impressionantemente acreditada), pois estaria se entregando à acomodação e à ociosidade política, ao passo que, renunciando desta realidade, estaria comprometendo sua própria segurança, ao lado de uma vizinhança amistosa. A balança do poder na América Latina vem sigilosamente sofrendo transformações a favor da proposta de um novo modelo político e econômico para o continente, o qual apresentaria a liderança de uma Venezuela triunfante em seu populismo socialista que arrastaria enormes contingentes de pobreza ludibriados pela promessa de igualdade e ávidos por revolução (em detrimento das expensas de um robusto bild-up militar continental).

Observem a atuação de Caracas em transformar a Bolívia em um pleno satélite alinhado à inteligência populista de Cuba e Venezuela na América Latina[5]. Hugo Chavez vem se encarregando de alterar o balancing of power latino americano consistentemente em manobras essencialmente de cunho militar, voltadas estritamente para esta finalidade[6]. O ambíguo acordo militar[7] selado entre Venezuela e Bolívia escancaram de forma clara como vem sendo processada a escalada venezuelana pelo continente, angariando o país silvícola como cabeça de ponte para os propósitos subversivos do populismo chavista que já ameaçam outros países latinos como o Paraguai, Peru e Chile. O perigo funda-se num acordo firmado em 26 de maio entre os dois países para a construção de mais de 20 bases militares na fronteira boliviana[8].

Contudo, perante o teatro da integração regional, o Brasil vem colocando a própria corda no pescoço ao negligenciar o aumento do poder venezuelano no continente ao deixar-se levar por uma aproximação nada produtiva com a Bolívia com a aprofundamento de uma relação de confiança mútua e de cooperação militar[9] e outras finalidades, dentre elas o mascarado combate ao narcotráfico[10]. (Não há interesse em combater tráfico de drogas, do contrário não haveria boicote às pretensões americanas em combatê-las e não haveria mais em que as economias bolivianas e colombianas se sustentarem). A aproximação boliviana ao governo brasileiro apenas concede vantagens à estratégia chavista na América Latina em transformá-la em um imenso playground para o socialismo ativista, no qual sem dúvidas Chavez sairia condecorado. É este o objetivo da integração da América Latina, consubstanciado e coordenado pelo eixo Havana-Carácas e em larga escala pelo Foro de São Paulo (criado pelo PT em 1990). O acordo militar entre Bolívia e Venezuela escondem esta faceta da integração, ao passo que a aproximação entre La Paz e Brasília apenas contribuem para que a balança do poder despenque para o eixo, uma vez que em nada significativo a Bolívia tem a oferecer ao Brasil em tecnologia ou conhecimentos em áreas militares.

E como o Brasil vem sendo afetado? A crise energética responsável por deixar o país submisso aos termos de uma nação tão fraca como a Bolívia (cuja economia não consegue um suspiro sem algo que venha de fora – exceto pelas vastas plantações de coca), já é um reflexo disso. A mão que os afaga vinda do desgoverno petista é a mesma que trata a questão sob uma ótica política por demais restrita, apenas como mero incidente sobre algumas refinarias de pouco efeito sobre a economia brasileira (muito embora os megacampos operados pela Petrobrás em San Alberto e San Antonio respondem por cerca de 80% do fornecimento do gás boliviano consumido pelo Brasil, sob o risco de um perigoso corte na distribuição pela iminência de um conflito separatista liderado pelo movimento denominado Nação Camba, que reivindica maior autonomia para uma parte do país, Meia Lua, que inclui o departamento de Tarija, esta responsável por mais de 90% do envio do gás natural aos dois países). A questão é muito mais ampla e transcende meros pormenores a serem resolvidas mediante negociatas entre os dois Estados – reflete um pequeno teor da desestabilização regional promovida pelo protagonismo vindo da inteligência de Caracas (por qual outro motivo Chavez proporia a militarização do Mercosul?). A sujeição brasileira à farra da nacionalização silvícola apenas denigrem o moral nacional (já inexistente por um patriotismo nulo) e avisam como o país será afetado em uma escala maior pelo showbis venezuelano, pois não haveria onde mais Evo “Imorales” buscar sustento para suas agressões e intimidações que não na escolta pelo poderio venezuelano, pois como já é bem sabido nas relações internacionais, segundo uma concepção morgenthaliana, nenhuma política externa pode ser afirmada sem um poder suficiente para garanti-la (a Bolívia não o possui, mas a Venezuela sim). Uma resposta de ordem militar contra o país silvícola serviria para mostrar a Hugo Chavez que sua farra no continente terá limites, caracterizando a primeira projeção brasileira a alcançar o patamar de um país sério, comprometido com a ordem, bem como o despertar da atuação moderadora de uma nação cuja posição geopolítica, dimensão, população e abundância em recursos naturais lhe conferem o título natural de liderança (mas é preciso acordar para ele). Por isso, a inteligentsia brasileira deverá raciocinar a questão em sua real natureza, ou seja, em termos de poder, pois é em busca dele e de sua maximização que o governo de Caracas está em obstinada busca, mas enquanto o pestismo enfiar a cabeça no próprio umbigo e tratar dos problemas com a Bolívia apenas em torno de picuinhas econômicas, a subversão continental continuará a dar largos passos em direção a uma união soviética latina. Mas quase me esqueço de que Lula da Silva criou o Foro de São Paulo e lá promove encontros o Hugo Chavez e Evo “Imorales” em conjunto com outros líderes e representantes de organizações compromissadas com a agenda socialista para a implementação de um novo modelo para a América Latina baseado em sua dita integração.

Que um partido messias ainda tome as rédeas desta nação; um se atenha ao realismo político dentro da política internacional, cujas regras giram em torno de relações de causa e efeito dentro de um plano dialético a que chamamos de equilíbrio de poder, no qual as nações raciocinam estritamente em termos de poder e onde atuam por intermédio das credenciais diplomáticas, não excluindo uma eventual utilização dos recursos militares, constituindo ambos os meios instrumentos da política externa de determinada nação e sustentados no potencial da mesma em realizar seu interesse nacional, consubstanciado na prudência racional da sua razão de estado – aquilo que de fato seria imperioso para o país, num determinado momento em que a engenharia da ciência política o submete a buscar providências incorporadas pela prudência e racionalidade.

[1] Ranking do Poder Militar na América do Sul – 2006/2007, disponível em: http://www.militarypower.com.br/frame4-ranking.htm, acesso em: 08/05/2007.

[2] CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 7

[3] MORGENTHAU, Hans. A Política Entre as Nações: A Luta pelo Poder e pela Paz. 6 ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, IPRI, 2003. p. 148-49.

[4] MORGENTHAU, Hans. A Política Entre as Nações: A Luta pelo Poder e pela Paz. 6 ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, IPRI, 2003. p. 158.

[5] La Satelitizacion de Bolívia, disponível em: http://www.defesanet.com.br/zz/al_bol_ven_1.htm, acesso em: 08/05/2007.

