De fato fomos conquistados nas décadas daquele breve século XX, uma conquista sem guerra, no momento em que o Brasil abriu suas portas ao comunismo ao meio daquele cenário de crise política marcada desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961 e com a posse do vice João Gulart naquele mesmo ano. Com todo o cenário político brasileiro abarrotado, não houve melhor momento para a organização das camadas populares e de trabalhadores se mobilizarem, em plenas animosidades armamentistas da "Guerra Fria", alimentada pela passageira URSS (ver "Um Stalin Desconhecido" de Zhores Medvedev, cuja documentação revelada pelo autor mostram este louco já preparava planos de preponderância sobre toda a Europa - logo, planos de preparo para a "Guerra Fria" - já em 1941, quando a Alemanha invadiu a Rússia). Como ficariam os estratos sociais brasileiros que sustentavam a caminhada para prosperidade da sociedade, revestidos pela classe média, pela classe empresarial e pelo Cristianismo católico? A intervenção da União Democrática Nacional (UDN), juntamente com o PSD, veio como contrapeso às ameaças de uma sovietização brasileira, assombrada pela iminência de um golpe comunista no país e evitar sim, que o Brasil se tornasse uma maquete soviética nos modelos de Havana, Praga, Varsóvia ou Pyongyang. A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” de 19 de março de 1964, foi a mais autêntica manifestação contra a subversão comunista no Brasil e não escondia as profundas insatisfações geradas pelo governo de Jango, o responsável por abrir brechas às camadas embriagadas pela promessa do paraíso socialista propagada por Moscou.
A conservação da ordem exige sim autoridade e vigilância. Foram estas as premissas aderidas pelo governo militar iniciado por Castelo Branco, em 1964-67. O turbilhão agitador demonstrava força e intrepidez iam de greves, agitações e paralisações de fábricas, cujos métodos coordenados pelos estudantes idealistas da UNE incluíam assalto a bancos e seqüestros a embaixadores. A formação de grupos guerrilheiros (partisans), como o MR-8 e a ALN foram extremos estabelecidos no seio da sociedade brasileira.
Não é preciso muito esforço para compreender a conquista da mentalidade de jovens e idealistas brasileiros durante essas décadas. Os países da América Latina em geral foram países que festejaram e aplaudiram desde 1917, a Revolução de Outubro (Fevereiro no calendário russo) dos bolcheviques sobre os czares. Não apenas países latinos, como também foram calorosamente aplaudidos mundialmente: todos os países industrializados destinados à prosperidade, ou pelo menos a caminho dela, foram estremecidos, onde quer que houvessem trabalhadores (unidos pela profecia de um paraíso marxista em substituição integral ao capitalismo). No caso do Brasil, esse mesmo sonho não poderia deixar de incitar, instigar e impulsionar grossos contingentes populares a marcharem (e guerrilharem) contra a ordem capitalista e a paz social. Extremos pedem extremos, portanto os Atos Institucionais devem ser enxergados como medidas de contraponto (baseadas na autoridade e vigilância) aos ímpetos subversivos das massas ludibriadas pela propaganda do comunismo soviético.
Hobsbawm que retire suas palavras ao inocentar a União Soviética do espírito de cruzada na Era dos Extremos, ainda que em 1962 o mundo estivesse à beira da catacumba nuclear por iniciativa dos soviéticos, por aqui toda uma geração brasileira a contemplaram como o milagre do século e se lançaram ao “Destino Manifesto”. Apenas uma pergunta absurda: seria correto que toda uma sociedade em seus estratos sociais permanecesse estática, inerte e moribunda em estado de temor, sem a escolta de ninguém ou qualquer coisa que lhes pudessem oferecer proteção, abandonadas à mercê de revolucionários incendiários? Essa tirania militar foi assim taxada justamente porque foi ela a se posicionar de frente à subversão da vanguarda setentista brasileira, cuja arte era o comunismo, quando as tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas, em 31 de março de 1964, em defesa desses estratos sociais, das tradições e valores judaico-cristãs, do patriotismo e da ordem. Se foi ela uma ditadura ou não, agradeçam pelo Brasil não ter se tornado ontem um satélite alinhado à União Soviéitca e hoje uma Cuba, Venezuela e Coréia do Norte juntas.
Um comentário:
Senti falta das referências tão características dos seus textos... Realmente gostaria de ler o parecer de um historiador (que fosse de direita) concordando contigo. Complicado pedir que Hobsbawm excrete seus pontos de vista, complicado desconsiderar letras e letras da Tropicália brasileira, Chico Buarque, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e por aí vai, ainda que seus trabalhos atuais não tenham o mesmo prestígio de décadas atrás. Cada extrato social briga por seus interesses vitais. Mas censura, tortura e sumissos "inexplicáveis" de pessoas parecem não ter muito a ver com capitalismo, neoliberalismo etc e tal. Muito ao contrário assemelham-se muito mais aos regimes massificados da URSS e totalitários alemão e italiano por exemplo. Mas como vc msm dizia, cada extrato social briga por seus interesses vitais, mas tvz coubesse um Parte II nesse post tb, pq ao fim dos qse 30 anos de ditadura as classes médias já viam se suficientemente insatisfeitas para não terminarem essa leitura com um sorriso nos lábios.
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