domingo, 13 de maio de 2007

"Com a Força do Povo"

10 de fevereiro de 1980, nasce o Partido dos Trabalhadores: projeto de poder arregimentado no fortalecimento e integração das forças e organizações desestabilizadoras da sociedade brasileira.



“O alicerce está pronto (para um segundo mandato), as paredes estão prontas, agora falta a madeira e o telhado.”

– Lula da Silva (no debate nas eleições de 2006).


Resumo: o Partido dos Trabalhadores em si consiste tão somente em fazer o país deixar de engatinhar para começar a dar passos maiores em direção ao master plan petista: atingir o “Estado Socialista de Estado” venezuelano.




O PT não apenas representa uma forte instituição mediadora entre as poderosas forças comprometidas com a desintegração e a dissolução da ordem vigente e algumas diligências voltadas para uma política de mercado mascaradas pelas políticas monetárias do BC (mesclando outros ingredientes como a recepção de Bush no Brasil e a promessa de uma economia sustentável), mas um verdadeiro establishment para a perpetuação do poder por vias democráticas. Em outras palavras, o PT estabelece um liame entre o sistema de mercado e a subversão da ordem. Este delay é uma simples interpretação da influência gramscista na América Latina, no aspecto de que o comunismo é apenas uma cobertura ideológica sobre as engrenagens capitalistas destinada à consecução de objetivos revolucionários. É esta a premissa maior da estratégia petista revigorada nestes oito anos de desgoverno, a mesma responsável por preparar e fomentar estas raízes revolucionárias na sociedade brasileira. São estas ingerências que representam o teto que abrigam e amamentam o crime organizado, o MST, o narcotráfico, a impunidade, a “sociologização” dos crimes hediondos, a legalização do aborto, a inimputabilidade silvícola, a incitação ao racismo da população de cor (estampado pela ministra Matilda Ribeiro) e muitos outros turbilhões que ainda incluem a escolta legal ao homossexualismo enquanto movimento agitador.

O principal elemento desta estratégia petista para a perpetuação do poder por vias democráticas, chama-se “impotência estatal voluntária”. Baseia-se na ausência de autoridade estatal perante os impetuosos movimentos desordeiros acima citados, ou seja, exaurindo o poder-dever do Estado de suas responsabilidades viscerais perante a manutenção da segurança, paz e ordem em sociedade. O elemento autoridade fora necessariamente substituído pelo elemento sociologia, cujo campo atua para criminalizar o poder-dever do Estado perante a desordem organizada agindo livremente pelo respaldo intelectual do ramo e pelo apaziguamento governamental. Peguemos como exemplo o MST, desnudado pelo Conselho Nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição[1] (TFP), Família e Propriedade, que “de fato, em pouco tempo deu mostras abundantes de ser um pernicioso movimento anti-social. As reintegrações de posse concedidas em série pelos Tribunais bem mostram o caráter ilegal do esbulho possessório praticado pelo movimento invasor.” E continua, “mas, por incrível que pareça, muitos governadores negam-se a cumprir essas ordens judiciais, ou então, protelam indefinidamente seu cumprimento”.

As vias democráticas são perigosas, pois são por suas naturais brechas que tais hospedeiros corroem as instituições de uma sociedade (por isso Churchill acerta ao enquadrá-la como o melhor sistema político dentre os piores). Não nos deixemos enganar seja por Lula da Silva divergir miúdos com Hugo Chave ou Evo “Imorales”, seja pelo Der Spiegel[2] considerá-lo “herói dos pobres, queridinho dos mercados financeiros”, pois o Partido dos Trabalhadores em si consiste tão somente em fazer o país deixar de engatinhar para começar a dar passos maiores em direção ao master plan petista: atingir o “Estado Socialista de Estado” atuante nos países daquelas duas estrelas bolívares (dentre outros vizinhos). Com esses grupos desordeiros não se negocia, não se escolta, não se apazigua, mas se combate com rispidez e inflexibilidade (pois suas premissas partem de termos absolutos e em objetivos por si mesmos inegociáveis), uma tarefa e uma responsabilidade quase impossível de ser praticada sem que seja taxada de reacionarismo quando se observa o indelével respeito à sociologia uspiana no mundo da semi formação acadêmica e intelectual, ao mesmo tempo em que a polícia é desmoralizada e mascarada pela mídia (escancaram abusos de policiais como o apelidado Rambo, como se delegacias fossem escolas de tortura, além de demonizar a proteção a agriculturas ameaçadas e destruídas pela selvageria mascaradamente “sem terra”).