[6] Alarmas Militares, disponível em: http://www.defesanet.com.br/intel/crise_al_97.htm, acesso em: 08/05/2007.

[7] Acuerdo Complementario al Convenio Básico de Cooperación Técnica Entre la República de Bolívia y la República Bolivariana de Venezuela em Matéria de Defesa, acesso em: http://www.defesanet.com.br/y/acuerdo_militar.pdf, acesso em:08/05/2007.

[8] La alianza militar Chávez-Evo que complica a Chile, disponível em: http://www.defesanet.com.br/zz/al_bol_ven.htm, acesso em: 08/05/2007.

[9] Ejércitos de Bolivia y Brasil fortalecen confianzamutua, lazos de amistad y cooperación, disponível em: http://www.defesanet.com.br/america_latina/bolivia_ejercito.htm, acesso em: 08/05/2007.

[10] Ejército de Brasil profundiza confianza mutua,integración y cooperación con Bolívia, disponível em: http://www.defesanet.com.br/america_latina/bolivia_ejercito_1.htm, acesso em: 08/05/2007.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A Vanguarda Setentista Brasileira


União Democrática Nacional: a efêmera UDN foi o único partido verdadeiramente conservador com o qual a República brasileira pôde contar em sua história.





Resumo: Essa tirania militar foi assim taxada justamente porque foi ela a se posicionar de frente à subversão quando as tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas, em 31 de março de 1964, em defesa desses estratos sociais, das tradições e valores judaico-cristãs, do patriotismo e da ordem.


De fato fomos conquistados nas décadas daquele breve século XX, uma conquista sem guerra, no momento em que o Brasil abriu suas portas ao comunismo ao meio daquele cenário de crise política marcada desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961 e com a posse do vice João Gulart naquele mesmo ano. Com todo o cenário político brasileiro abarrotado, não houve melhor momento para a organização das camadas populares e de trabalhadores se mobilizarem, em plenas animosidades armamentistas da "Guerra Fria", alimentada pela passageira URSS (ver "Um Stalin Desconhecido" de Zhores Medvedev, cuja documentação revelada pelo autor mostram este louco já preparava planos de preponderância sobre toda a Europa - logo, planos de preparo para a "Guerra Fria" - já em 1941, quando a Alemanha invadiu a Rússia). Como ficariam os estratos sociais brasileiros que sustentavam a caminhada para prosperidade da sociedade, revestidos pela classe média, pela classe empresarial e pelo Cristianismo católico? A intervenção da União Democrática Nacional (UDN), juntamente com o PSD, veio como contrapeso às ameaças de uma sovietização brasileira, assombrada pela iminência de um golpe comunista no país e evitar sim, que o Brasil se tornasse uma maquete soviética nos modelos de Havana, Praga, Varsóvia ou Pyongyang. A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” de 19 de março de 1964, foi a mais autêntica manifestação contra a subversão comunista no Brasil e não escondia as profundas insatisfações geradas pelo governo de Jango, o responsável por abrir brechas às camadas embriagadas pela promessa do paraíso socialista propagada por Moscou.

A conservação da ordem exige sim autoridade e vigilância. Foram estas as premissas aderidas pelo governo militar iniciado por Castelo Branco, em 1964-67. O turbilhão agitador demonstrava força e intrepidez iam de greves, agitações e paralisações de fábricas, cujos métodos coordenados pelos estudantes idealistas da UNE incluíam assalto a bancos e seqüestros a embaixadores. A formação de grupos guerrilheiros (partisans), como o MR-8 e a ALN foram extremos estabelecidos no seio da sociedade brasileira.

Não é preciso muito esforço para compreender a conquista da mentalidade de jovens e idealistas brasileiros durante essas décadas. Os países da América Latina em geral foram países que festejaram e aplaudiram desde 1917, a Revolução de Outubro (Fevereiro no calendário russo) dos bolcheviques sobre os czares. Não apenas países latinos, como também foram calorosamente aplaudidos mundialmente: todos os países industrializados destinados à prosperidade, ou pelo menos a caminho dela, foram estremecidos, onde quer que houvessem trabalhadores (unidos pela profecia de um paraíso marxista em substituição integral ao capitalismo). No caso do Brasil, esse mesmo sonho não poderia deixar de incitar, instigar e impulsionar grossos contingentes populares a marcharem (e guerrilharem) contra a ordem capitalista e a paz social. Extremos pedem extremos, portanto os Atos Institucionais devem ser enxergados como medidas de contraponto (baseadas na autoridade e vigilância) aos ímpetos subversivos das massas ludibriadas pela propaganda do comunismo soviético.
Hobsbawm que retire suas palavras ao inocentar a União Soviética do espírito de cruzada na Era dos Extremos, ainda que em 1962 o mundo estivesse à beira da catacumba nuclear por iniciativa dos soviéticos, por aqui toda uma geração brasileira a contemplaram como o milagre do século e se lançaram ao “Destino Manifesto”. Apenas uma pergunta absurda: seria correto que toda uma sociedade em seus estratos sociais permanecesse estática, inerte e moribunda em estado de temor, sem a escolta de ninguém ou qualquer coisa que lhes pudessem oferecer proteção, abandonadas à mercê de revolucionários incendiários? Essa tirania militar foi assim taxada justamente porque foi ela a se posicionar de frente à subversão da vanguarda setentista brasileira, cuja arte era o comunismo, quando as tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas, em 31 de março de 1964, em defesa desses estratos sociais, das tradições e valores judaico-cristãs, do patriotismo e da ordem. Se foi ela uma ditadura ou não, agradeçam pelo Brasil não ter se tornado ontem um satélite alinhado à União Soviéitca e hoje uma Cuba, Venezuela e Coréia do Norte juntas.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

É a História, imbecil


Black Panther Party: com a incitação ao racismo negro na administração petista, não estará longe de vermos no Brasil a edificação do nacionalismo das camadas de cor da população que são a imensa maioria. A estratégia é política e visa o mesmo ativismo, no longo prazo, do movimento sem terra na sociedade brasileira.



“A reação de um negro, de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural(...)”;
”Acho melhor ter brancos ressentidos, mas negros dentro da faculdade, do que ter branco feliz e negro fora da faculdade”;

- Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilda Ribeiro, do Partido dos Trabalhadores.



Resumo: Não se contentando em manipular conceitos morais os militantes socialistas agora querem controlar o testemunho imparcial da História, para inseri-la em suas jogatinas populistas.


Para onde vai a História?

História, seu testemunho ao longo dos séculos são indelegáveis, irrenunciáveis e imprescritíveis. Que o mundo sempre carregara o ranço da escravidão, isso é verdade. Mas, quão absurdo é vermos sua imparcialidade ser desrespeitada pela manipulação ideológica do racismo como pretexto para a perpetuação da incriminação daqueles que vieram ao mundo com o pigmento que lhes deram uma pele clara, em qualquer época, em qualquer lugar. Bem, o brilhante historiador Ricardo Luiz Silveira da Costa mostra, a guisa de exemplo, que A Expansão Árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai, entre os séculos VII e XVI faz justiça ao testemunho imparcial da História: “sabemos que, já a partir do século IX, uma confederação de tribos berberes sob o comando de Tilutan (836-837) – os lemtunas, os mesufas e os djoddalas – conseguiram impor sua autoridade sobre vários grupos negros e negro-berberes instalados ao redor de um povoamento chamado Awdaghost, que ficava bem no centro da região do Baixo Senegal”[1].

E o que dizer sobre a escravização ser uma instituição histórica estabelecida mesmo antes de quaisquer civilizações constituídas por uma população branca, como as primeiras que se constituíram na Crescente Fértil (situava-se num triangulo entre a Ásia Menor, Golfo Pérsico e o Egito, envolvendo parte da Mesopotâmia e os rios Tigre, Eufrates, Jordão e o grande Nilo), a começar de impérios como o egípcio (cujo povo não poderia ser considerado de pele clara) que edificaram seu tour de force sob vastas empreitadas escravistas? E que dizer de outras civilizações assentadas no Oriente Médio que realizaram feitos semelhantes, muito anteriormente aos egípcios, aos gregos, romanos e europeus, como os Sumérios, os Acádios, Amorritas, Assírios, Caldeus? Que dizer sobre os assírios, cujos métodos de guerra não incluíam apenas o aprisionamento dos derrotados como também a ferocidade em aniquilar pelo prazer sanguinário – ainda hoje praticado - muito diferentemente do que contam as vitórias gregas nas guerras médicas contra o numeroso exército Persa, adquiridas com maestria, lucidez técnica, tática e estratégia? E quanto às guerras medievais travadas pela luta cristã contra a islamização ocidental (evitada graças à Carlos Martel, na Batalha de Poitiers, em 732), quando a impetuosidade militar islâmica contava com inúmeros guerreiros negros e berberes? Só há apenas uma resposta: é a História, imbecil.

Não há que se falar na hipócrita obrigação de povos para com outros povos que no passado utilizaram da violência militar para escravizar e edificar seus gloriosos impérios (como vimos o bom senso jogado no lixo[2], com o reconhecimento brasileiro de uma tal dívida histórica para com povos africanos). Por que não falar sobre dívida histórica com iraquianos de nosso tempo para com os israelenses, por terem na Antiguidade promovido a destruição do Templo de Jerusalém dos antigos hebreus pelos caldeus (que ficaram conhecidos como neobabilônios) e por colocá-los em cativeiro na Babilônia (587 a.C.), destruírem seus feitos e condená-los à Diáspora? Tudo isso não passa de trapaça. Trapaça daqueles que querem condenar outros povos mais prósperos por não conseguirem ombrear a prodigiosa capacidade de providenciar riqueza e abundância, jogando suas catarses e frustrações contra a felicidade alheia.

Ainda com respeito a Ricardo Costa, sabemos também que a presunção hipócrita em emitirmos quaisquer julgamentos morais acerca de quaisquer fatos consumados numa época remota, em que as relações sociais e comportamentais dos homens estiveram vinculadas a uma moralidade intrínseca ao período em questão, equivale a julgar, em algum tribunal inglês, os restos mortais de Jack, o estripador, se fossem encontrados pela Scotland Yard.

Não há maior estapafúrdio em julgar o passado baseando-se em reflexões morais no presente – cujos contextos sociais contrastantes em duas épocas diferentes revelam tão somente a enorme distância entre a realidade vigente de um período dono de uma gama de acontecimentos já consumados em seu tempo, ao longo do percurso natural da dialética que traçam os caminhos da evolução cultural –, e o período no qual onde podemos situar o presente como destino final deste percurso, intermediário, não obstante, do futuro vindouro. Isso caracteriza a constância das transformações a que estão sujeitas as relações sociais entre os homens, fazendo com que a verdade não seja estática, absoluta e presa a um grupo de profetas apocalípticos – como foi e quis a ideocracia soviética até dissolver-se pela fixação obstinada de uma verdade universal socialista elaborada -, mas susceptível de uma mutabilidade que a torne digna de sua incansável busca pela humanidade, correspondendo e corroborando com seu desejo por natureza de prosperar. Talvez fosse com demasiada elegância que um ser pensante em pleno século XXI condenasse com imensurável veemência os hunos, os ostrogodos, visigodos, lombardos, vândalos, germanos e escandinávios por suas migrações em meados do século V d.C., mais conhecidas como invasões bárbaras, responsáveis por dilacerar o império romano ocidental e espalharem o terror caótico sob aterrorizantes pilhagens no Velho Continente. Mas este mesmo indivíduo não deixaria de recair na mais profunda fossa da ridicularidade ao se esquecer do contexto social do meio sob o qual o homem medieval vivia (por isso a verdade de que o Homem é produto do meio em que se estabelece, pronunciada por Silvio Romero, é uma interpretação seca do testemunho imparcial histórico, enquanto que esteia sua máxima como fenômeno conseqüente da evolução cronológica moral dentro das comunidades).


Leitmotiv Politicamente Correto – um projeto de poder nacional

Reconhecer e endossar a patifaria de que os brancos espalharam o terror sob a Terra sem antes olhar o que a História testemunha imparcialmente, é realmente corroborar para com a fanfarra do Estado Socialista de Direito que incendeia a paz social na defesa de “liberdades” que gradativamente esfacelam a conservação dos bons costumes e valores (apenas quando não existem rightwings para obstruírem a atividade corrosiva dos leftwings). São “liberdades” como a legalização do aborto, de substâncias entorpecentes, da aberração homossexual em destruir tradições cristãs como o casamento entre um homem e uma mulher sexualmente normais, que são o exemplo de pautas adotadas pelos leftwings.

A questão racial não poderia ser diferente já que utilizar do jargão de que os negros não gozam de oportunidades para estudarem, trabalharem e entreterem-se, vai de encontro com o viés da “justiça social” – o prato cheio e predileto na cozinha da esquerda para engrossarem a obesidade estatal, sob as receitas do tributarismo, estatização/nacionalização e intervencionismo mesclado das porcarias keynesianas (claro, se é pelo “social”, com a “força do povo”, as massas não terão dificuldade em morder a isca ao caírem na ciranda cirandinha do combate à pobreza através da falsa realização de uma falsa “justiça social” por meio dos métodos que deixam os burocratas vermelhos tão satisfeitos no poder).

Com a manipulação do que é ou não racismo pela criação da inútil Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, temos na verdade a incitação e o estímulo aos negros brasileiros a se sentirem mais iguais perante seus semelhantes de pele mais clara, cuja constatação é percebida nas declarações da ministra Matilda Ribeiro.