Ao apaziguar sociologicamente e politicamente organizações movidas naturalmente pelo motim, o governo dá sua monta para fortalecer o pedantismo pela “justiça social” e “segurança social” a serem entregues por vias de uma super burocratização estatal. Concomitantemente à “impotência estatal voluntária” para o fortalecimento de tais forças cada vez mais algozes contra a paz social e quaisquer respostas vindas de outras esferas partidárias em defesa da mesma e contrárias à missão petista, está a falácia do enfraquecimento da segurança da população em geral assegurada pela Lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (regulamentada pelo Decreto 5.123 de 01 de julho de 2004), conhecida como Estatuto do Desarmamento. Desarmando a população, privando-a da defesa contra a vida e a propriedade, e exaurindo a responsabilidade do poder-dever do Estado para com a seguridade pública, oito anos de petismo serão mais que suficientes para amamentar as forças subversivas organizadas, para finalmente solidificar os alicerces do “Estado Socialista de Estado” que entrará em perfeita atividade quando nossa sociedade entrar em erupção (cujos soluços vemos com clareza no Rio de Janeiro e na grande São Paulo sendo tragada pela calamidade). Quando o estado de caos atingir proporções insuportáveis, ao se alastrar e se enraizar nas entranhas da sociedade brasileira com firmeza, o pedantismo das massas por “segurança social” e “justiça social” serão num certo ponto tão intensos que suas preces serão atenciosamente ouvidas e prometidas pela supremacia do “Estado Socialista de Estado” solidificada, mediante a performance imperial de suas estruturas públicas destinadas a realizar todas as nomenklaturas “sociais”, por vias do vasto aparato estatal estabelecido e constituído por inúmeras repartições, órgãos, empresas, ministérios e secretarias públicas, movimentando-se através da corrupção facilitada (pois de onde mais ela provém, senão desses ambientes consumidos por fraudes[3], nepotismo e inépcia?) e supridas pelos impulsos tributaristas para tão somente gerar um montante, cuja porcentagem seja preponderante no PIB, destinado à manutenção de suas toneladas.

Em contrapartida, o excelente trabalho que vem sendo feito pelo TFP, fundada em 1960, na grande São Paulo, tendo como ícone o nobre batalhador pelo conservadorismo brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira[4], oferece ainda boas, porém modestas, esperanças quanto a uma fervorosa defesa patriótica pelas tradições culturais da nação brasileira, esculpidos por nossa história e pelos bastiões dos valores ocidentais, arregimentados no catolicismo judaico-cristão, na prevenção de serem impetuosamente implodidos e subvertidos pelo burocratismo socialista. Este sem margem de dúvidas o objetivo final da estratégia petista, ou seja, o assento de uma gigantesca máquina estatal administrativa enxurrada por edifícios públicos encardidos. Seria o status que o Brasil atingiria no vislumbre daquilo que precisamente acontece na ditadura cubana, na Venezuela chavista e agora na Bolívia: o deleite imperial de uma administração estatal, soberba e absoluta sobre qualquer coisa a ser definida, a qualquer tempo e lugar, como de “interesse social”, para que a burocracia socialista pague a “justiça social” por meio do poder pelo poder, da corrupção inflamada, mandos e desmandos (pois afinal de contas, esta é a “função social” das coisas).

Um segundo elemento embutido no primeiro, e último, da estratégia petista vem de certa forma vinculado ao marketing populista do “com a força do povo”. O que seria esta força popular a qual o Partido dos Trabalhadores se apóia e fez de sua propaganda eleitoral o carro chefe de seu partido? Bem, o Brasil é um país em desenvolvimento e, portanto possui ainda muitos pobres e por isso não há habitat melhor para os ratos de esquerda agirem. As massas não dominam o linguajar da economia ou da política, e por consequência são facilmente ludibriadas pelas falsas promessas socialistas associadas a conceitos morais universais embutidos em terminologias e expressões que enchem discursos de oradores engajados em vender o paraíso da igualdade de fato.

De certa forma, enfim, talvez o leitor venha a incluir este autor no rol dos sonhadores e ilusionistas, mas dele não escapará a realidade caótica dos fatos que contornam e se apresentam à sociedade brasileira, com a qual trabalhei buscando tão apenas torná-los inteligíveis a uma previsão que vem se demonstrando palpável e realizável, partido de uma linguagem discursiva simples, desprezando uma erudição pomposa a fundamentar uma visão de cunho geral, mas contextualmente fundamentada e conexa a esta realidade. Faço proposta, portanto, a um exercício reflexivo sob os olhos atentos e não a simples capitulação de uma verdade (inconveniente), sem trairmos a modéstia de Karl Popper de que somos perseguidores da verdade e não seus possuidores, mas de certa forma aceitando a extravagância esteticista de Oscar Wilde de que “o verdadeiro mistério do mundo são as coisas visíveis, não as invisíveis”.




[1] Em Defesa da Unidade Nacional Ameaçada pelo MST, disponível em: http://www.lepanto.com.br/notTFP.html, acesso em: 13/05/2007.

[2] Der Spiegel, disponível em: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2220402,00.html, acesso em: 13/05/2007.

[3] Exame da OAB em Goiás é cancelado após descoberta de fraude, disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL35514-5604,00.html, acesso em: 13/05/2007.

[4] Plínio Corrêa de Oliveira, disponível em: http://www.tfp.org.br/fundacao.asp, acesso em: 13/05/2007.

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