Mas é preciso reconhecer que o PT vem agindo com maestria na concretização dessas pautas (que em âmbito regional vemos o Foro de São Paulo o cérebro da subversão latina americana, reunindo organizações criminosas e produzindo resoluções para coordenarem a implementação de um dito “novo” modelo para o continente), uma vez que a incitação à população de cor, que por sua vez são inquestionavelmente predominantes no Brasil, a se sentirem com maior destaque na sociedade sobre a parcela minoritária de pele clara, o que não tardaria por induzir à uma possível edificação moral sob uma espécie de nacionalismo negro alinhado aos idealismos do Estado Socialista de Direito. Seu ativismo nacionalista seria similar à virulência do movimento gay internacionalizado como veículo de pressão às democracias ocidentais[i], bem como ao vandalismo do MST, não destruindo granjas, mas organizando-se em movimentos fortemente engajados por uma causa ligada a um intrépido nacionalismo de cor no seio da sociedade brasileira, sustentados na captação do passado histórico da escravidão em sincronia com uma solidariedade pela “mãe África” e suas mazelas, no momento em que o ódio à pele mais clara viesse a se tornar sua política.

É assim que os brasões e emblemas constitucionalistas da justiça necessariamente “social” fazem das abstrações “politicamente corretas” e idealistas tão populistas e identificadas pela demagogia esquerdista, porque sua sublime promessa por igualdade e fraternidade seduzem as massas para as trilhas do socialismo e do jogo burocrático do paternalismo estatal, pois inconscientemente reconhecerão nele o mediador para o falso paraíso prometido, ao passo que líderes de legendas partidárias aparecem com gula, esganação e avidez por ministérios, secretarias e cargos de influência.

A idéia de “justiça social” é apenas um soquete ideológico para seduzirem o eleitorado a perpetuarem seus votos nas eleições consecutivas a favor, claro, do vírus esquerdista (hospedado também em partidos ilusoriamente declarados de direita, pois que se a coligação PSDB/PFL o fosse na fiel íntegra, não se deixariam abater pela demonização das privatizações e pelo assistencialismo lulista, e o Sr. Alkmin teria desmascarado Zé Lula com energia e convicção para toda a população brasileira, mostrando-as como o torneiro mecânico endivida e sobrecarrega o Estado de funções com suas “políticas sociais” e comprime a economia pelo monopólio de empresas públicas não abrindo espaço para empresas privadas – observando o enorme desempenho obtido de empresas privatizadas e que se desvincularam da matriarca Petrobrás, como a Petroflex, a Copesul, Comgás, dentre outras – ao passo que deixaria nosso Macunaíma de cuecas se nos debates mostrasse o que o petista faz no Foro de São Paulo junto a organizações criminosas e guerrilheiras e os líderes que as alimentam). Resultado: as massas ludibriadas pela promessa assistencialista dará seu pedaço de queijo a cada quatro anos para estas raposas políticas, que garantirão a perpetuação de seu poder, mesmo quando não estiverem no poder. Pois pelas próprias vias democráticas afrouxadas[ii], serão (são) semeadas as sementes e regadas as raízes que tornam o Brasil, de fato, um país sem qualquer espaço para um Hayek, um Misses ou um Churchill brasileiro. Raízes como Movimento “Sem Terra”, Primeiro Comando da Capital, sociologização uspiana do crime, e sementes como o abortismo, a legitimação e legalização de aspectos contidos no movimento homossexual (entenda-se gays, lésbicas, sadomistas e pedófilos), a pressão contra a Igreja Católica e a incitação racista às comunidades de cor, são simples ramificações derivadas da abstração chamada “justiça social” como estrutura ideológica central para a corrosão dos valores ocidentais familiares, judaico-cristãos e nacionais na busca do conseqüente assento do comunismo em nossa própria versão nacional e continental.

Matilda Ribeiro sabe disso, e sabe que sua impunidade por tamanhas injúrias tranquilamente declaradas é devida somente ao fato de que suas palavras são acobertadas por esta mesma abstração (gostaria de ver a Xuxa reproduzi-las em favor dos caucasianos). Seu racismo declarado, então, torna-se política de boa vizinhança. Nisso, o teor de suas declarações não deixam a perspectiva de um possível retorno dos Black Panthers em sua versão brasileira absolutamente fora da realidade, tão pouco absurdas.

Para melhor ilustrar o que este autor se propõe a explicar, peguemos como exemplo o livro de Michael Moore publicado em 2001. The Stupid White Men é uma crítica ao governo americano sob a administração Bush. Ainda que se trate de um contexto crítico ao governo americano (o que não é nem um pouco estranho anti-americanismo ser quase um espectro moral) o título do livro goza da total segurança em estampar, numa metonímia distorcida, o “estúpido homem branco” por ser uma apologia acobertada pelo maniqueísmo do homem branco ser mau e o homem negro bom, como produto da formulação de conceitos “politicamente corretos” pelos oradores esquerdistas, num mecanismo que manipula a imparcialidade da História para a perpetuação desta imagem projetada entre o carrasco e a vítima (na afirmação e perpetuação de dívidas dos primeiros para com os segundos). Logo, o título “O Estúpido Homem Branco” é uma construção moral deste maniqueísmo que se apóia contra o carrasco (branco), enquanto que um título estampado pelas palavras “O Estúpido Homem Negro” seria imediatamente uma desconstrução moral por efeito deste maniqueísmo, pois que postularia contra a imagem identificada na projeção da vítima (negro).

Mas não façamos rodeios. O que Matilda Ribeiro tem em comum com o “politicamente correto” que a salvou de agonizar anos de reclusão inafiançável? Ela tem traços de descendência negra, portanto suas declarações são benzidas por um racismo “politicamente correto” e ainda goza de prerrogativas como ministra de um partido missionário de boas causas “politicamente corretas”, que por intrigante coincidência tem afinidades com outras causas mais que “politicamente corretas” vindas e absorvidas de fora.

Não se contentando em manipular conceitos morais, “justiças sociais”, o que é ou não “politicamente correto”, a definição de racismo (bastante racista), os militantes socialistas agora querem controlar o testemunho imparcial da História, para inseri-la em suas jogatinas populistas que fazem das massas ludibriadas, quando não, em casos extremos, encolerizadas e enfurecidas, seu principal objeto para suas manobras políticas. Isso não é desestabilizar a ordem? Deixarei que os atentos respondam.



Leitmotiv politicamente correto – um projeto de poder internacional do século XXI

No escopo das relações internacionais, uma série de fatores presentes na política internacional (que tentarei elencar aqui com objetividade), característicos da globalização como fenômeno impresso nas engrenagens do capitalismo, e orquestrados pelo mote ideológico de oradores do liberalismo político (cosmopolita), atuam como verdadeiros presságios apocalípticos envoltos desse cosmopolitismo.

Oradores estes que no Brasil inflamam obras ao estilo de um Joaquim Nabuco[3], o qual ostenta em sua visão histórica do abolicionismo brasileiro quase uma epilepsia de orgasmos palavreados em busca de conceber à exaltação da liberdade do negro, com o fim da escravidão, esta imagem “politicamente correta” como fruto deste mecanismo maniqueísta ao qual recai, consciente ou inconsciente, sua expressão intelectual.

O mesmo mecanismo também é utilizado para revestir a imagem do bem incondicional à militância homossexual mudialmente organizada, enquanto que o mal incondicional é atribuído àqueles que preferem a heterossexualidade – o conceito de homofobia funciona para esta construção.

Numa visão mais ampla de tudo, o conservador já é o mal incondicional enquanto que o liberal (de esquerda) é o bem incondicional: a imagem da política mundial para uma dita “comunidade internacional”[iii] reflete os crivos deste mecanismo, uma vez que as massas munidas de sua opinião pública[iv] não assimilam termos técnicos de uma linguagem pragmática, racional, empirista e sóbria (como já explicou, Thomas sowell[4], O Rancor da Esquerda), mas são boas em capitular uma linguagem inflamada revestida por brados de ordem e termos instigantes insuflados por algum ideal apaixonado.

Na Europa o problema é bem mais sério: esse sistema maniqueísta vem sendo empregado na fixação de uma vitimização estereotipada atribuída ao Islã contra os próprios conterrâneos naturais do velho mundo, cumprindo etapas gradativas de um processo de aculturação cristã. Bat Ye’Or em Eurabia: The Euro-Arab Axis explica como a Europa desde 1967 vem se implodindo desde o estabelecimento de uma política pró-árabe iniciada na França de Charles De Gaulle, que levou mais tarde a um Euro-Arab Dialogue (EAD) que, segundo a autora, por demanda das comunidades árabes, os países da comunidade européia deveriam fomentar o sentimento anti-americano, ao passo que a cultura árabe é recepcionada em detrimento da cultura européia. Sem embargo, o que fará, sem margens de erro, um rush à islamização do velho continente será, engenhosamente, a entrada da Turquia na União Européia (que já se constitui numa maquete de um cosmopolitismo integrado regional; um ensaio para a construção universalista onusiana), o que facilitará um pesado assento demográfico do califado e consigo suas premissas absolutas[v] hasteadas do livro único (Corão).

A Dinamarca, um dos ícones da beleza ocidental em liberdade, foi manchada quando o cartunista Kurt Westergaard teve que se esconder depois do clérigo califa Maulana Yousaf Qureshi ofertar pela morte de qualquer dos “infiéis” que reproduziram o rosto de Maomé, contando apenas com seu ministro das relações exteriores, Per Stig Moeller, que se resumiu a embelezar que “o Islã é uma religião de paz, misericórdia e perdão”, segundo a BBC Brasil[5] (ainda que dezenas de pessoas morressem pela selvageria islâmica). Nenhum ocidental, nenhum civil livre e civilizado detonou embaixadas quando o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, em doentia resposta, abriu concursos para charges do Holocausto judeu[vi].

Minto sobre a resposta doentia. O libanês Faiz Mohammed nos dá a prova viva do quão doente é um indivíduo proveniente do tumor cultural que assim o transformou, ao declarar em uma conferência na Sydney australiana que mulheres sob pouca roupa, convidam homens a estuprá-las. Sharon Lapkin[6] analisa a onda de estupros promovidos por grupos islâmicos no mundo livre e como este crime racial manchou países civilizados como Suécia, Noruega, França, Austrália: pela passividade de autoridades que se resguardaram omissas ao se tratar de uma questão racial (islâmica).

Munidos pelo estereótipo da vitimização, eis como o islâmico frustrado é ao mesmo tempo o estereótipo do negro escravizado, do homossexual agredido, da abortista cerceada, do silvícola incapaz, da feminista excluída, do ecologista altruísta, do revolucionário idealista, de tudo o que é “politicamente correto”. Eis que o mecanismo empregado pelas vísceras (left) liberais personifica um projeto de poder per se.


Para onde foi a História?

Como já bem sabemos pelos ensinamentos de Maquiavel que imortalizou a ciência política como campo autônomo, ao legar a visão interpretativa do animal político que é o Homem de que ela é somente, absolutamente, passível de qualquer juízo, seja qual for sua natureza crítica, quando dos seus resultados práticos sua engenharia técnica e racional, em termos de poder, obtiver uma ejaculação ou uma diarréia institucional. Ou seja, se dessa maestria prática serão deduzidos a prudência ou não. Mas esta ciência política já caducou, pois que sua inteligência sóbria adentrou os séculos XX e XXI exaurida dessa engenharia emérita, por força do brado humanitário subseqüente às catástrofes anunciadas de 1914 a 1989, que a condenou à abdicação de sua auto-avaliação de seus resultados finais e subseqüentes: seus resultados devem se adequar a premissas pré-estabelecidas e premissas devem ditar seus resultados pré-estabelecidos, eis como hoje ela está confinada a ser apedrejada por antecedentes que controlam circunstâncias. Eis como ela se tornou “politicamente correta”.

Para onde foi a História? Não sei. Sei apenas que “a única lição da História é que os homens se recusam a aceitar as lições da História”. Bernard Shaw está politicamente incorreto. Logo, ele está certo. A História apenas conta o que os homens nasceram para fazerem: política, porque “o homem é um animal político por natureza” (parlas Aristóteles, parlas!). Mas a despolitização do homem contemporâneo é um assassinato à justiça de seu testemunho milenar, restando apenas a esperança dos “homens políticos” persistirem contra a criminalização de sua essência, de sua natureza humana e de seu direito em buscar, com seu espírito intrépido e desbravador, o primado de sua realização dentro do próprio universo em que se fazem submersos constituído por forças perenes enraizadas nesta essência. Que estes “homens políticos” desbanquem a love politics e façam justiça à real politics, seja nas relações internacionais demonstrando que o estado de paz não se diferencia em nada do estado de guerra, uma vez constituírem em ambos a gama de instrumentos com que dispõem os estados nacionais para conduzirem suas próprias políticas externas. Que desbanquem a propaganda do falso paraíso da igualdade vendida pelo partidarismo militante da esquerda (utilizada para legitimarem seus meios intervencionistas administrativos em busca de mais poder e influência).

Fomentando boas esperanças, que refaçam justiça à História: que permaneçam para sempre politicamente incorretos.

[1] COSTA, Ricardo da, A Expansão Árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (séculos VII – XVI) – Segunda Parte, disponível em: http://www.ricardocosta.com/pub/imperiosnegros2.htm. Acesso em: 16/04/2007.

[2] CADEMARTORI, Lindolpho, O Bom Senso Jogado no Lixo, disponível em: [http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3403. Acesso em: 16/04/2007.

[3] NABUCO, Joaquim, O Abolicionismo: Intérpretes do Brasil, vol. 1, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. 21.

[4] O Rancor da Esquerda, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5801&language=pt, acesso em: 23 de Julho de 2007.

[5] Dinamarca: Al-Qaeda vai explorar crise das charges de Maomé, disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/02/060220_alqaedachargesmb.shtml, acesso em: 01 de Agosto de 2007.

[6] LAPKIN, Sharon. A Epidemia do Estupro Étnico, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4508, acesso em: 01 de Agosto de 2007.
[i] A democracia tem sua fama de ser realmente o melhor dos piores sistemas políticos, reproduzindo a visão churchilliana, pois ao mesmo tempo que assegura direitos indeléveis, corre o risco de ser por meio deles trucidada por aqueles que gozam de suas liberdades. Como uma falha num sistema operacional, Hitler obteve sua ascensão ao poder em 1933 (depois de abandonar as manobras agressoras de bando, tática que empregou no início de sua escalada) manobrando as liberdades e direitos políticos da República de Weimar (1919), até conduzir a Alemanha ao III Reich. Eis porque as democracias liberais necessitam do conservadorismo, pois que um governo liberal de esquerda fará manobras políticas para afrouxar ainda mais as fendas de uma democracia sob o viés da liberação extrema, enquanto que um staff conservador de direita busca tapá-las, conservando o que é vital para os valores nacionais e liberando até onde as liberdades não suplantem os deveres.

[ii] Numa democracia (sobretudo a brasileira) a facilidade com que direitos se sobreponham aos deveres se faz até onde algum legislador messias ore por um projeto lei escorado em alguma prepotência moral extravasada de algum coitadismo coletivo. A exemplo, o PL 122/06 (lei anti homofobia), Lei 6.001/1973 (Estatuto do Índio) e o estabelecimento de quotas.

[iii] Pois que o mundo configurado por nações Estado, cada uma com suas cores nacionalistas atuando sob seus respectivos interesses políticos, não aproximam da idéia equivocada de formarem uma comunidade integrada.

[iv] Apesar de constituir-se em uma das áureas democráticas, a opinião pública do cidadão leigo, instigada pela imprensa e outros meios de comunicação semelhantes de seu país (afastando ainda a idéia absurda de uma “opinião pública mundial”), é consequência da democratização do fin de siècle (XIX) e, portanto, um dos elementos que devem ser inseridos nos cálculos racionais do staff político.

[v] Daniel Pipes adverte quanto a importância de os ocidentais apoiarem muçulmanos moderados contra a inflexibilidade extremista e universalista islâmica. Ver, Bolstering Moderate Muslims, disponível em: http://www.danielpipes.org/article/4426, acesso em: 01 de Agosto de 2007.

[vi] Grande parte do mundo árabe se recusa a reconhecer o Holocausto a que foi condenado milhões de judeus durante a II Guerra Mundial, alegando sê-lo um instrumento político ocidental para apoiar o Estado de Israel (dispensa-se mais comentários).

terça-feira, 10 de abril de 2007

O Homem sem Mãos



Posso pensar, mas não posso fazer;
E na incapaz agonia de um gesto meu;
Como quem queria tanto, quando jovem, tudo poder;
Oh! Homens livres, que dizer?

Mas no insalubre desespero deste fatigante estado de manada;
Ainda me resta a crista capaz em lhes observar;
Do Maas ao Memmel em alguma rapsódia, ali, da Prússia, contemplar;
Lá, onde uma bela vida foi, pela História, recontada.

O Grande general reuniu a montaria em sua terra,
Abraçou a Silésia, desceu a Bohemia e desbancou a duquesa;
Sete anos de espetáculo, sete anos de guerra;
Uma verdadeira ode à alegria, à espera por 1870,
Quando um outro general concebeu esta certeza
(Uma atroadora união; que proeza!)

Espasmo. Abro os olhos e desperto para a malvada realidade;
Rapidamente olho assustado para os punhos e sinto tato;
Palmas, dedos, polegares, articulações, tudo verdade.

Pena. Fugiu fugaz, não estou em nenhuma Brandemburgo do passado.
Nada disso posso aqui vislumbrar e nem a estes mitos lá me juntar.
Resta-me a conformação. Sou o homem massa e o homem coletivo, jamais indivíduo;
E tragado pela massificação, sou o homem sem mãos.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Hiroshima e Nagasaki: duas cidades que salvaram o mundo - Parte II


Devastação desumana: o perecimento quase total de Hiroshima e Nagasaki colocou em teste todos os limites da capacidade de destruição de uma possível guerra nuclear, mas os verdadeiros heróis sobre o algoz soviético são suas almas que ali foram silenciadas.





Uma cortina de ferro fechou-se sobre o front. Não sabemos o que está acontecendo por trás dela. [...] Entrementes, a atenção de nossos povos estará concentrada em infligir castigos à Alemanha, hoje prostrada e em ruínas. Em pouquíssimo tempo estará ao alcance dos russos avançar para as águas do mar do Norte e do Atlântico, se eles assim desejarem.

Winston Spencer Churchill – Memórias da Segunda Guerra Mundial



Resumo: Não fosse a rendição nipônica em 1945, aos escombros do horrível sacrifício de duas de suas maiores cidades, hoje estaríamos sob o jugo de uma única bandeira vermelha.



Dedicatória

A lavra deste trabalho é dedicada ao perecimento das almas silenciadas, ao sofrimento e a bravura de um povo, cuja riqueza cultural e intrepidez guerreira, lhes deram forças louváveis para reconstruírem sua grandeza das cinzas.


“Once upon a Time in 1945”...

O último ano da segunda grande guerra que quebrou paradigmas e transformou sociedades. O nazismo entrelaçava-se com o III Reich ainda vivo e pulsante apenas na figura desgastada do Fürher e já completamente fora de sua realidade. Salvo por alguns plenipotenciários que ainda sentiam o calor da chama do nacional-socialismo, ao estarem perto de seu líder, ali, nas divisões e cômodos da estrutura decadente do Bunker[1], como Joseph Goebbels e Karl Dönitz, momento em que uma mensagem havia sido passada: por seis anos aquele povo inflamado e intrépido, em sua história, advertira o mundo sobre seu temperamento patriótico num sonho por vingança, glória e conquistas, mas que definhava-se a cada palmo adentrado pelos exércitos aliados, no coração da Alemanha. Era o começo do fim de atrocidades aterradoras, junto ao sonho de uma Deutschland über alles e de um Weltreich que morria em corpo e alma na sucateada Luftwaffe e na dissidência de personagens como Heinrich Himller e Albert Speer, bem como outros compromissados na conspiração contra Hitler, cujo organizador principal viria a ser Stauffenberg.

Porém, muito embora o réquiem nacional-socialista e suas catarses devam ser mencionadas de passagem, o que de fato importa com o encerramento do teatro da grande guerra mundial é tão somente o que diz respeito ao avanço soviético (pós Stalingrado), em países que serviram de base para o assento da “cortina de ferro” no coração da Europa, ou seja, o foco estratégico no longo prazo dos anos subseqüentes à Untergang[i] alemã. Foco este que fizeram da “guerra desnecessária” (assim denominada por Churchill) uma guerra imperiosa quanto aos fatos que levaram à escalada nazista que gradativamente pisoteava a auto castrada Liga das Nações (motivo que levou o político conservador britânico Anthony Éden a renunciar, em 1938, ao cargo de ministro para os Assuntos da Liga, quando assistiu uma Alemanha impune e o facismo italiano desfraldar sobre a Etiópia), cuja importância reside na sobriedade, prudência e bom senso político e estratégico. Lacunas que agravaram os vinte anos de crise intermediários a 1919 e 1939. Enquanto a love politics – impregnada nos princípios da Liga, no gabinete a serviço de Sua Majestade do indiferente Lord Baldwin, na Inglaterra, no temor dos “Galos” franceses – servisse o camarote de Hitler ao meio de seus preparativos, a power politics imperialista alemã somente viria a ser reconhecida pelos apaziguadores de Versalhes quando da Conferência de Munique foi celebrado o acordo da mentira, em que toda a Tchecoslováquia (não apenas a região dos Sudetos, como estabelecido no acordo) fora abocanhada pela Blitzkrieg alemã, até que o mesmo fim se estendesse para a Polônia, fim em 1939. (Apesar de o Plano Schlieffen ter sido elaborado em 1905 para uma guerra rápida de dois fronts, em 1914, os preparos de Hitler para a Europa também consistiram numa espécie de “guerra relâmpago” que buscasse neutralizar a frente ocidental, assegurada pela rápida capitulação francesa passando novamente pela Bélgica, para enfim executar o impetuoso Angriff contra o front soviético, na frente oriental).

Mas, dispensando detalhes, tais lacunas não vieram a se manifestar na estratégia militar dos Aliados durante a grande guerra, graças ao gênio de figuras como Churchill e Dwight Eisenhower, na condução de manobras estratégicas como a operação Tocha, Suserano e os planos de ocupação à Normandia no “Dia D”. Contundo, não é possível dizer o mesmo quanto à visão política ao termino das hostilidades alemãs, ainda sob a incondicional resistência de uma das vertentes do Eixo: o Japão. O país se mantinha encolerizado sob o repúdio a qualquer solução pacífica que viesse a implicar numa rendição ou qualquer submissão a quaisquer termos de paz. Nem mesmo é possível dizer com total segurança que os Aliados detinham uma ampla visão estratégica nos anos finais da grande guerra, quando, a guisa de exemplo, o desembarque anfíbio da operação Suserano ocorreu pelo estreito de Gibraltar, na França, e não no Istmo de Istria, no extremo Adriático, dominada por Trieste, na Itália. Esta empreitada faria com fosse aberto um corredor pelo Passo de Liubliana, rumo à Áustria e a Hungria, para o avanço militar à Berlim, fazendo com que os efetivos militares estabelecidos no norte africano, provenientes da Operação Tocha (que sufocou por fim o Afrika Corps do general Erwing Rommel), fossem melhor utilizados na mobilização direta para os países balcânicos, em sincronia com os desembarques na Normandia, como previu a maestria estratégica de Churchill[2]. Isso faria com que os Aliados chegassem a Viena antes do Exército Vermelho soviético (que vinha expulsando os alemães de seu território, batendo em retirada da batalha de Stalingrado) abrindo a possibilidade de semear a liberdade aos países na porção balcãnica do continente, no exercício da soberania de seus respectivos povos, a exemplo das democracias ocidentais. Mas não foi o que aconteceu, já que o general Eisenhower e Roosevelt se sentiram mais atraídos pela operação Dragão[ii] (o desembarque anfíbio na Riviera francesa, ao sul do país, liderada pelo general Wilson). Os chefes do Estado-Maior norte americano se fizeram relutantes em percorrer os Bálcãs para atingir a Alemanha, já que o governo de Vichy, na França, ainda mantinha tropas alemãs no país, cuja resistência se demonstrou tão pífia que seria preferível o envio de tropas diretamente à Eisenhower, como auxílio à operação Suserano na Normandia (“Dia D”), o que não contribuiu em nada para a operação, uma vez que a oportunidade de acertar rapidamente a Alemanha pelo atalho balcânico foi recusado, privando que os exércitos vitoriosos na Itália fossem mobilizados por este atalho, que contaria ainda com a vantagem de uma segunda frente[3]. Os franceses poderiam ter aguardado.

Enquanto o Japão obstinado por manter ilusoriamente seu império do sol, ao passo de que suas esquadras ainda exerciam certo poder de resistência às empreitadas anfíbias dos norte-americanos e em menor grau britânicos, a Alemanha já estava fadada à capitulação dos Aliados dando já por certo a vitória aos mesmos. Ao meio deste epílogo, seria necessário que o teatro de guerra terminasse o mais rápido possível, o que transformou a obstinada resistência nipônica em um impasse estratégico decisivo para os Aliados britânicos e americanos: como obter a rendição definitiva da vertente do Eixo no Pacífico o quanto mais célere fosse possível, uma vez que os objetivos soviéticos se tornavam cada vez mais obscuros ao restante da Europa, por detrás daquela “cortina de ferro” assentada no coração do Velho Continente, aonde a liberdade dos países balcânicos vinha se tornando uma questão duvidosa? Uma resposta absoluta não poderia vir sem que fossem estabelecidos cálculos de ordem política e principalmente estratégica (o que alcança o objetivo deste artigo), sem mesmo desprezar os de ordem moral que vieram a se tornar questionamentos de repercussão mundial depois de Hiroshima e Nagasaki, cujo silêncio devastador e episódio foram, pelas décadas subseqüentes, vistos pelo mundo com estarrecido temor e abomino.

Tal era a situação em que se depararam os defensores das democracias liberais e do exercício da soberania por vias do sufrágio universal, num cenário político decisivo para os norte-americanos abandonarem por completo seu isolamento do continente europeu, o qual marcou quase toda a metade do século XX. Lembrando que as recomendações de George Washington para que a política americana devesse estar longe das intrigas européias, traçada a partir do reconhecimento de sua independência em 1783 e da proclamação de sua Constituição em 1787, marcaram os primórdios do isolamento norte-americano naquela porção continental.

Talvez fosse de grande importância para os Estados Unidos que se colocassem neste isolamento num período que se estendesse do final do século XIX ao início do século XX, uma vez que os interesses voltados para uma delimitação territorial interna seria de fato a principal meta a ser alcançada, pois o fenômeno da supremacia não poderia ser vislumbrada se as bandeiras americanas desfraldassem apenas na costa leste da América (e Hollywood não ganharia prestígio por seus Western movies – que seria de Clint Eastwood, John Wayne e Lee Van Cleef? O cartunista Thomas Nast não teria dado cor e forma, em 1870, à Abraham Lincoln como Tio Sam e mesmo que sim, seria inconcebível que Uncle Sam pudesse escolher os garotos que seriam mobilizados para abafar os estrondos de 1914, com o memorável “I want you”). Mas tudo mudaria a partir de 1918. Tinha que mudar. Já não seria mais conveniente que o governo de Washington se preocupasse apenas com atuações políticas que mesclavam essencialmente interesses comerciais com dosagens de políticas de poder basicamente restritas à Doutrina Monroe e a posições no Pacífico: deveriam considerar seu poder nacional como um todo, e como superpotência, e colocar a Europa nos cálculos de sua influência política para finalmente exercerem seu papel imprescindível na defesa dos interesses ocidentais. A supremacia norte americana já havia se esculpido e seu poder inconteste não poderia mais resumir-se a interesses com restrições meramente regionais, uma vez que a América espanhola já havia a muito se tornado América Latina operando sob engrenagens ainda que primitivamente capitalistas e perceber que o Velho Continente sozinho não poderia levantar-se das cinzas de 1914 e 1939 e resistir ou sequer barganhar contra a máquina de Stalin, que vinha demonstrando com nitidez sufocar o exercício da vontade nacional dos países balcânicos, deixando explícito ou implícito o algoz de que o compromisso com a Revolução Gloriosa não permitiria que ele se contentasse até que uma linha imaginária conectasse Vladivostok à Lisboa.

Embora tais idiossincrasias atemporais (sem mais delongas acerca da inviável retração do poder político norte-americano e dos prelúdios que precederam os acontecimentos que levaram o continente europeu à configuração de forças pós – 1945) sejam meras divagações metonímicas, são pertinências ilustrativas para a compreensão de que o verdadeiro Leitmotiv[iii] soviético nos Bálcãs é apenas uma parte dos planos para o triunfo do socialismo sobre o capitalismo e as democracias ocidentais[4]. A máquina imperial do leste não seria debruçada ali por mera casualidade das circunstâncias e muito menos por oportunidade vislumbrada no teor dos avanços contra os alemães pós batalha de Stalingrado (que Stalin soube muito bem tirar proveito do pretexto de que estaria libertando a Europa do nacional-socialismo na medida em que o Exército Vermelho esganava-se sobre o Leste europeu, até enfincarem suas botas em Praga, a partir do momento em que foram barrados graças aos “malditos” americanos). Todo um estratagema subversivo no exterior já vinha sendo engenhosamente estudado desde 1918, contra a Tchecoslováquia, num golpe de Estado em 1948 que de acordo com Paul Zinner[5], da formação do Partido Comunista Tchecoslovaco, organizado por um grupo tcheco de prisioneiros de guerra, o líder social democrata deste soviete, Alois Muna, seria a ponte humana (junto aos social-democratas Bohumir Smeral e Josef Stivin) para que fossem promovidas agitações a favor do bolchevismo, ao passo que fora devidamente instruído por Lênin acerca da metodologia revolucionária. (Para ver como as instituições democráticas brasileiras foram corroídas pelo germe, ver a obra de Suzanne Labin “Em Cima da Hora” e para compreender como a sovietização de Cuba não acontecera da noite para o dia, que o leitor tenha acesso a obra de James Monhan e Kenneth O. Gilmore, “A Grande Cilada”).

Mais do que apenas jogos subversivos difusos, a verdade sobre o projeto imperial de Outubro de 1917 gira em torno da sovietização universal, o que caracterizava o âmago da razão de estado soviética, a qual não consistia apenas na conversão e submissão mundial ao socialismo (o qual pudesse ser vários à medida que fossem desvinculados da Gestapo, como o Comitern chinês que adotou caminhos divergentes do que esperava o governo de Moscou, a partir de 1923), mas sim na suprema potencialização das vias e vertentes revolucionárias globais de modo que se tornassem conexas a uma aglomeração única e necessariamente vinculada à intelligentsia comunista internacional, sob o ativismo e prontidão de seu QG em Moscou. Isto quer dizer que quaisquer revoluções que brotassem deveriam ser submetidas ao controle direto da URSS, o que explica a III Internacional Comunista ter sido completamente apossada por Stalin (fato que levou Trotsky a criar sua pífia IV Internacional). Dada as dimensões territoriais da Rússia sempre terem sido, ao longo de sua história, de natureza supra-imperiais (tendo em conta o fato de ter o país a maior extensão territorial do mundo), seria logicamente irresistível que suas fronteiras não desejassem conhecer limites na busca de uma expansão constante e implacável por todas as direções possíveis até onde pudessem chegar, sendo, portanto, aquilo que manifestava, ultima ratio, a vontade maior do marxismo-leninismo sobre os auspícios de uma União Soviética robustamente militarizada.

Ipso facto, qual seria então o papel do Exercito Vermelho estacionar-se numa faixa territorial que contornava praticamente todo o Báltico, emendando Rostock (Alemanha) descendo o Mulde e o Elba, pegando a Tchecoslováquia, parte da Áustria e que era recheada pelos Bálcãs, se não fosse a completa e incondicional capitulação da Europa? Que seriam das ilhas britânicas, consideradas a barricada insular do Ocidente, se o Velho Mundo fosse por completo subjugado pelos profetas armados? Seria possível um outro “Dia D” na Normandia ou Gibraltar? Para onde toda a produção daquelas indústrias pesadas da Renânia, da Alsacia e Lorena seriam voltadas e designadas e para onde todos aqueles portos lançariam suas, agora, ilimitadas e incontestáveis esquadras? Mar do Norte? Atlântico? Mackinder pode responder.






[1] FEST, Joachim, No Bunker de Hitler, os Útlimos Dias do III Reich. Rio de Janeiro: objetiva, 2005.
[2] CHURCHILL, S. Winston, Memórias da Segunda Guerra Mundial, Rio de Janeiro, 2ª ed. Editora Nova Fronteira, 1995. p. 944.
[3] Idem, op. cit. pp. 949-950.
[4] CADEMARTORI, Lindolpho, Notícias de Jornal Velho: pacto de varsóvia – a última grande ameaça européia, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2653. Acesso em: 13 mar 2007.
[5] ZINNER, Paul E. Estratégia e Táticas Comunistas na Tchecoslováquia, 1918-48. Rio de Janeiro, Distribuidora Record, 1965. p. 34.

[i] Palavra alemã utilizada no título da película cinematográfica sobre relatos que remontam os últimos dias de Hitler (Der Untergang), que na íntegra significa “A queda”.
[ii] Originalmente denominada como Bigorna, mas alterada como precaução para que o inimigo não pudesse identificá-la.
[iii] Palavra alemã que significa “motivo condutor”, utilizado por Richard Wagner como técnica de composição musical, introduzida por ele em suas óperas.